Lojas nos bairros de Mindelo: diminuição do poder de compra traz a falência

13/11/2013 00:01 - Modificado em 12/11/2013 22:55

merceariaAs lojas dos bairros sempre foram o socorro dos mais necessitados. Mas a maioria corre o risco de fechar as portas sufocada pelos impostos, pelos “fiados” e pela diminuição do poder de compra da população mais carenciada. Mais um retrato de um São Vicente a minguar.

 

 

As mercearias há muito tempo que vêm servindo as pessoas e são tidas não apenas como meras casas comerciais, mas também como um espaço familiar já que estão presentes nas zonas e os comerciantes e os clientes conhecem-se uns aos outros. A economia da ilha de São Vicente passa por um momento difícil e as mercearias, casas de pequeno comércio, têm sentido os efeitos da crise. As vendas decresceram e não há sinais de retoma.

 

Tentando entender como as mercearias sobrevivem na conjuntura actual, os donos traçam um cenário difícil no qual as vendas têm baixado de forma substancial e, cada dia que passa fica mais penoso manter este comércio aberto. As palavras podem diferenciar para descrever a situação por parte dos vários responsáveis das mercearias, mas o sentimento é o mesmo: “cada dia está pior”.

Arlinda Fonseca, da Mercearia Fonseca, em Ribeira Bote, questionada sobre a situação da sua mercearia simplesmente convida a ver como a loja está. As prateleiras quase vazias e ninguém na loja para comprar. José Miguel, em Lombo Tanque, gere uma mercearia familiar e indica na falta de emprego uma das razões para que a situação das mercearias esteja num estado delicado. A questão do alto desemprego é, por sua vez, citada por outras mercearias.

A crise, apontada por Osvaldina da Luz, da Mercearia da Luz em Fonte Francês, é a base de todos os problemas. Segundo Arlinda, de tempos em tempos as mercearias costumam passar por períodos menos bom e, neste momento, a economia “não está estagnada mas sim parada”.

Ainda para complicar a conta das mercearias, José Miguel fala dos impostos e taxas que têm de pagar. Mas as mercearias estão perdendo terreno para o grande comércio. José reclama do facto de todas as pessoas terem a possibilidade de comprarem a grosso fazendo com que os revendedores, as mercearias, vendam menos. Pois esses clientes vão comprar onde o retalhista vai comprar.

Mas, outro ponto negativo que periga a sustentabilidade do negócio é o fiado. Tratando-se de “lojas familiares” onde muitas vezes se tenta ajudar outras pessoas, segundo este responsável as mercearias são sempre prejudicadas. “Nós confiamos nas pessoas e, muitas vezes, tentamos ajudar, mas só que não nos ajudam pagando o que devem”, sublinha Arlinda. Sem o retorno do fiado não se consegue repor os produtos na loja. Este é um problema crónico que roda num ciclo vicioso. Pois, apesar dos calotes, as mercearias continuarão a “dar fiado”, pois é melhor ter créditos a haver do que não vender nada.

“Temos de ter sempre o pensamento positivo que as coisas vão mudar mas não sei se vão mudar”, avança Arlinda. A esperança desses comerciantes é que as coisas possam mudar mas, com o andar da carruagem, a esperança é pouca com o cenário de crise a piorar cada dia que passa.

 

  1. Silvério Marques

    E a entrada dos chineses, não tem nada a ver ? Os chineses financiam tantos projectos por amizade a Cabo Verde ou querem dominar por completo a economia das Ilhas transformando-nos em um protectorado, perto da escravatura. Eles já tentaram isso noutras paragens, com os resultados conhecidos. Quando as populações afectadas tomaram consciência correram com os chineses. Cabo Vere, o Governo e a população estão a dormir, enquanto os chineses se apoderam das poucas riquezas existentes.

  2. Gisela

    Adé tem dnher pa tond côsa ka tem dher pa kmé. Gente d’soncent bsot pará d’ tchorá k’jam tita sinti vergonha

  3. Maurino C B Delgado

    Não arranjemos bodes expiatórios. Cuidado – somos um povo de emigrantes. Mas, podia ser melhor: – Com espaços aos artesãos para expor e vender o que produzem. Os espaços da FIC, nos períodos em que não há feiras e o pavilhão da Cooperativa de C. Simplicidade que qualquer dia fica em ruidas por abandono, não haviam de servir? As ex-Oficina da Cª Arca Verde? Edifícios escolares abandonados não podiam ser aproveitados? O edifício da ex-Administração pública recuperado, não dava um rico palácio de rendas, bordados e etc,? Um bom espaço onde os carpinteiros artesãos pudessem expor e vender os seus trabalhos, não dava um jeito ao desemprego?

  4. Carlos Silva - Ralão

    O Sr. Maurino disse e bem, temos de ter cuidado quando queremos criar um sentimento contra os imigrantes já que temos cerca de um milhão de conterrâneos a viver no estrangeiro. Ir contra qualquer povo que seja não é a solução, mas sim criar estratégicas internas para melhorar a nossa produção. Realmente os pavilhões da FIC poderiam ser adaptados para pratica de exporte, exposições/venda de produtos durante quase um ano inteiro que ficam fechados.

  5. Carlos Silva - Ralão

    Infelizmente existem pessoas e/ou alguns grupos que assumem os patrimónios do estado como sendo deles, não conseguem ou não lhes convém ver que estes mesmos patrimónios que são de todos aqueles que pagam impostos – ESTADO, NÓS, Apoderam-se e tentam de todas as formas extorquir dinheiro a associações ou a grupo de pessoas que precisam de expor seus produtos ou potenciar os seus projetos, através da cobrança de alugueres exorbitantes dos referidos espaços. ONDE ESTÃO OS DEPUTADOS DA NAÇÃO??????????

  6. Maurino C B Delgado

    Precisamos resgatar os nossos deputados. Estão demasiadamente comprometidos com a política partidária e eleitoralista. Esta situação acaba por comprometer a função principal do deputado, a de defender os interesses do povo. A ligação do deputado com os seus eleitores é ainda muito precária. Basta dizer que os deputados de S. Vicente não têm um espaço específico para receber as pessoas. E que eu saiba, quer da parte dos deputados quer da parte dos eleitores, ninguém, até então, fez esta reivindicação. Se estou errado que me corrijam! Desta forma, o papel do deputado sai diminuído.

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