Oposição síria forma governo provisório a pensar num futuro sem Assad

14/11/2013 11:57 - Modificado em 14/11/2013 11:57
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siriaÉ um anúncio que poderá nunca sair do papel, mas transmite uma sensação de unidade de que a oposição a Bashar al-Assad bem precisa. No final de uma reunião num hotel na Turquia, a Coligação Nacional Síria apresentou ao mundo um governo provisório, constituído por nove ministros e liderado pelo islamista moderado Ahmed Tomeh.

 

Este governo, frisou o responsável, vai centrar a sua atenção “no trabalho e não nas palavras”. O objectivo é “estabelecer a segurança e a ordem nas zonas da Síria libertadas e dar resposta às necessidades vitais” das populações.

 

Entre as prioridades do governo provisório estão o envolvimento dos conselhos locais na administração das cidades controladas pela oposição e também a criação de uma agência especialmente dedicada a auxiliar os refugiados palestinianos, tanto na Síria como fora do país.

 

A Coligação Nacional Síria (CNS), reconhecida pela generalidade da comunidade internacional mas nada consensual entre as facções rebeldes que estão em luta no terreno, reuniu-se nos últimos dias num hotel de Istambul, para responder à pergunta por que os seus apoiantes ansiavam: querem participar na segunda tentativa de conferência de paz na Síria, conhecida como Genebra 2?

 

Até agora, a resposta tinha sido sempre negativa – se alguns dos membros da CNS recusavam quaisquer negociações, outros impunham condições impossíveis de cumprir, como a saída imediata de cena de Bashar al-Assad.

 

O pequeno passo anunciado no início da semana, que se desvia apenas ligeiramente do rumo seguido até agora, prevê a participação da coligação na conferência Genebra 2, mas as exigências continuam a ser ambiciosas de mais.

 

As condições estão expostas num comunicado publicado no site da CNS: “A Assembleia Geral apoiou a disponibilidade da Coligação Nacional Síria para participar na conferência de Genebra, com base na transferência de poder para um órgão governativo de transição. Este órgão deverá ter poderes executivos totais, incluindo poderes presidenciais com controlo sobre as autoridades militares e de segurança.”

 

Além disso, exige a CNS, “o regime de Assad e de todos os que a ele estão associados não deverá ter qualquer papel no período de transição e no futuro da Síria”.

 

Por fim, o grupo faz depender a sua participação nas negociações do acesso das organizações humanitárias a “todas as áreas cercadas” pelas forças de Assad e da libertação de prisioneiros, “especialmente mulheres e crianças”.

 

EUA elogiam “passo significativo”

Os países mais envolvidos na questão síria, como os EUA, apressaram-se a elogiar a resposta da coligação. O Departamento de Estado norte-americano descreveu-a como “um passo significativo no processo da realização da conferência de Genebra”.

 

Mas o comunicado, assinado pela porta-voz Jen Psaki, é cirúrgico na referência às exigências da CNS. Washington reafirma o seu compromisso com os esforços para abrir caminho à ajuda humanitária na Síria e pede “a libertação de todos os prisioneiros detidos arbitrariamente, especialmente mulheres e crianças”, mas nada diz sobre o papel do regime de Bashar al-Assad num processo de transição.

 

A falta de apoio à CNS por parte dos grupos ligados à Al-Qaeda, que têm liderado grande parte da oposição militar às tropas de Bashar al-Assad, é um dos principais entraves ao sucesso dos aparentes avanços registados na reunião que decorreu na Turquia – os grupos mais radicais não reconhecem qualquer governo que seja formado fora da Síria e dificilmente aceitarão as decisões que venham a sair da conferência Genebra 2, que não tem ainda data marcada.

 

A própria CNS sabe que os EUA não viram com bons olhos o anúncio da formação de um governo provisório, “por acreditarem que poderá minar as negociações de Genebra”, disse um representante da oposição que participou na nomeação do executivo, citado pela Al-Jazira sob anonimato. Mas para a coligação, o tempo está a passar e é preciso fazer algo para travar uma guerra que já faz mais de 120.000 mortos em dois anos e meio. “A sensação na coligação é que, mesmo que haja uma conferência em Genebra, o processo será longo e nós não podemos continuar a permitir que as áreas libertadas fiquem entretanto à mercê do caos.”

 

 

publico.pt

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