Exame de sanidade mental para esclarecer alegadas perturbações mentais

21/10/2013 00:00 - Modificado em 20/10/2013 22:26
| Comentários fechados em Exame de sanidade mental para esclarecer alegadas perturbações mentais

relatorio medicoBonifácio Rocha, de 45 anos, o autor da morte do cidadão marroquino Nouredinne Naciri a bordo do navio de pesca “Príncipe das Marés”, alegou perturbações mentais durante a audiência de interrogatório que determinou a sua condução à Cadeia de São Vicente. Neste sentido, o Tribunal vai requerer um exame de sanidade mental ao Serviço de Saúde Mental para saber se o indivíduo acusado de um crime de homicídio padece de alguma perturbação psíquica.

 

A decisão do juiz, que lhe aplicou prisão preventiva como medida de coacção, deve-se às declarações do ex-cozinheiro do “Príncipe das Marés”, que ao descrever os factos acerca do crime sublinhou que “no momento da ocorrência, por razões psíquicas, estava a ter alucinações: a ver imagens de pessoas a atacarem-me. E, por isso, ao defender-me dessas imagens, agredi uma pessoa sem me aperceber de quem se tratava e em que circunstâncias”.

 

Bonifácio Rocha explicou que só veio a aperceber-se da situação, quando o imobilizaram no convés e foi informado pelos colegas que tinha assassinado um tripulante da embarcação. O cidadão será submetido a uma perícia médica por parte dos serviços de Psiquiatria do Hospital Baptista de Sousa. Por outro lado, os familiares de Bonifácio confirmam que “ele andava muito perturbado” mas que, em Cabo Verde, nunca tinha sido observado por um psiquiatra. Apenas em Dakar, no Senegal, onde viveu, é que tinha passado pelos serviços de Saúde Mental.

 

Medidas de segurança

 

Quanto ao relatório médico dos serviços de Psiquiatria, este vai permitir saber se o arguido padece de perturbações mentais ou não. E, por altura da reavaliação da medida de coacção, prisão preventiva, o Tribunal vai decidir se mantém o homem em prisão preventiva ou se será sujeito a outras medidas de segurança. O que na prática significa que vai continuar na Cadeia da Ribeirinha, visto que em Cabo Verde não existe nenhum centro de internamento para doentes mentais que cometam crimes.

 

A solução que o Tribunal de São Vicente está a adoptar perante casos dessa natureza vai no sentido de aplicar uma medida de segurança, que passará pela condução do indivíduo à cadeia por um período estipulado pelo Juízo Crime, com apoio médico intensivo para recuperar dessa perturbação mental.

 

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.