Putin resiste às tentativas de persuasão europeias para mudar políticas sobre a Síria

6/06/2012 02:08 - Modificado em 6/06/2012 02:08
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As expectativas não podiam estar mais contidas para a cimeira desta segunda-feira entre a Rússia e a União Europeia, e o Presidente russo, Vladimir Putin, confirmou-o resistindo às tentativas de persuasão dos líderes europeus para abraçar uma mais dura posição em relação ao regime sírio. Antes instou a Europa a abandonar “os estereótipos” sobre a Rússia, que diz impedirem “uma verdadeira colaboração”.

 

“Evidentemente, não estamos sempre de acordo”, afirmou Putin, que reencontrou nesta cimeira de São Petersburgo os líderes da União Europeia pela primeira vez desde que, em Março, regressou à presidência da Rússia. “Discutimos as questões internacionais mais importantes: a situação na Síria, no Irão e no Médio Oriente. E quero sublinhar que foi uma reunião frutuosa.”

Dela saiu, segundo o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, “o entendimento de que o plano de pacificação de Kofi Annan [enviado à Síria das Nações Unidas e da Liga Árabe] oferece a melhor hipótese de parar o ciclo de violência, evitar a guerra civil e encontrar uma solução pacífica e duradoura” para o conflito – que se arrasta há quase 15 meses com um balanço de mais de 13 mil mortos.

Os líderes europeus levavam para São Petersburgo a expectativa de convencer Putin a exercer a sua influência junto de Damasco não apenas para que o Presidente sírio, Bashar al-Assad, cumpra os termos do plano de Annan (incluindo a retirada das cidades das suas tropas e tanques e respeito pelo cessar-fogo que deveria ter entrado em vigor a 12 de Abril), mas também aceite uma solução de transição de poder no país.

“Temos que juntar os nossos esforços e passar mensagens comuns”, insistiu Rompuy, na conferência de imprensa partilhada com Putin e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, no Palácio Constantino. Mas à evocação feita de “trabalhar [em conjunto] para um processo de transição política” na Síria, o Presidente russo não mostrou nem a mais ínfima reacção.

Uma intransigência que, aliás, Putin reiterou nas visitas feitas, sexta-feira, a Berlim e a Paris, onde sustentou que não podem ser forçadas “do exterior nenhumas decisões políticas” sobre a Síria, nem tão-pouco dará aval a sanções das Nações Unidas contra o regime de Assad.

O Presidente russo quis antes dar enfoque nesta cimeira às relações entre a Rússia e a União Europeia, defendendo a criação de um novo quadro estratégico de cooperação a longo prazo, marcado por “uma abordagem pragmática e empresarial sem estereótipos ideológicos ou de qualquer outro tipo”.

Para Putin, é essencial que se verifiquem “progressos rápidos” nas negociações para a isenção de vistos entre a Rússia e a União Europeia, cujas relações estão tradicionalmente embrulhadas em diferendos que vão desde as exportações energéticas russas — de que muitos países europeus dependem profundamente — à abertura de mercados e até ao currículo de direitos humanos e democracia apontado como “fraco” pela Europa a Moscovo.

 

 

 

publico.pt

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