Oposição síria perde terreno para grupos extremistas no Norte do país

13/10/2013 23:06 - Modificado em 13/10/2013 23:06
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guerra-siriaConfrontos em Alepo já fizeram 50 mortos.

 

Os grupos jihadistas associados à Al-Qaeda estão a reforçar a sua presença na região de Alepo, onde se assiste a uma escalada de violência.

 

Três dias de confrontos entre os rebeldes islamistas e as forças do Exército Livre da Síria, que se opõe ao Presidente Bashar al-Assad, fizeram mais de 50 mortos, e permitiram às tropas leais ao regime recuperar posições no Norte do país.

 

De acordo com a AFP, uma batalha entre os combatentes extremistas do Estado Islâmico do Iraque e Levante (EIIL), um grupo que teve origem na Al-Qaeda iraquiana, e um batalhão do Exército Livre da Síria, a coligação anti-Assad que conta com o apoio dos países árabes e ocidentais, tomou conta da cidade de Alepo desde a passada quinta-feira.

 

“Pelo menos 30 homens do Exército Livre e 14 militantes do EIIL morreram nos combates, e este número não é definitivo”, informou o director do Observatório Sírio para os Direitos do Homem, Abdel Rahman, a partir de informações recolhidas em hospitais.

 

Mas além de Alepo, a principal metrópole do Norte da Síria e que ainda escapa ao controlo do regime, foram reportados confrontos entre islamistas e opositores de Assad nas localidades de Inzarat, Boustane al-bacha e Massaken Hanano,o que indica que as forças da oposição poderão estar a perder terreno para os grupos da jihad.

 

O Exército de Assad tem tentado aproveitar a dispersão dos esforços dos rebeldes para consolidar posições e fazer avanços no terreno, a partir da capital Damasco.

 

Segundo a agência francesa, as tropas nacionais reconquistaram ontem a vila de Sfiré, que fica na rota dos inspectores internacionais encarregados de desmantelar o arsenal químico do regime, e que já era controlada pelos islamistas.

 

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, os inspectores incluíram umas instalações militares perto de Sfiré no seu itinerário, e para facilitar o acesso ao local a aviação síria bombardeou intensamente a vila. O ataque foi precedido pelo êxodo da população, com medo de que os armazéns militares – onde se suspeita podere haver material químico, mas também uma grande quantidade de armas convencionais – fossem destruídos pelas bombas.

 

Os homens da EIIL e de outros grupos jihadistas também já conseguiram penetrar na capital Damasco, que desde 2012 vive dividida em bairros pró-regime e bairros de oposição – que estão agora debaixo de fogo. Os dirigentes da oposição têm vindo a denunciar uma “apropriação da revolução” pelos extremistas estrangeiros, e o Exército Livre tem vindo a desviar os seus recursos para fazer frente à expansão dos islamistas.

 

Funcionários da Cruz Vermelha desaparecidos

 

Um porta-voz da cruz Vermelha Internacional alertou para o desaparecimento de seus funcionários do comité internacional da organização e de um membro da Cruz Vermelha da Síria, que tinham sido destacados para o Norte do país.

 

Segundo o porta-voz da Cruz Vermelha, os seus funcionários presumivelmente foram raptados quando regressavam daprovíncia de Idleb para a capital Damasco.

 

 

Principal grupo da oposição rejeita participar na Genebra 2

 

Entretanto, na frente diplomática, as divisões entre o movimento de oposição ao Presidente Bashar al-Assad ameaçam mais uma vez a realização de uma conferência internacional sobre a Síria (chamada de Genebra 2), marcada para Novembro, na Suíça.

 

O chefe do Conselho Nacional Sírio (CNS), que é o grupo mais importante da oposição, informou que atendendo aos desenvolvimentos no terreno decidiu não participar na conferência de paz em Genebra, e acrescentou que o seu movimento se afastará da coligação anti-Assad se as restantes forças se fizerem representar no encontro.

 

“Se a coligação decidir participar, estamos fora”, declarou o líder do CNS, George Sabra, que disse que a campanha do regime contra a população civil impedia a negociação. “Os habitantes de Moadamiyat al-Cham estão a morrer de fome, a região de Ghoutta vive debaixo de um cerco que impede até a distribuição de pão, e querem-nos convencer que são capazes de discutir uma transição democrática na Síria?”, perguntou.

 

 

publico.pt

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