São Vicente : comer um vez por dia , viver com cinco mil escudos por mês

8/11/2013 00:58 - Modificado em 8/11/2013 00:58

pensar-dinheiroCom a denominada “crise económica” a vida das famílias com poucas posses começou a piorar e cada dia têm de apertar mais o cinto. A vida nunca foi um mar de rosas para essas famílias, mas sempre tiveram comida à mesa. Só que agora a comida começa a faltar. Comem uma refeição por dia .E ao meio do mês já não tem comida só desespero e ajuda de “bons cristãos”. O NN inicia uma viajem ao desespero que se apoderou das famílias mindelnses quando o governo mandou apertar o cinto e as famílias sequer têm cinto para socar a fome que entra todos os dia pela porta.

Uma funcionária do ITOM que não quis ser identificada, afirma que “a minha vida está muito difícil, moro com os meus quatro filhos e dois netos pequenos. O meu filho mais velho trabalha no BENTO, dois estudam no Liceu e a outra está desempregada”.Mas como pode trabalhar se tem dois filhos?Perguntamos “É verdade tenho de cuidar deles e da casa”.

A moradora de Fonte Filipe paga uma renda mensal de 5 mil escudos, mas ganha 8 mil escudos, “tenho de pagar renda, luz e água, comida e tudo o que eu e os meus filhos precisamos”. Quando chega o início do ano lectivo o cinto aperta pois “começo a vender os meus panos, cortinas, entre outras coisas, para poder comprar os materiais escolares dos meus filhos”.

“O meu filho ajuda-me mas, mesmo assim,há dias em que comemos somente uma refeição porque não temos possibilidade de comer mais;às vezes, quando saio para o almoço e não há comida, vou para casa dos vizinhos e peço comida porque se tiver fome não consigo trabalhar”. Afirma a entrevistada.

Vanina Ferreira, funcionária da FRESCOMAR,é outra a quem a vida não tem sido fácil e, por sua vez, diz que “ganho pelo menos 10 contos, às vezes menos, outrasvezes mais, tenho seis filhos mas somente dois vivem comigo”.

Será que ela consegue alimentar os filhos? “Quando chega o fim do mês, compro comida para os meus filhos porque ainda são todos pequenos e o resto do dinheiro compro comida para mim e para o meu companheiro, que trabalha como pedreiro quando encontra trabalho”.

Mas já é de prever que a comida não chega até ao final do mês e Vanina afirma que a meio do mês já “não temos comida nem para nós nem para os nossos filhos, mas com a ajuda de vizinhos e familiares vamos levando a vida, às vezes passamos fome, no meu trabalho todos levam café mas eu não levo porque não tenho”.

Como muitos são-vicentinos, a funcionária da FRESCOMAR acrescenta que “moramos numa casa de tambor clandestina na zona da Ribeirinha, porque ainda estamos à espera da legalização do terreno”. Sem perder a esperança, sonha ter casa legalizada e comida sempre na mesa.

Para Jacinto Évora, a vida tem sido melhor que as nossas outras entrevistadas, antes servente de pedreiro, agora condutor de autocarro, tem um filho e mora na zona de Alto Sentina. Ela afirma que “felizmente até agora temos tido sempre comida à mesa, todos os dias, mas com o andar do tempo não sei como iremos sobreviver”. A minha mulher trabalhava como empregada doméstica mas agora os patrões despediram-na alegando falta de dinheiro para pagar”. A vida vai ser mais difícil porque “pagamos renda, mas já começamos a procurar um lugar mais barato”. Com a mulher de Jacinto à procura de um novo emprego, ele não perde a esperança e espera que a vida volte a melhorar.

A vida dos cabo-verdianos está a ficar cada dia mais complicada para os que têm trabalho fixo, imagine-se agora para os que trabalham quando encontram.A solução é apertar o cinto e ir vivendo um dia de cada vez. Felizmente os cabo-verdianos nunca perdem a esperança.

 

  1. seguranca

    se juntarmos 1+1=2 entao o jornalista deveria proteger a identidade das pessoas pois se eu quiser descobrir a identidade da funcionaria da Ito, basta procurar por uma que tenha um filho a trabalhar no Bento, portanto caro jornalista possivelmente esta senhora por sua causa vai ficar se os oito contos…. mais uma para a valeta

  2. Nelson Cardoso

    Parece-me que “apertar o cinto” foi mandado em outros tempos pelo Governo. De acordo com a “notícia” parece até que as dificuldades só existem actualmente e que o Cabo Verde de há pouco tempo era outra coisa. A não ser que agora se tem a oportunidade e liberdade de dar a conhecer a realidade hoje. Sempre houve gente que passa dificuldades imensas em Cabo Verde, infelizmente, e espero um dia todos os cabo-verdianos viverem bem e todos os homens em geral.

  3. Maurino C. B. Delgad

    Podemos melhorar a situação: -Se pusermos espaços à disposição dos artesãos para expor e vender aquilo que produzem. Os espaços da FIC, nos períodos em que não há feiras e o pavilhão da Cooperativa de Costura Simplicidade que qualquer dia fica em ruidas por abandono, não haviam de servir? As ex-Oficina da Companhia Arca Verde? Edifícios escolares abandonados não podiam ser aproveitados? O edifício da ex-Administração pública recuperado, não dava um rico palácio de rendas, bordados e etc,? Um bom espaço onde os carpinteiros artesãos pudessem expor e vender os seus trabalhos, não dava um jeito ao desemprego?

  4. Sinceramente dizer isso mas eu só prevejo mais desemprego e pobreza em São Vicente daqui para o futuro, se governo não tomar medidas drásticas para mudar a situação…porque é triste ver e viver isso, há pessoa que dizem que em SV não há trabalho, outros digam que os jovens é que não querem trabalhar, e para mim estou de acordo com as duas opiniões acrescentando também a minha que é a “exploração” que estão a fazer aqui
    Cabo Verde é visto de bons olhos lá fora e até recebe-mos grandes elogios da nossa progressão, mas aqui dentro é ao contrário… é outra vida, mais batalhadora, mais dura, correr contra o tempo em fim muito mais.
    Temos de mudar esta situação, juntos podemos mudar!
    Para isso é necessário ser solidário com os outros para conseguir chegar a meta

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