Construções clandestinas: construir de noite e legalizar quando Deus quiser

4/12/2013 07:01 - Modificado em 4/12/2013 07:01

casas de lataEm várias zonas de São Vicente, muitas pessoas vivem em casas de tambor. Na Ribeirinha, as pessoas estão à espera de serem chamadas para a legalização do terreno.

 

Para Soraia, o motivo pelo qual construiu uma casa de tambor, foi porque queria ter casa própria. “Eu queria sair da casa dos meus pais, para ter a minha independência. Assim faço o que quero”. Questionada se teve algum problema com a Câmara Municipal, ela esclarece: “Montei a minha casa à noite, logo de manhã os homens da fiscalização já estavam à minha porta pedindo os papéis da legalização dos terrenos”.

Como a maioria dos moradores dessas casas, Soraia não tinha documentos “eu não tinha documentos, expliquei-lhes a minha situação e disseram-me que tinha de ir à Câmara Municipal para a legalização do terreno”. Ela fez o que os agentes pediram, mas já se passaram dois anos e meio e ainda está à espera de ser chamada para a audiência.

A falta de dinheiro para construir uma casa ou para pagar uma renda é o motivo pelo qual Nilton Fonseca foi “obrigado” a procurar uma solução para morar com a mulher e o filho. “A minha namorada estava grávida e eu queria morar com ela, o meu pai ofereceu-me uma casa de tambor e eu fui logo para construir a minha família. Eles vivem numa casa de tambor há menos de um ano e já fizeram o pedido do terreno, porque “nós queremos ter o nosso canto para morar, mas não queremos casa clandestina, queremos cumprir a lei”. O maior desejo do casal é ter uma casa de cimento e legalizada.

Maria Monteiro fez a sua casa clandestina, porque pagava uma renda de sete mil escudos, “eu pagava renda, mas não estava a conseguir pagá-la mais por causa de outras despesas, resolvi fazer a minha casa para poupar sete contos todos os meses, já dá para investir noutras coisas”.

Ela diz que já pediu terreno à CMSV várias vezes e nunca teve resposta, mas não perde a esperança de ter uma casa própria e legalizada.

 

Samuel Santana é um morador dessa pequena localidade e afirma que “fiz pedido de terreno duas vezes na Câmara Municipal e sempre me diziam para esperar, por isso, resolvi fazer a minha casa clandestina”.

“Sabia dos riscos que corria ao construir a casa, mas tinha que o fazer para que pudessem dar-me um terreno”, acrescenta Samuel mas, mesmo assim, ainda está à espera.

O NN sabe que as pessoas montam as casas de tambor à noite para não darem nas vistas. Após montarem as casas, os funcionários dos serviços de Fiscalização da CMSV aparecem sempre. Os moradores de Ribeirinha culpam a CMSV de não legalizar os terrenos, alegando que estes deixam os terrenos para os familiares e os amigos. As pessoas reclamam ainda que passam muito tempo à espera de serem chamadas para as audiências de legalização dos terrenos.

  1. alberto tavares

    Constroem em terrenos camaràrios para obterem licença mas o diabo é que fazem a construção sem alinhamento e sem possibilidade de passagem dos bombeiros

  2. Vai esperando sentado!!!!!! De preferência numa cadeira de inox k não vai corroer tão fácil!!!!! Kem vos mandou construir clan !!!!!

  3. Mindelense de gema

    E assim que funciona o ( sistema ) posto em pràtica pelos os responsàveis pela nossa governaçao . Esse comportamento indigno ” dos nossos autarcas ” é que provoca no seio das nossas populaçoes , discriminaçoes de todas especie !..Depois venham-nos dizer que os portugueses nos deixaram uma herânça no nosso comportamento que nos prejudicam?? Hipocresia !.. Somos priores do que os portugueses ?????

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