Ataques dos EUA com aviões não tripulados matam número dois da Al-Qaeda

6/06/2012 02:06 - Modificado em 6/06/2012 02:06
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O actual número dois da Al-Qaeda foi morto num ataque com um avião não tripulado (drone) na região paquistanesa do Waziristão, junto à fronteira com o Afeganistão. A informação foi confirmada por um alto funcionário norte-americano, citado pela BBC, depois de horas de especulações sobre o destino de Abu Yahya al-Libi.

 

A ser verdade, a morte de Al-Libi representa “um enorme golpe na estrutura da Al-Qaeda”, disse à BBC o mesmo alto funcionário.

Washington acredita que Abu Yahya al-Libi, um líder religioso líbio licenciado em Química, subiu na hierarquia da rede terrorista após a morte de Osama bin Laden, em Maio do ano passado, chegando a número dois de Ayman al-Zawahiri.

Para além de Al-Libi, pelo menos 28 outras pessoas morreram na mais recente série de ataques com drones na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão – quatro no sábado, dez no domingo e 15 na segunda-feira.

Em resposta aos últimos ataques no noroeste do Paquistão, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país chamou o representante dos EUA, Richard Hoagland, para lhe transmitir que Islamabad considera esta acção militar “ilegal, contrária à lei internacional e uma violação da soberania do Paquistão”.

As autoridades paquistanesas não confirmam a morte de Abu Yahya al-Libi no ataque de segunda-feira, mas um membro dos serviços secretos do país, ouvido pelo Guardian, relatou uma conversa interceptada em que “militantes” falavam sobre “a morte de um xeque”. “Não disseram nomes, mas nós confirmámos com as nossas fontes na região e acreditamos que se trata de Al-Libi”, cita o Guardian. Apesar destas informações, o jornal avança que um comandante militar no Waziristão do Norte nega que o número dois da Al-Qaeda tenha sido morto. “Os americanos estão a sofrer pesadas baixas no Afeganistão, por isso têm feito falsas alegações”, cita o jornal.

Os ataques com drones têm-se multiplicado nas últimas semanas, depois de Islamabad não ter cedido às pretensões das autoridades norte-americanas de verem reaberta a fronteira às forças da NATO. Para voltar a permitir o acesso ao Afeganistão, o Paquistão exige um pedido de desculpas de Washington por um ataque da NATO no final do ano passado, que matou 24 militares paquistaneses.

Os ataques com drones atingiram o ponto mais alto há dois anos, mas nas últimas semanas, após o falhanço das negociações entre Washington e Islamabad, registaram-se pelo menos oito ataques.

Na semana passada, numa entrevista à estação de televisão ABC, o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, deixou bem claro que a tensão entre as autoridades norte-americanas e paquistanesas é cada vez mais notória: “Esta é uma das relações diplomáticas mais complicadas que alguma vez tivemos”, afirmou o responsável.

No final do mês passado, o jornal New York Times revelou que a Administração Obama tem uma lista secreta de “inimigos a abater” com recurso a drones e que é o próprio Presidente quem autoriza os ataques. “Obama assumiu o controlo de um processo altamente secreto de ‘nomeações’ para matar ou capturar terroristas, em cujo processo a parte da captura tem-se tornado numa questão teórica”, lê-se no artigo.

 

 

publico.pt

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