Nasceu em Paris um novo partido de esquerda que promete um “Big Bang social”

2/12/2013 01:05 - Modificado em 2/12/2013 01:05
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politica parisSão os últimos moicanos da semana de trabalho de quatro dias e da defesa da redução dos horários laborais como forma de lutar contra o desemprego. O economista Pierre Larrouturou, conhecido por defender as 32 horas de trabalho semanais e até agora membro do secretariado nacional do Partido Socialista, lançou um novo partido em França, o Novo Contracto Social (Nouvelle Donne), em referência ao New Deal lançado pelo Presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt após a Segunda Guerra Mundial.

 

O novo partido pretende apresentar-se nas eleições europeias de Maio de 2014 e Larrouturou garante que tem hipóteses de ficar “à frente do PS”. Conta entre os seus dirigentes figuras como o humorista Bruno Gaccio (ex-autor dos Guignols de l’info, parecidos com os nossos bonecos do Contra Informação), o filósofo Edgar Morin, o médico especialista em urgências Patrick Pelloux, o sindicalista Edouard Martin, popular por liderar a luta dos operários da siderurgia Arcellor Mittal de Florange, e também Christiane Hessel-Chabry, a viúva de Stéphane Hessel, o antigo diplomata e resistente da Segunda Guerra que se tornou famoso com o ensaio Indignai-vos!, publicado em 2010.

 

Larrouturou, que também já passou pela Europa Ecologia-Os Verdes – partido que neste momento faz parte da coligação governamental, com o PS –, apresentou no congresso do Partido Socialista de 2012 uma moção, Ousar. Mais Longe. Mais Rápido, da qual foi porta-voz Stéphane Hessel, cujo manifesto vendeu cinco milhões de exemplares e foi traduzido em cerca de 40 línguas. Surpreendentemente, a sua moção ficou em terceiro lugar neste congresso, em Toulouse, com 12% dos votos.

 

Próximo do ex-primeiro-ministro Michel Rocard, com quem publicou um livro no início do ano (La gauche n’a plus droit à l’erreur, A esquerda já não tem direito a errar), Larrouturou não conseguiu no entanto ficar num local elegível nas listas para as eleições europeias, afirma a revista Nouvel Observateur. Por isso, decidiu avançar com a sua própria iniciativa política, a partir do think tank Roosevelt, criado há ano e meio, adianta o semanário Politis.

 

Curva ascendente?

O programa do novo partido apostará forte no problema do desemprego. Os números mais recentes, divulgados na quinta-feira, revelam que há 3,2 milhões de pessoas sem actividade inscritas nos centros de emprego – uma baixa de 0,6% em relação a Setembro. Vê-se uma ligeira inversão no que tem sido uma curva ascendente do desemprego – algo que o Presidente François Hollande prometeu que seria possível, embora sem se comprometer muito, pois. Horas antes de serem revelados estes números, diz o diário Le Parisien, ainda se resguardou, dizendo que “a batalha contra o desemprego levará o tempo que for necessário.”

 

Mas as previsões de crescimento económico rondam 0,1% ou 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) francês – o que significa que se está a falar de diminuição do desemprego sem um correspondente crescimento económico. Quer isto dizer que os empregos criados são a tempo parcial, contractos a termo de duração muito curta, indica o relatório Trabalho a Tempo Parcial, do Conselho Económico, Social e Ambiental”, divulgado a 25 de Novembro e citado pelo Le Monde.

 

Não é exactamente isto o que ambiciona o economista Pierre Larrouturou e o seu Novo Contracto Social. “Esquerda e direita repetem há 30 anos que o crescimento há-de voltar e resolver tudo. Mas é mentira, nunca criará cinco milhões de empregos”, afirmou em entrevista ao Le Parisien. “De há um ano e meio para cá, existem mais 500 mil desempregados, e 600 mil que já não podem mais receber subsídio, caíram na pobreza. É mais de um milhão de famílias cuja vida deu uma reviravolta. Portanto, quando Pierre Moscovici [ministro da Economia e Finanças] diz que todos os indicadores estão bem orientados, parece que não vivemos no mesmo país.”

 

“20 soluções”

Os iniciadores do projecto dizem ter a propor “20 soluções credíveis” para áreas como a política de habitação, financiamento das pequenas e médias empresas, a energia e outras, que “permitirão dividir por dois o desemprego em cinco anos”, segundo a AFP. “Estamos no meio de uma catástrofe e é preciso criar um Big Bang sanitário e social”, afirmou o médico de urgências Patrick Pelloux, na apresentação do novo partido, feita no histórico Café du Croissant, em Paris. “Representamos a França que está farta de ficar à espera, quando há soluções credíveis”, sublinhou o economista Larrouturou.

 

O Novo Contrato Social quer apresentar-se às eleições europeias de Maio de 2014, com os seus dirigentes afirmando-se certos de que terão os “meios humanos e financeiros” necessários para fazer campanha. “Temos a certeza de chegaremos a 3%” – o limite mínimo de votação para que o partido possa ser reembolsado das despesas de campanha – afirmou Larrouturou. Mas só em Abril deverá apresentar os candidatos. “O nosso objectivo é que em Maio, o debate político seja em torno das nossas ideias.

 

 

publico.pt

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