Vendas de balaio : nem para desenrascar

28/11/2013 09:28 - Modificado em 28/11/2013 09:28
| Comentários fechados em Vendas de balaio : nem para desenrascar

vendedeiraA vida das vendedeiras das ruas da cidade do Mindelo, nunca foi fácil. Mas agora, com a crise, as vendedeiras afirmam que não têm lucro, o que ganham dá somente para desenrascar.

 

Isaura Rosário tem 51 anos e trabalha como vendedeira há 11 anos e esclarece: “antigamente a venda era melhor mas agora, tornou-se complicado para todos os lados, neste momento é catar e comer. Água, luz, gás e comida estão sempre, sempre a subir de preço”.

 

“Criei os meus filhos nestes balaios, antes lavava roupa em casa das pessoas, para aumentar o rendimento,mas com a idade tive de arranjar um lugar fixo. Ganho 500 escudos por dia mas, às vezes, não dá para comer e, quando é assim, à noite é o tradicional pão com chá”. Afirma Isaura Rosário.

 

Questionada se tem alguma ajuda extra ela explica “antes o meu filho mais velho ia trabalhar como estivador e sempre me ajudava com uns mil escudos ou dois mil escudos mas, agora, ele tem pouco tempo para ir ao cais, porque neste momento já se está a formar para professor, uma tia na Holanda é que o ajuda”. A vendedeira conta ainda com seis mil escudos, dinheiro da pensão de um familiar que mora com ela.

 

Na rua Baltasar o NN encontrou Cátia Sandra com a sua bebé de 10 meses. Vendeu na rua durante dois anos mas desistiu, “agora comecei há dois meses, mas a venda está muito má, com a crise a vida está difícil, essa venda é só para desenrascar porque não tem lucro”.

 

Cátia afirma que “o meu pai de filho trabalha quando encontra, muitas vezes almoçamos e à noite, apertamos o cinto na barriga e dormimos com fome, ninguém nos ajuda e quando ajudam, ficam a falar. A esperança é a última a morrer”.

 

Deolinda é outra mãe que criou os filhos com a ajuda dos balaios “todos os meus 6 filhos foram criados com o que ganho nos balaios, praticamente nascerem aqui nesta rua, trazia os meus filhos às costas para vender”.

 

Passados 25 anos desde que iniciou a venda na rua Baltasar, Deolinda afirma que “antigamente a venda era melhor e cada vez está a piorar, temos que catar e comer, antes dava para guardar 100 escudos para comprar um remédio mas hoje não dá”.

 

Para ela não dá para controlar os lucros porque “é ganhar e usar logo, não temos lucro, é para desenrascar e quando não chega, à noite é chá com pão”.

 

Para ajudar nas despesas Deolinda assegura “tenho um filho que é segurança e estuda, ele ajuda-me e, às vezes, aparecem pessoas para ajudar”.

 

Com 26 anos neste trabalho, Francisca Gonçalves, não é diferente “a venda está péssima, não dá para sustentar, é só para desenrascar. Antigamente sim, mas agora estou a lutar com a vida, criei os meus 5 filhos com a ajuda da venda mas, agora, está difícil e dois estão à procura de emprego mas enquanto não encontram tenho que sustentá-los”.

 

“O filho tinha uma pensão, porque o pai faleceu, mas reprovou no ano passado e este ano não tem direito à pensão”. Com menos esse dinheiro ela está com dificuldades mas, “a minha mãe também tem a sua reforma e ela ajuda-me muito”.

 

Diferente das outras entrevistadas que têm casa própria, Isaura paga sete contos de renda, mas o grande sonho é ter uma casa própria, “já pedi ajuda na Câmara Municipal de São Vicente, desde o tempo de Coxim, estou inscrita no projecto “Casa para Todos” e agora é esperar pelo resultado”.

 

Para essas mulheres a luta continua e mesmo com dificuldades na venda, nunca perdem a esperança e continuam sempre a lutar por uma vida melhor nas ruas da cidade do Mindelo

 

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.