Os Crioulos de Cabo Verde – Estatuto Menor ou Morte Lenta

4/11/2013 00:01 - Modificado em 4/11/2013 00:38

fatima_ramos_lopesAs línguas são entidades vivas em permanente evolução. As transformações que vão sofrendo efectuam-se de forma lenta, gradual e inconsciente, envolvendo a lei do menor esforço ou seja a tendência para se reduzir o esforço necessário para a pronúncia de certos fonemas assim como diversos outros fenómenos linguísticos (tais como supressões, substituição de sílabas, etc) perfeitamente naturais e que contribuem para a formação de uma língua a partir de outra.

 

A língua está intimamente ligada à cultura e à história de um povo, reflecte os seus valores, as suas crenças, a sua forma de ser, pensar e estar. É através dela que são transmitidos às gerações seguintes os referidos valores, garantes da continuidade e da perenidade de uma sociedade. Uma criança que aprende a sua língua materna está a aprender e a interiorizar a sua própria cultura. Existe portanto uma forte interacção entre a língua e a cultura, sendo que aquela molda a cultura e vice-versa.

 

Os crioulos definem-se como línguas originadas a partir do contacto entre duas ou mais civilizações, comunidades linguísticas, uma das quais europeia. Incorporam traços de ambas ou das várias línguas envolvidas e constituem-se como língua-mãe de uma determinada comunidade crioula, como é o caso dos crioulos falados em Cabo Verde e noutras áreas do globo onde houve contacto directo de civilizações num mesmo solo. No caso particular do crioulo de Cabo Verde, pode-se afirmar, sem exageros, que o seu conteúdo lexical é composto maioritariamente pelo português, numa proporção superior a 95.0 % ou 99.0%, dependendo da ilha, as restantes percentagens sendo oriundas de línguas africanas (caso dos crioulos de sotavento) ou de outras línguas.

 

A génese dos crioulos decorreu de um longo processo (pelo menos 500 anos), que culminou, modernamente, nas formas actualmente utilizadas no mundo e em Cabo Verde.

 

O crioulo (composto por 9 versões) é a língua materna dos cabo-verdianos, adquirido e formatado no primeiro contacto com a realidade e desde logo tornado instrumento de comunicação no dia-a-dia. Neste artigo, designo como crioulo todas as variantes do mesmo, faladas no arquipélago, porque em cada ilha realidades específicas tanto culturais como psicossomáticas moldam um perfil próprio no falar, com inflexões na semântica, na fonética e na entoação. É nesta lógica que defino crioulo de S. Vicente, de S. Antão, de Santiago, do Fogo, etc, e defendo as suas oficializações.

No caso do crioulo de S. Vicente, este resultou do encontro, da interacção e da miscigenação de vários crioulos falados no arquipélago, resultantes das sucessivas vagas migratórias de populações oriundas das vizinhas ilhas de Sº Antão e de Sº Nicolau, assim como do Fogo e da Brava, não negligenciando, obviamente, a contribuição das outras ilhas, tal como o Sal, Boavista e mesmo Santiago. Acresce a este facto o de que o crioulo de S. Vicente esteve em contacto directo com diferentes línguas estrangeiras. Primeiramente, beneficiou até recentemente de um contacto directo com a ‘língua mãe’, a língua portuguesa, devido à forte presença de contingentes militares e de profissionais liberais portugueses residentes nesta ilha. Por outro lado, a forte presença inglesa desde os primórdios da ocupação da ilha determinou uma influência não negligenciável de vocábulos de origem inglesa no crioulo de S. Vicente. Pode-se assim afirmar que S. Vicente constitui um laboratório linguístico vivo e natural onde o crioulo está em constante evolução mercê das interacções com o mundo. Este forte dinamismo do crioulo desta ilha constitui a sua riqueza.

 

Em Cabo Verde, a questão linguística tornou-se nos últimos anos uma questão central da sociedade cabo-verdiana em processo de consolidação da sua identidade nacional. Este assunto tem sido polémico, pois na prática alguns sectores têm tentado ir mais longe do que era suposto, impondo incorrectamente uma visão centralizada da problemática do crioulo, em torno de uma matriz que predefiniram como pura e genuína, que pretendem dever representar todos os crioulos do arquipélago, e que corresponderia à matriz de Santiago. É assim que quando referem à língua cabo-verdiana subentendem que se trata do crioulo falado nesta ilha, por ser a mais populosa do arquipélago, o que corresponde a um desrespeito pela diversidade do crioulo (composto por 9 versões) falado em Cabo Verde.

 

Uma língua encontra-se em risco quando diminui o seu número de falantes ou quando estes passam a utilizar de forma sistemática uma outra língua deixando de falar a sua, ou seja, são assimilados. Os grupos minoritários são empurrados para uma posição de desvantagem social e cultural, e inconscientemente vão assimilando a cultura e a língua do grupo preponderante. Este comportamento pode constituir, subconscientemente, uma forma de integração no seio do referido grupo, o que poderá corresponder a uma forma de dissolução dos valores e identidade do grupo integrado, acarretando uma perda da identidade cultural e histórica para os seus falantes. É assim que a oficialização de uma língua maioritária no seio de uma comunidade linguisticamente diversa condena implicitamente as línguas minoritárias a um desaparecimento e com ela todo conjunto de valores a elas associados, ou seja, a extinção da própria minoria enquanto comunidade linguística única.

 

Com o 25 de Abril de 1974 e independência em 1974, o(s) crioulo(s) cabo-verdianos ganharam prestígio, afirmação e abrangência, ao serem abandonados os complexos que outrora ensombravam a sua expressão (era politicamente incorrecto antes do 25 de Abril de 1974 exprimir-se em crioulo, em situações formais), ao mesmo tempo que, de uma maneira irrealista, tentou-se relegar o português para um segundo plano. Não é novidade para ninguém que a partir de 1975 alguns sectores da sociedade de então defenderam uma revolução linguística em Cabo Verde com a eliminação pura e simples da língua portuguesa. Esta é uma vã utopia, mas é infelizmente o argumentário político para quem faz do assunto sério e delicado, a oficialização do crioulo, uma bandeira de exclusividade. Este é o problema que assombra o actual debate sobre o crioulo, muito poluído por questões de ordem ideológica, quando as questões técnicas e políticas deveriam tomar, doravante, preponderância.

É impossível falar da oficialização do crioulo e não falar da problemática do português. Uma visão de guerra entre a língua portuguesa e o crioulo está fora do tempo e da época, não interessa a ninguém, e mormente os cabo-verdianos. A defesa da língua portuguesa em Cabo Verde é a defesa do crioulo e a defesa do crioulo é a defesa da língua portuguesa, pois estas línguas devem ser vistas como gémeas e não numa perspectiva maternalista ou paternalista de raiz conflituosa. A propósito desta problemática, o escritor Germano Almeida em tempos afirmou que o Crioulo não estava ameaçado de extinção em Cabo Verde, mas sim a língua portuguesa (1). Esta afirmação deveria preocupar muita gente, nomeadamente os responsáveis políticos, pois a oficialização do crioulo não pode ser vista como uma escapatória à presumível impossibilidade de o cabo-verdiano exprimir-se correctamente na língua portuguesa ou noutras línguas. É preciso saber que a competição internacional do mundo globalizado em que todas as nações e povos vão estar mergulhados, onde vender serviços e produtos se fará ao ritmo da internet, o facto de não se dominar línguas, de não se ter um discurso estruturado, poderá vir a ser penalizante. No séc. XXI, a comunicação escrita e oral será uma ferramenta essencial, tudo tem que ser apresentado em línguas internacionais, inglês em geral, ou alternativamente nas grandes línguas que ligam vastas comunidades linguísticas, o espanhol, o francês, e o português. O debate da oficialização do crioulo deve portanto incluir o debate de como operacionalizar a questão do bilinguismo, uma vez que, tendo em conta os condicionalismos de Cabo Verde, é irrealista ou mesmo utópico encarar prescindir-se da língua portuguesa como ferramenta de comunicação e trabalho. Este é um problema que exige uma reflexão muito ponderada, dada a sua complexidade. Qualquer fuga em frente ou solução voluntarista pode ter consequências irreversíveis e graves. Não se pode alimentar expectativas exageradas ou usar demagogia com um assunto tão delicado e que envolve o futuro do país.

 

O grande enigma que encerra a oficialização/padronização do crioulo em Cabo Verde é, na realidade, a forma como ela vai se processar. A oficialização do crioulo pode ser uma ferramenta útil para revivificar e redinamizar o crioulo, desde que seja reconhecida a existência de crioulos minoritários para que sejam utilizados como veículos de comunicação oral e escrita das diferentes comunidades, e, mais importante ainda, se se conceder espaço para que eles se afirmem nos diversos sectores da sociedade. Ela pode, todavia, transformar-se num instrumento de destruição de identidades, se se optar por uma via abrupta de unificação/fusão artificial dos crioulos, denominada padronização. Ao longo da história, tem-se verificado sistematicamente que as tentativas de extinção de uma ou mais línguas num país são explicadas por razões políticas.

 

A padronização de uma língua corresponde à instituição de um conjunto de regras gramaticais por que se vai reger a utilização da língua. No caso de Cabo Verde, deveria corresponder a instituição de regras comuns e básicas para todas as versões do crioulo. Todavia, muita gente não sabe em que é que consiste a padronização ou tem entendido este processo como a instauração de um crioulo padrão escolhido entre as 9 versões, desconhecendo-se os contornos deste processo, não estando clara a forma como vai ser implementado. Um tal projecto de padronização entendido desta forma acarretaria que, a longo prazo, os crioulos de Cabo Verde fossem forçados a extinguirem-se (seria decretado oficialmente a sua extinção e a escolha e eleição do crioulo padrão?), não por falta de falantes mas por serem coagidos a se suplantarem e/ou a misturarem-se, contribuindo assim, inconscientemente, para a morte lenta da sua identidade cultural e linguística. Temos que ter bem presente que uma língua morre quando morre o seu último falante. Este processo poderá, portanto, acarretar a perda gradual do crioulo falado em cada ilha, pelo facto de passarem a ter menos preponderância como veículos de comunicação escrita e passarem a ter um estatuto inferior como língua e pelo facto de se verem sobrepostas pela língua de um grupo dominante. É um processo que resulta assim na dissolução cultural da ilha, pela imposição de valores culturais alheios à sua própria identidade linguística. Ilhas, com fraca densidade populacional, são ambientes frágeis, que poderão ver o seu panorama linguístico ameaçado. Seria uma perda para a diversidade cabo-verdiana que os santantonentes começassem todos a falar sanvicentino ou que estes começassem todos a falar santiaguense. Assim, a tese oficiosa que pretende a fusão/assimilação das versões do crioulo de sotavento por uma baseada no crioulo de Santiago e a fusão/assimilação das versões barlavento por uma baseada no crioulo de S. Vicente, como preconizado por alguns teóricos, seria a todos os títulos um erro. Uma questão importante é saber como os ‘especialistas’ irão viabilizar e protagonizar esta inédita e utópica experiência linguística de laboratório, levado a cabo em tempo real e à escala do país real, para não falar dos meios e custos políticos e sociais envolvidos.

 

Mas se havia alguma dúvida sobre os verdadeiros propósitos dos mentores da oficialização, elas ficam esclarecidas quando se questiona sobre a ou as versões do crioulo utilizadas actualmente nos meios de comunicação social (rádio, televisão), nos aviões etc, ou ensinadas nos cursos. Outra questão que se coloca é a de saber por que se apresenta internamente e internacionalmente uma versão do crioulo como sendo a única genuína e oficial, votando-se as restantes ao silêncio.

 

Teme-se, portanto, que o fenómeno da oficialização e padronização venha a espoletar situações que ponham em risco a existência ou continuidade da diversidade linguística e cultural de Cabo Verde. Consequentemente, o(s) crioulo(s) cabo-verdiano(s), no sentido da diversidade e riqueza linguística cabo-verdiana, poderão estar condenados, a longo prazo, se as gerações futuras forem restringidas à aprendizagem de um único crioulo.

 

Se a oficialização do crioulo constituiu até agora um assunto pacífico para todos cabo-verdianos na medida em que deveria corresponder, em princípio, à valorização da sua língua materna, ela, todavia, poderá deixar de o ser, se o processo for mal conduzido e se servir para dividir as pessoas e o país.

 

Este cenário pode, à primeira vista, reflectir certo pessimismo, mas a longo prazo é muito susceptível de vir a acontecer, e só muito tarde se aperceberá do erro cometido, quando já não haverá possibilidade de arrepiar caminho.

Neste sentido, se compreendem as preocupações e ansiedades geradas no seio de vários sectores mais esclarecidos da elite cabo-verdiana.

 

Devemos todos estar atentos ao desenrolar do processo de oficialização ou simplesmente parar para reflectir sobre as vias alternativas para não virmos a estar confrontados com factos consumados de consequências incontroláveis.

 

Assim, considero que qualquer oficialização deve salvaguardar e respeitar os estatutos de cada grupo de falantes do crioulo e a sua coexistência em pé de igualdade com os demais, pelo que é indispensável uma fase longa de estudo aprofundado das diferentes versões do crioulo abrindo aos investigadores um enorme campo de estudos, investigação e produção de trabalhos com qualidade científica credenciada. A língua portuguesa poderá ser o refúgio e o amparo contra eventuais tensões regionais, bairrista ou étnicas de origem linguística no pós-oficialização. Por conseguinte, este processo deve ser efectuado no quadro do bilinguismo e não pode implicar de maneira nenhuma a ostracização da língua portuguesa.

No âmbito do que precede, deve-se levar a cabo investimentos na área do estudo e da investigação dos crioulos para que a sua implementação como língua oficial tenha o sucesso desejado e implique a protecção dos crioulos minoritários. É extremamente importante que este processo não seja levado ao rufar dos tambores, politizado, fechado numa visão única e comunitária. Deve-se recentrar o debate, torná-lo abrangente, participativo, democrático e levado a cabo em cada ilha. Todas as implicações devem ser estudadas, analisando os prós e os contras de cada decisão. A oficialização deve abranger todas os crioulos, ilha por ilha, sem discriminação alguma.

Urge pois:

– Valorizar todos os crioulos como línguas e que isto fique bem definido na constituição de Cabo Verde;

– Ter em consideração que negligenciar os crioulos considerados minoritários é colocá-los em risco de desaparecimento;

-Promover o acesso igual e indiscriminado de todos os crioulos aos principais meios de comunicação;

– Promover o uso de todas as versões do crioulo sempre que ocorrer a necessidade;

– Divulgar ou apresentar ao mundo todas as versões do crioulo;

– Fazer tudo para que se respeite a herança linguística de cada comunidade ou ilha, e tomar medidas por forma a assegurar que a sua língua seja transmitida às gerações futuras, evitando o risco de ela desaparecer; em cada ilha deve ser ensinado e estudado o crioulo que nela se fala;

– Fazer um estudo exaustivo e documentado de todos os crioulos cabo-verdianos e produzir material escrito e de apoio a todos, nomeadamente material didáctico;

– Fazer uma avaliação dos crioulos em risco, nomeadamente monitorizar a sua progressão em termos de número de falantes e grau de utilização, documentação escrita e registo, e incentivar a sua escrita e aprendizagem para evitar que desapareçam;

-Inventariar e registar os contos, lendas e tradições de cada ilha;

-Produzir dicionários, gramáticas ou outros meios didácticos que simultaneamente contemplem os diversos crioulos falados em Cabo Verde;

 

Considerando por fim que é impossível isolar Cabo Verde do Mundo e da Comunidade Lusófona, e que a língua portuguesa é uma herança do país, considero que é imprescindível:

– Preservar o actual estatuto da língua portuguesa e melhorar o seu ensino;

– Generalizar o bilinguismo em Cabo Verde e adoptar medidas para que todos os cabo-verdianos expressem correntemente em português e que dominem o inglês e eventualmente o francês/espanhol.

 

Convinha deixar claro que embora seja favorável à instauração do bilinguismo em Cabo Verde, mesmo assim continuo céptica em relação à eventual adopção num futuro próximo do crioulo no sistema educativo cabo-verdiano, não somente devido às dificuldades que um processo feito a pressa enferma e enfrentaria, mas também pela falta de transparência e diálogo sobre o mesmo, já viciado por alguma deriva etnicista, inspirando portanto alguma desconfiança e apreensão. Também porque duvido da sua viabilidade actual tendo em conta os constrangimentos do país, dos custos/benefícios desta estratégia, quando se perspectiva a inserção do país na comunidade Lusófona e no Mundo.

 

 

(1) http://expresso.sapo.pt/lingua-portugues-deve-ser-ensinado-em-cabo-verde-como-lingua-estrangeira-defende-germano-de-almeida=f573370.

 

Fátima Ramos Lopes

Licenciada em Ciência da Educação pela Universidade Winconsin (EUA)

 

  1. Daniel

    Sempre fui da opinião que existem crioulos ou pelos menos versões muito diferentes do crioulo de base portuguesa e não um único, indivisível e sagrado crioulo. Mas os iluminados linguistas da era do M. Veiga, cheios de ideais sobre a identidade caboverdeana, querem nos fazer acreditar que se trata de variações inconsequentes da sua versão de língua mãe, o crioulo de Santiago. Por isso são da opinião de que devemos todos calar e aceitar o fato consumado do crioulo de Santiago ser a única lingua.

  2. Humberto Lopes

    O artigo é excelente e pertinente pelo que felicito a Dra. Fátima Ramos Lopes.
    Que me perdoem os moderadores do site porque o meu coment vai passar dos 500.

    Convém refrescar a memória daqueles que pensam que o assunto seja pouco relevante, para terem presente algumas peripécias sobre aprovação do ALUPEC, porque há pessoas que não dormem à sombra da bananeira e vão fazer de tudo para nos passarem a perna mais uma vez. Senão vejamos:
    • O Alfabeto Unificado para a Escrita da Língua Caboverdiana, ALUPEC é um sistema de escrita que se entendeu dotar a língua Caboverdiana, criado nos finais da década de oitenta, salvo o erro.
    Desde essa altura os defensores do ALUPEC têm sido incansáveis em tentar convencer aos cabo-verdianos e aos sucessivos Governos do MPD e PAICV, dessa última maravilha da escrita.
    • A 31 de Dezembro de 1998, durante a vigência do Governo do MPD, foi conseguida a aprovação PROVISÓRIA do ALUPEC em conselho de Ministros, subscrita pelos Dr. Carlos Veiga, António Gualberto do Rosário e pelo Arq. António Jorge Delgado e, ficou estabelecido um período experimental de 5 anos, findo o qual e ouvidas a Comissão Consultiva para a Língua Cabo-Verdiana e demais entidades ligadas à problemática da escrita da mesma, procederia o Governo a uma avaliação final do impacto do uso do ALUPEC e adoptaria as medidas que se mostrassem convenientes.
    • Passados 5 anos, em 2003, já no governo do PAICV, os defensores do ALUPEC voltam à carga insistindo na aprovação do alfabeto.
    Nessa altura no decurso do lançamento do livro sobre o Bilinguismo Caboverdiano, foi empreendida uma digressão por todo o Cabo Verde com o intuito de socializar a nova que o ALUPEC iria ser irremediavelmente e DEFINITIVAMENTE aprovado, no Conselho de Ministros seguinte, a realizar-se na capital, o que felizmente não se verificou…
    • Nos anos seguintes instalou-se uma trégua porque o Governo tinha dossiers mais urgentes com que se preocupar (eleições, obras de infraestruturação, graduação de Cabo Verde a país de desenvolvimento médio, introdução de melhorias na economia, etc.) e também porque os dinamizadores desta ideia por razões várias encontravam-se ausentes do País.
    • No ano de 2005 proposta da aprovação do ALUPEC encontrava-se contemplada no programa das comemorações dos 30 anos da Independência de Cabo Verde mas em boa hora o Governo recusou a levar a questão do ALUPEC a risca porque sempre esteve consciente do quanto esta questão poderia ser arriscada.
    • Posteriormente não se sabe o que moveu os decisores políticos, se o objectivo era continuar a ganhar eleições ou de se evitar ter pesos na consciência devido a fragilidades fisiológicas ou emocionais, o certo é em 2009, o Decreto-Lei nº 8/2009 acabou por instituir o Alfabeto CaboVerdiano (ALUPEC), aprovado em regime experimental pelo Decreto-Lei nº 67/78 como Alfabeto-Caboverdiano.

  3. Eduardo Oliveira

    Cara Compatriota: – O conteùdo do artigo demonstra que foi escrito por especialista na matéria e não por qualquer economista sedento de protagonismo. Obrigado é tudo quanto lhe posso dizer acrescentrando Muitas Felicidades.
    Ao conterrâneo Filipe Brito digo que nem vale a pena falar de coisas indesejàveis. Ê so dizer Foge do diabo

  4. Luis santos

    Temos aqui uma excelente reflexão sobre o crioulo saída da pena de uma mindelense a Fatinha do Sr Nena, filha de boa gente, ques gente antigue que tava orgulhá soncent.
    Mais um artigo sobre a polémica do crioulo. A Fatinha quase tocou o dedos em todas as feridas deste processo que é mais outro acto de imposiça

  5. M. Odette Pinheiro

    Palmas para um artigo equilibrado, impregnado de bom-senso e que reflecte a realidade e o sentimento da massa sofrida que assiste muda e queda à tentativa de imposição de uma variante do crioulo a todos nós. Às vezes, ao ouvir a nossa TV fico a pensar quanto é que os santantonenses lá do interior percebem quando ouvem o spot “Diareia é fáxi di privni”, e todos os outros anúncios que são invariavelmente feitos num certo crioulo. Ou aquele programa que tinha por título “Timente sol ta dixi”!

  6. M. Odette Pinheiro

    (continuação)
    Que insensibilidade! Lembro-me de quando, adolescente, tive os primeiros contactos com os crioulos de sotavento, e não percebia patavina. E vejo que o fito, hoje, é que ao sermos todos bombardeados sempre com o mesmo crioulo, esse se vá impondo como a língua materna de todos nós! E que crioulo vai ser ensinado nas escolas? Aceitarão que um professor de Santo Antão ensine o seu crioulo no Fogo ou Santiago? Ou só o inverso será verdadeiro? Novo tipo de colonização?

  7. alberto tavares

    Voltei hoje para ver os comentàrios e fico admirado que o Marsianu não tenha encontrado argumentos para encher-nos o saco.
    Aqui é que se pode dizer “contra factos não hà argumentos” frase muito utilizada pelo economista/linguista,

  8. Vera Leal

    Onde é que param os fanáticos Alupekistas este revolucionários do sec. XXI pagos pelo orçamento de Cabo Verde que querem badiuzar Cabo Verde e criar a maior confusão cultural e linguística e um país novo. Esta senhora veio cá exprimir livremente e abertamente uma opinião, mas sem papas na língua nem medo de ninguém. Mas eu digo uma coisa sem Regionalização e um poder forte no Barlavento que faça frente às investidas badias a nossa terrinha e os nossos crioulos estão condenados pois eles não desistem de dominar e subjugar tudo e todos.

  9. Calcanhar de Aquiles

    Já que aqui se abordou a a questão linguística, se a região do Barlavento vai ser obrigada a falar o crioulo badiu que não é a língua que nela se fala isto significa uma dupla violência sobre esta região, pois se todas as ilhas já falam um tipo de crioulo e vão ser forçados a aprender mais um – o badiu – a conclusão que se tira é que a aprendizagem do português se fará a partir do badiu o que é claramente uma desvantagem. Isto é mais uma forma de poder e dominação, a sobreposição de uma língua sobre as outras. Já agora relembro que os “alupequistas” acham que o ensino do português deve-se fazêr a partir da língua materna. Mas o badiu não é língua materna do barlavento, não é falada nem em casa nem na rua. Então em que ficamos?

  10. julio santos

    ESTE BRILHANTE E ESCLARECEDOR TEXTO DEVE SER ENVIADO Á DIRECÇÃO DA TCV , Á RÁDIO NACIONAL , AO MANUEL VEIGA E AO MARCIANO NETO DE PADRE !

  11. Julio Goto

    …ja e tempo de fazermos um PETICAO ao Sr.P.R Jorge C.Fonceca. Espero que nenhum presidente aceitara a inconstationalidade da constitucao da republica.
    Principio de igualdade na constitucao da republica nao permite que ninguem sja previlegiado… etc.etc….
    A imposicao do BADIU com lingua oficial os oriundos de Sao Tiago serao os previlegiados.
    Manuel Veiga tinha dito que iria averiguar o caso; talvez teve o conhecimento Ma ele fca suzud moda pedra

  12. francisco pereira

    Sim ,sonvicente oqué bsot ta reclama,ka é bsot que sistematicamente ta poss na poder na praia,pas faze tudo desmando e ness tentaiva de desmantela ess pais ,que tjud casta de,palhaçada …De ves em quanto um ta ovi bsot representante de PAICV,na Maindelo,quel moço Graça ,um ta dze quel rapaz ka tem juizo ,pa tudo asneira que bsot tem passot desd tempo de independencia em 75 ,ainda bsot ta continua estupidament ta apoia PAICV,pa da cabo de bsot terra ainda bsot ta relcama de o quê???? não entendo.

  13. francisco pereira

    Bem um tava ta fala de PIACV,mas o mesmo se aplica aou MPD,Éóutro que apesar de não estar no poder,é quas mesma coisa que PAICV,Um cambada de pseudo burocratas,que nem sess pais ta ta conche como é p’ossivel ,bo geri,digo governar um pais que bo ta mostra profundament desconhecimento.e tb falta d sentido de estado,espia ilha do Sal,o que esses dois partido tem feito que nos querida ilha,…simples,nessterra ka tem alternativa de governção,nem PAICV,nem MPD,Como dizia Onésimo silveira são siamese.

  14. francisco pereira

    Bem,falando do assunto criolo, em questão,acho que o articulista,é de uma sensiblidade assombrosa e consegue de forma cientifica e bem connhecedora do assunto e do pais em questão realçar os anseios de todo sem,perda para nenhuma das partes ,como alguns querem.este é um(a) criolo/criola consciente,e não esses fundamentalistas que temos por ai puluindo…que estão plantando vento ,mas um dia vão ter a sua colheita…

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