Recupera clássico dos videojogos para líder mundial da distribuição

12/11/2013 12:34 - Modificado em 12/11/2013 12:34
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biotechÉ um negócio de biliões, onde Portugal tem um peso insignificante e pouca tradição. Mas não tem de ser assim. “Há talento, conhecimento tecnológico e capacidade de inovar”, só não está ainda “assente na cabeça das pessoas” o impacto da indústria digital na economia, afirma Diogo Horta e Costa, director da Biodroid, empresa que desenvolve jogos para diversas plataformas.

 

O mais recente lançamento desta tecnológica sedeada em Lisboa foi o The Activision Decathlon, desenvolvido em parceria com a britânica Marmalade Play para diversos sistemas operativos a pedido da maior distribuidora mundial de videojogos, a norte-americana Activision, responsável por sucessos como Call of Duty e Skylanders.

 

O The Activision Decathlon, que recupera para as novas plataformas móveis um clássico dos videojogos dos anos 80 que será certamente familiar aos saudosos dos velhinhos Spectrum, resulta de “um processo longo e complexo de nove, dez meses”. Houve “momentos de grande intensidade e interacção”, com muitos pormenores para acertar, em três fusos horários, mas nada que uns emails e reuniões via Skype fora de horas não resolvessem, ou não fossem os profissionais portugueses de “uma entrega a toda a prova”.

 

Diogo Horta e Costa sublinha que este projecto “desenvolvido para a Activision com as ferramentas da Marmalade” reflecte a aposta da Biodroid desde o início: “Criar um modelo de negócio assente em parcerias internacionais [parceiros tecnológicos, distribuidoras e grandes marcas] que nos dêem visibilidade para competir num mercado global.” Um mercado que, segundo o gestor, movimentou 70 mil milhões de dólares (cerca de 52 mil milhões de euros) em 2012 e, em 2015, deverá valer 86 mil milhões (quase 64 mil milhões de euros).

 

Aplicações valiosas

As aplicações já representam 12% do negócio e poderão valer cerca de 35 mil milhões de dólares (26 mil milhões de euros) daqui a dois anos. “Enquanto em outros países as indústrias criativas já têm um peso significativo no PIB, nós ainda estamos na fase anterior”, mas “um pequeno país como Portugal tem de ter a ambição de apostar a sério” nestas indústrias, “que têm muito menos barreiras à entrada do que outras” e que “apenas com dois cliques já estão a gerar riqueza”, sustenta.

 

Entre os títulos mais conhecidos da Biodroid contam-se o jogo Cristiano Ronaldo Freestyle, que põe o atleta português a jogar nas ruas de diversas cidades (a versão japonesa foi agora finalizada e na calha estão as versões coreana e chinesa), o Billabong Surf Trip e o MegaRamp (focado em modalidades como o skate e o BMX). Só estes dois últimos jogos já terão gerado cerca de 6,5 milhões de downloads, garante o gestor.

 

Fundada em 2007 com mais dois sócios – Ricardo Flores e Tiago Ribeiro – com capitais próprios e “algum músculo financeiro adicional” recolhido entre “família e amigos”, a empresa registou em 2012 receitas “próximas de 500 mil euros e prevê para este ano um crescimento entre 10% a 20%”. Estar presente em feiras e eventos internacionais é estratégico para crescer fora de portas.

 

Diogo Horta e Costa reconhece que “a primeira barreira” que a empresa tem de ultrapassar quando diz que é portuguesa “é a da forma como as pessoas olham para [Portugal]”. Ser português “não é propriamente um estigma, mas por vezes gera algum cepticismo”. “Somos bastante competentes, mas não temos tradição.” Por isso é preciso insistir. “[E, por vezes,] praticar uma estratégia de emboscada, com situações caricatas, como pormo-nos à frente das pessoas ou chocar com elas, para darem por nós.”

 

Além dos produtos orientados directamente para o consumo, a Biodroid também desenvolve ebooks e soluções para empresas. Para o BES desenvolveu uma galeria virtual onde é possível visitar, “em 3D, e à escala, as exposições do BES ART e do BES Photo”, e, para a EDP, o jogo CityOn, simulador sobre energias renováveis “usado como ferramenta pedagógica no Técnico”.

 

Brasil está a explodir

A ambição é, sem dúvida, a internacionalização. Hoje, mais de um terço dos downloads de jogos da Biodroid vêm da América do Norte, mas a empresa também destaca a União Europeia e a América Latina. Em particular o Brasil, “que está a explodir, porque só há pouco o Billabong Surf Trip passou a estar disponível na App Store”.

 

Prioritária é também a área da investigação e desenvolvimento, onde a Biodroid tem em curso dois projectos (Life Engine e Energy Wars) financiados pelo QREN, “num total aproximado de um milhão de euros de incentivos”, através dos quais pretende desenvolver “um conjunto de plataformas que mais tarde possam ser utilizadas por todos os membros desta indústria para desenvolver os seus produtos”.

 

 

publico.pt

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