Os caminhos tortuosos para a presidência da CMSV

13/06/2012 00:36 - Modificado em 13/06/2012 00:34
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Quando faltam  três dias  para o inicio da campanha eleitoral,  os candidatos a presidência  da Câmara Municipal de São Vicente  já sabem que os caminhos  para lá chegarem  não são fáceis  de trilhar. Na pré – campanha, nos bairros ficaram a saber  coisas  que imaginavam que sabiam, mas  que  não sabiam. A realidade é sempre mais rica do que a imaginação e os desejos   e por isso os candidatos terão tirado as  devidas ilações. E a primeira  é que  dificilmente  em  São Vicente se ganha uma  eleição durante  a campanha eleitoral, mas que aí se pode perder uma  eleição. Mas o dados estão lançados e os trunfos  em cima da mesa. Resta   jogar.

 

PTS às vezes o esforço não compensa

O PTS , através do seu presidente, João do Rosário, fez um grande esforço  para fazer o PTS recuperar a imagem de “ partido folclórico e sem expressão”  resultante dos 452  votos  que recolheu nas legislativas de 2011. Rosário  começou a trabalhar cedo e a construir  a imagem de um partido de ideias e valores. Defendeu valores como a transparência  e posicionou-se contra o clientelismo político  e chegou a dizer “ a lei de financiamento dos partidos impede, os ditos pequenos partidos de terem acesso ao financiamento por parte do estado. O PTS acusa o Estado de fechar os olhos e de não fiscalizar a forma milionária como estes partidos se financiam. Sendo uma das razões para o afastamento de outros partidos das corridas eleitorais e promover a compra de “votos e consciência”.

Quanto as novas ideias lançou a ideia da criação de um segundo município. Depois avançou  com  a ideia de resolver, parte do problema da habitação em São Vicente, com  o recurso a casa feitas de contentores. Mas a ideia que marca a sua pré campanha  é a sua proposta para a criação de três mil postos de trabalho.

 

 

UCID e a certeza da pré campanha permanente e os equívocos

Monteiro e a UCID, como se sabe, estão em pré – campanha  permanente em São Vicente. É a sua forma de fazer política. Foi desta forma  que  a UCID conseguiu  crescer  e  tornar-se num partido com vocação para o poder em São Vicente. Por isso a pré – campanha dos democratas – cristão foi feita longe dos holofotes da comunicação  social, mas como sempre nos bairros junto das populações, em particular, junto das camadas mais jovens e pobres. O facto que marca a pré- campanha da UCID tem  a ver com o facto desse partido ter anunciado o fim do acordo com o  MpD  que permitiu esse partido gerir a CMSV durante oito anos. Monteiro insinuou  que  o seu partido já não passaria  “cheques em branco ao MpD”. Na Assembleia Municipal, João Luís, dirigente da UCID  ordena a sua bancada que chumbe as contas da gerência da CMSV  e diz que “ a Câmara agiu em “violação do estatuto dos municípios e dos interesses de São Vicente”, isto porque, a edilidade não obteve autorização da assembleia municipal para vender terrenos” E foi mais longe: “o presidente da Câmara Municipal não respeita os estatutos e ignora a solicitação dos deputados municipais “e com esta atitude vem“ lesando de forma deliberada e sistemática os interesses de São Vicente com tais comportamentos”

 

 


Augusto usa presente da oposição. Será que chega?

Augusto Neves  demorou a  aparecer na pré- campanha. Mas, quando apareceu veio  em força e a inaugurar obras da edilidade e sobretudo a lançar primeiras pedras de novas obras.  Isto devido a  autorização  que  os partidos da oposição, PAICV incluído, lhe deram via AM para contrair um empréstimo de  70 mil contos  para fazer obras, precisamente no fim de mandato. Augusto agradeceu  e passou parte da pré – campanha a lançar primeiras pedras e, naturalmente disse que é “ preciso dar continuidade ao trabalho realizado durante o último mandato. De modo que conto com o voto de confiança dos sanvicentinos  para que o  povo de São Vicente possa sair a ganhar”. E prometeu “trabalhar com seriedade, dedicação e responsabilidade”.  Mas Augusto Neves elegeu a regionalização como uma das bandeiras da sua pré – campanha ao dizer aos eleitores que “temos  que colocar a ilha onde, é o seu lugar. Para que isso aconteça, defendo a regionalização política e administrativa de São Vicente: tudo que contribuímos para o Estado é levado de São Vicente e não temos retorno “ E vai mais longe na defesa dessa bandeira ao afirmar: “São Vicente está fora do mapa do Governo: quem construiu os centros de saúde, os diques de correção torrencial, os campos de futebol, apoios aos estudantes carenciados, habitações sociais?

 

Filomena Martins  uma lição não tão bem estudada

Filomena Martins iniciou a pré campanha, num mês, particularmente, difícil para o PAICV e para o primeiro – ministro. Isto devido a contestação a política laboral do governo e a denúncia de nepotismo no caso da nomeação do marido da Ministra da Juventude, Janira Hophfer Almada. Mas a candidata do PAICV trazia a lição bem estudada e tentou  separar as águas entre as eleições legislativas, que avaliam o governo, e as eleições municipais, que avaliam o desempenho das Câmaras Municipais. E por isso centra o foco do seu discurso no desempenho da Câmara gerida pelo MpD e pela UCID durante oito anos. A ideia é não deixar a UCID “ fugir “ da responsabilidade que lhe cabe na gestão da CMSV. Filomena tem dito várias vezes que “ O senhor engenheiro António Monteiro não se pode desresponsabilizar”. Mas é essa linha de acção pode mostra-se perigosa, visto que a resposta vem a dobrar e quando o MpD e a UCID centrarem, em conjunto, os ataques a Filomena Martins estes podem fazer mossa. Martins sabe que não tinham outro caminho senão a confrontação com esses dois partidos, embora tenha ensaiado um discurso supra partidário chegando a afirmar que a sua candidatura coloca os interesses dos são-vicentinos, acima de quaisquer outros. A candidata do PAICV apontou a união dos sãovicentinos como a palavra-chave para que haja um desenvolvimento sustentável na ilha. “ os saõvicentinos devem colocar os interesses da ilha, acima dos interesses pessoais, de grupo, ou partidários.”

 

A pré campanha chegou ao fim. Os dados estão lançados. Os sanvicentinos têm a palavra e voto, na certeza que os caminhos para chegar a cadeira da presidência da CMSV sempre foram tortuosos.

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