Santo Antão : Eles oram a Deus mas fazem um barulho dos … diabos

18/11/2013 00:00 - Modificado em 17/11/2013 22:04

ReligiãoA ilha de Santo Antão conheceu nos últimos anos uma transformação a nível religioso. Em diversas zonas nasceram casas de culto onde se reza, se invocam os santos e há pastores que afirmam que são capazes de mudar a vida dos fiéis. Até aí , tudo bem! O problema é barulho que fazem quando ” invocam os santos”. Em bairros dos três municípios há moradores que já não aguentam estas situações e até fizeram abaixo-assinados para fecharem os espaços. Porque o barulho proveniente das casas de culto fez-lhes perder o sossego e a tranquilidade dentro de casa, visto que rezam ao Senhor, mas fazem um barulho dos… diabos.

 

Os moradores nas vizinhanças das casas de culto afirmam que os encontros espirituais são barulhentos com direito a amplificadores, guitarras e muita gritaria. Neste sentido, pedem piedade porque a sua tranquilidade foi interrompida com os horários ortodoxos dos cultos. Porque as pessoas empolgam-se nas cerimónias e esquecem-se que o espaço está ladeado de residências.

De acordo com Manuel Estevão e Alexandrina Soares, moradores no concelho da Ribeira Grande, o barulho dos cultos tem prejudicado o seu dia-a-dia. Segundo os dois cidadãos, vários moradores mostram-se agastados com as atitudes dos indivíduos que frequentam o quintal de uma casa que foi transformado num templo. Os entrevistados acrescentam que “perdi o sossego que tinha na minha rua, pois a gritaria começa às 18 horas e prolonga-se até às 22 horas”.

 

Porta fechada

 

Na cidade do Porto Novo, a proliferação de casas de culto não para por aqui, porque elas vão surgindo de bairro em bairro. Os responsáveis chegam a essas zonas, alugam uma garagem ou o quintal de uma casa e, em poucos dias, transformam o espaço num templo de orações. O espelho desses sítios são os horários em que se realizam os cultos, a forma como ornamentam o salão e o barulho das orações que invadem as residências dos vizinhos. O mais grave é que os vizinhos não podem reclamar do barulho, porque senão estariam a ser pecadores por não deixarem Deus penetrar na sua casa. Como se bastasse saber que Deus está em todo o lado.

Felisberto Silva, Amílcar dos Anjos e Rosa Florença fizeram parte de um grupo de moradores que se reuniu e foi à igreja evangélica falar com os responsáveis. O objectivo do encontro seria conseguir que os cultos fossem realizados à porta fechada devido ao barulho que as pessoas fazem durante a veneração.

Mas o pastor não acolheu esta sugestão e segundo os residentes “o responsável disse que era Deus que estava em primeiro lugar e que não se tratava de barulho, mas sim de oração e que não podiam fazer o culto à porta fechada, visto que os espíritos maus poderiam atacar as pessoas dentro da igreja”.

 

Encerramento

O NN sabe que nos bairros está a travar-se uma luta entre os moradores e os responsáveis das casas de culto. Os residentes fazem de tudo para terem o sossego de volta e, para isso, juntam-se em grupos e combatem a proliferação desses templos nas suas zonas. Na cidade do Paul, houve um grupo de pessoas que fez um abaixo-assinado e pregaram uma cópia na parede exterior da casa. Os pastores viram a persistência dos vizinhos, por isso, retiraram a placa e os adornos e fecharam o templo. Com essa situação, a história mudou de figura, visto que os residentes reconquistaram o seu sossego e a sua paz de espírito. O NN sabe que nas cidades da Ribeira Grande, Ponta do Sol e Porto Novo há cidadãos que tencionam seguir essa acção de luta a favor do sossego.

  1. CidadaoCV

    Mas isto é uma questão de LEI. É caso para a polícia. E a polícia é que devia intervir. Ninguém, seja em que actividade for, tem o direito de incomodar o próximo. Que se instalam mil “igrejas”, é a liberdade religiosa. Mas esta liberdade religiosa não pode usurpar o direito ao sossego, á não poluição sonora.

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