A renovação do MpD não se faz com o afastamento de Carlos Veiga

12/06/2012 00:44 - Modificado em 12/06/2012 00:44

Abraão Vicente, deputado do MpD, em declarações ao Liberal, está contra os que contestam a liderança de Carlos Veiga e defende que “ A renovação do MpD não se faz com o afastamento do líder”.

 

Defende que com Carlos Veiga o MpD é mais forte, na liderança ou não”. E envia vários recados para o interior e exterior do partido “não acredito nas pessoas que se dizem do MpD e nunca se envolvem, pessoas que fazem parte de comissões políticas e de outros órgãos do partido e que preferem o anonimato, criando teorias da conspiração e fazendo o jogo do adversário” Abraão diz que quem quiser um novo partido “ tem que agir mais e falar mais, ninguém herda um partido fazendo a sua queimada pública “.

O deputado vai mais longe e desafia os críticos a avançarem com novas propostas para o MpD, uma alternativa política “ Sem apontar nomes diz que “ alguns “ críticos quererem fazer do partido um património privado para transmissão de tachos. Não se sabe se o deputado independente ,com estas declarações , está investido de D. Quixote e combate moinhos de vento sem o fiel Sancho Pancha, se conjura ou se a luta pela liderança do MpD já saiu das teorias da conspiração made in MpD e esta na praça pública.

  1. Carlos Tavares

    Se não é com O Veiga, então é com o Abraao

  2. Alcindo Amado

    A CULTURA DO ÓDIO E O CANIBALISMO POLÍTICO RESULTARAM NA TERCEIRA DERROTA CONSECUTIVA DO MOVIMENTO PARA DEMOCRACIA

    É mais que evidente a necessidade de uma mudança de paradigmas na governação de Cabo Verde. O próprio lº Ministro reconheceu isto durante a sua campanha.
    Todavia, os caboverdeanos voltaram a votar no PAICV porque o MpD não se posicionou como uma alternativa credível. Estou seguro de que, se tivesse optado por um discurso político mais realista, e apostado em outras competências em detrimento da investida feita em políticos fantasmas, o MpD ganharia as eleições folgadamente.
    Uma péssima engenharia eleitoral, mensagens políticas violentas, a cultura do ódio, o canibalismo político dentro do partido e a presença de fantasmas nas listas concorrentes, não podiam de forma alguma resultar em vitória.
    Nos meus artigos de opinião, que precederam a campanha eleitoral, chamei a atenção dos “donos” do partido para que mudassem de postura e que adoptassem uma outra linguagem política. Os caboverdeanos já não acreditam em ideias desenhadas, e exigem mais seriedade e postura dos líderes políticos. Os meus artigos de opinião, por serem frontais, não caíram no agrado dos meus colegas de partido, e acharam que o meu raciocínio era genuínamente “PAICV”.
    Um partido político com vocação para o poder, que não consegue organizar-se em dez anos de oposição para se posicionar como alternativa ao partido no poder, tem efectivamente um déficit de liderança.
    Carlos Veiga não foi prudente na escolha dos cabeças-de-lista, não conseguiu impôr-se como líder e deixou-se arrastar por alguns oportunistas, que se julgam ser donos do partido, para salvaguardar os seus interesses em detrimento dos interesses colectivos. A defesa dos “tachos” era mais importante para eles que uma eventual vitória do MpD. Esses são os chamados militantes de rapina que, infelizmente, dominam os centros de decisão do partido.
    A tendência em preservar uma democracia de fachada, e a interdição do pensamento político dentro do partido, proporciona um clima de instabilidade e de revolta no seio dos militantes. O político incompetente não quer ter sombras por perto.
    Por outro lado, a cultura do ódio e o canibalismo político nas altas esferas do partido, têm vindo a contribuir para um possível colapso do partido. Vejamos o caso caricato que aconteceu no círculo de Santiago Sul.
    Filomena Delgado e Agostinho Lopes foram empurrados para fora do xadrêz político, por terem liderado e apoiado uma lista concorrente contra José Filomeno, que saiu vencedor. Claro que, sendo Filomeno a segunda figura da lista concorrente no maior circulo eleitoral do país, Agostinho Lopes e Filomena Delgado teriam de ser escorraçados. Será que os dois independentes, que cairam de pára-quedas nessa lista, vão conseguir substituir os dois veteranos no parlamento? Claro que não. Não têm a mínima noção da responsabilidade, nem vocação para tal.
    Qual foi a postura de Carlos Veiga perante tal cenário? De certeza que apoiou este procedimento na medida em que a última responsabilidade era dele.
    Por falta de estratégia, a engenharia eleitoral aprovada pela direcção do partido resultou em derrota, em 10 dos 13 círculos eleitorais do país. O mais bizarro disto tudo foram as derrotas em Santo Antão e São Vicente.
    A “transferência” de Jorge Santos, de Santo Antão para São Vicente, resultou numa tragédia que o arrumou pliticamente. Por razões que não se compreende, ele deixa o seu habitat natural onde é sobejamente conhecido, e aparece em São Vicente como uma “surpresa”para estragar a festa. Portador de um discurso político repetitivo e pouco eloquente em termos de mensagens, e bastante violento em relação às críticas feitas ao adversário, agravado pelo facto de não conhecer e não ser conhecido na ilha, resultou numa evidente rejeição por parte do eleitorado mindelense. A “aparição” de Jorge Santos em São Vicente traduziu-se em mais um certificado de incompetência atribuído aos residentes na ilha. Muito provávelmente, isto acabou por ditar a morte do artista.
    Para agravar ainda mais a situação, teve a infelicidade de saír em defesa da Câmara Municipal de São Vicente, alegando perseguição política do Governo, num evidente cenário de corrupção passiva e tráfico de terrenos municipais, em que já foram constituídos arguídos oito pessoas ligadas e/ou próximas da Câmara Municipal e do Movimento para Democracia.
    Um verdadeiro estratega político não toca em questões tão delicadas, susceptíveis de ofender os eleitores e mudar a intenção de voto.
    Seria puro infantilismo, Jorge Santos considerar que a triste imagem da Câmara Municipar de São Vicente não iria ter um efeito devastador na sua campanha. Ele poderia ter neutralizado tal efeito se tivesse responsabilizado cada qual pelos seus actos, e procurar demarcar a Instituíção dos arguídos.
    O círculo eleitoral de São Vicente tem características próprias. Aquí não se vence um pleito eleitoral com meia dúzia de cantigas decoradas. Jorge Santos cometeu vários pecados. Deixou-se impôr uma lista concorrente com muitos candidatos fantasmas, que não trouxeram nenhuma mais valia à lista.
    Numa manobra de evidente cinismo, o candidato com mais visibilidade na lista, o Advogado João Gomes, foi intencional e maliciosamente atirado para o quinto lugar, com o objectivo de se livrarem dele. Contràriamente ao que esperavam, ele aceitou o 5º lugar e produziu as mais eloquentes comunicações políticas da campanha. O resto foi conversa fiada sem qualquer impacto.
    Este avalanche de falhas e derrotas apontam para um grande déficit na liderânça do Movimento para Democracia..
    Os factos mostram, e Carlos Veiga deve reconhecer, que ele deixou de ser a pessoa ideal para continuar à frente do Movimento para Democracia. Não pretendo de forma alguma por em questão a sua idoneidade política mas, a verdade é que certos anticorpos, associados à facturas políticas por pagar, tendem a eclipsar a sua credibilidade e capacidade de liderança. O MpD precisa de urgentes e profundas mudanças na sua estructura orgânica.
    Uma convenção extraordinária a curto prazo poderá vir a eleger um novo líder, bem como os diversos ógãos do Movimento para a Democracia.
    Presentemente, temos uma figura de proa no partido que goza de muita popularidade e admiração, e que é apontado como o futuro líder.
    Ulisses Correia e Silva, Vice Presidente do Partido e Presidente da Câmara Municipal da Praia, é sem dúvida a pessoa indicada para tirar o MpD dos escombros em que se encontra. Trata-se de um indivíduo inteligente, jovem, moralmente bem posicionado, portador de um discurso político moderado, e sem quaisquer anticorpos que lhe possam condicionar no exercício desta missão.
    Aliás, se Ulisses Correia e Silva tivesse sido eleito Presidente do MpD, aquando da disputa com Agostinho Lopes e Jorge Santos, hoje o partido não estaria na oposição.
    Eu defendo esta ideia, que é também compartilhada dentro do Movimento para Democracia, no sentido de evitar mais outro colapso do partido.
    Ulisses deve começar a encarar esta hipótese, porque o MpD não tem outra alternativa à vista.

    Mindelo, 12 de Fevereiro de 2011
    ALCINDO AMADO
    alcindoamado@hotmail.com

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