ONU alerta para possível guerra civil na Síria

8/06/2012 09:57 - Modificado em 8/06/2012 09:57
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O enviado especial da ONU para a Síria, Kofi Annan, diz que o intensificar da violência no país quase constitui uma guerra civil. Se isso acontecer, “todos os sírios irão perder”. O secretário-geral das Nações Unidas, por seu lado, fala do “perigo de uma guerra civil a larga escala é iminente e real”.

 

Na quinta-feira à tarde, Kofi Annan e Ban Ki-Moon dirigiram-se, à porta fechada, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Tema: o conflito que varre a Síria desde Março de 2011 e que terá feito pelo menos 9000 mortos, de acordo com números da própria ONU.

Kofi Annan disse igualmente que as acções ou intervenções individuais não irão resolver o banho de sangue.

“Se genuinamente nos unirmos em torno de um mesmo processo e falarmos a uma só voz, acredito que é possível evitar o pior e permitir que a Síria emerja desta crise”, disse Annan, instando o Conselho a concordar unanimemente com uma solução para a crise.

O diplomata ganês falou aos jornalistas após o final da sessão do Conselho de Segurança, acompanhado pelo secretário da ONU, Ban Ki-moon, e pelo secretário-geral da Liga árabe, Nabil el-Araby.

“O perigo de uma guerra civil a larga escala é iminente e real, com consequências catastróficas para a Síria e a região”, disse por seu lado Ban Ki-moon. “O regime perdeu a sua legitimidade e toda a humanidade”, lamentou o diplomata.

“Quantas mais vezes é que precisamos de os condenar, e de quantas mais maneiras é que devemos dizer que estamos indignados? Os sírios estão a sofrer”, disse Ban Ki-moon.

 

O massacre de Qubair

O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se um dia depois de terem chegado aos media internacionais relatos de um novo massacre, desta feita em Qubair, onde terão morrido pelo menos 86 pessoas.

A aldeia terá sido alvo de uma ofensiva de tropas do Exército sírio e milícias armadas conhecidas como “Shabiha”. O Governo de Damasco desmentiu a ocorrência de um massacre, contrapondo que o que aconteceu foi “uma acção de terroristas” que mataram nove pessoas. “As notícias de um massacre são completamente falsas”, anunciou a televisão estatal.

Alguns dos cerca de 300 observadores da ONU que estão na Síria tentaram ontem deslocar-se até Qubair mas Ban Ki-moon afirmou que, durante esse processo, foram alvejados pelo Exército sírio e tiveram de bater em retirada.

“Quase todas as pessoas da aldeia foram executadas, muito poucas conseguiram fugir. A maioria foi massacrada à facada, de forma horrível e grotesca”, disse um activista à BBC, a partir de Hama. Um residente da aldeia confirmou que depois dos soldados e mercenários terem abandonado Qubair, descobriu 40 corpos, quase todos de mulheres e crianças, que tinham sido mortas à facada. O cadáver de um bebé estava queimado. Entre as vítimas havia quatro membros da sua família.

O Comité de Coordenação Local da Síria, que congrega uma rede de grupos pró-democracia, sublinhou que o ataque de Qubair foi praticamente uma repetição do massacre de mais de 100 pessoas em Houla, há duas semanas.

Apesar da degradação das condições no terreno, Kofi Annan ainda está confiante que o seu plano de paz possa chegar a bom porto, afirmando que, para isso acontecer, se torna fundamental o apoio dos países vizinhos.

“Não é possível resolver isto se só nos focarmos nos ‘agentes’ internos, precisamos de envolver os ‘agentes’ regionais e internacionais. Eles têm de ser parte da solução. O Irão, como país importante da região, espero que faça parte da solução”, disse Annan.

A Rússia sugeriu durante a reunião do Conselho de Segurança que o Irão poderia ser o membro ideal de um grupo de contacto para a Síria, mas esta sugestão foi prontamente afastada pelos EUA, Reino Unido e França, que acusam o governo de Teerão de armar o exército sírio.

Toda esta situação na Síria tem, de resto, dividido o Conselho de Segurança da ONU, opondo a maioria dos países ocidentais a países como a Rússia e a China, que se opõem veementemente a uma intervenção militar na Síria.

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