Prémio Sakharov entregue a Malala

10/10/2013 10:09 - Modificado em 10/10/2013 10:09
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MalalaEdward Snowden e um grupo de dissidentes políticos bielorrussos eram os outros nomeados para o prémio atribuído pelo Parlamento Europeu.

 

Malala Yousafzaï, a adolescente paquistanesa baleada na cabeça pelos taliban pela sua campanha em defesa do direito à educação das raparigas, venceu a edição de 2013 do Prémio Sakharov.

 

A escolha de Malala, de 16 anos, foi unânime entre os presidentes dos grupos parlamentares.

 

“O Parlamento Europeu saúda a força incrível desta jovem mulher”, declarou o presidente Martin Schulz, através de um comunicado, citado pela AFP. “Malala defendeu com coragem o direito de todos os jovens à educação”, um “direito muitas vezes negado às raparigas” em todo o mundo, acrescentou. O presidente do PE recordou ainda “que cerca de 250 milhões de raparigas no mundo não podem ir livremente à escola”, acrescentando que “o exemplo de Malala relembra-nos do dever e da responsabilidade de garantir o direito à educação das crianças. Este é o melhor investimento no futuro”.

 

“Hoje, decidimos dizer ao mundo que a nossa esperança por um futuro melhor está em jovens como Malala Yousafzaï”, disse o líder do Partido Popular Europeu (PPE, o maior grupo político do parlamento), Joseph Daul.

 

Também o líder dos Socialistas e Democratas (S&D, o segundo grupo), Hannes Swoboda, sublinhou que Malala é “uma jovem que arrisca a vida por valores e princípios em que ela, e nós, acreditamos: igualdade entre homens e mulheres e o direito à educação para todos”.

 

Malala está também nomeada para o Prémio Nobel da Paz, anunciado esta sexta-feira, prémio que a própria não se considera merecedora, dizendo precisar ainda de trabalhar muito.

 

A paquistanesa tornou-se um símbolo da luta pelo acesso universal à educação, desde que se recusou a seguir a sharia (lei islâmica), imposta pelos taliban no Vale do Swat, onde morava. Segundo a lei islâmica, as mulheres não podem frequentar a escola. A insistência de Malala em continuar a sua educação, à medida em que ia dando a conhecer ao mundo a sua luta através de um diário que mantinha para a BBC Urdu, fizeram da jovem um foco de rebelião que precisava de ser contido pelos fundamentalistas islâmicos, que a acusavam de veicular “propaganda ocidental”.

 

Há um ano, um grupo de taliban lançou um ataque à aldeia paquistanesa de Mingora, no Vale de Swat, na fronteira com o Afeganistão, que tinha como objectivo assassinar a jovem. Dois homens armados entraram no autocarro escolar em que seguia a jovem e perguntam por ela. Malala levanta-se e diz quem é, e é alvejada de imediato na cabeça. Entre a vida e a morte, é levada para um hospital em Birmingham, Reino Unido. Ao fim de seis dias, Malala acorda, tal como acorda o mundo para a sua história.

 

Esta semana foi publicada uma autobiografia da jovem, “I am Malala Yousafzaï”, traduzida em cinco línguas.

 

Malala, discursando na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, apelou ao acesso à educação para todas as crianças. “Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação primeiro”, destacou a jovem, que usava um xaile que pertenceu a Benazir Bhutto, a primeira-ministra paquistanesa assassinada em 2007.

 

Em Abril, a activista inaugurou um fundo que visa garantir o acesso das jovens paquistanesas à educação. “Anunciar a primeira doação do Fundo Malala é o momento mais feliz da minha vida”, disse a jovem, na altura. “Permitam-nos que passemos da educação de 40 para 40 milhões de meninas.”

 

Malala vive em Inglaterra desde o ataque, mas pretende voltar ao Paquistão e dedicar-se à política e à defesa dos direitos das mulheres. No entanto, as ameaças dos fundamentalistas islâmicos continuam a ensombrar a vida de Malala, não se prevendo, para já, um regresso ao país natal.

 

O Prémio Sakharov para a liberdade de pensamento, no valor de 50 mil euros, foi atribuído, em 2012, ao cineasta Jafar Panahi e à advogada e ativista Nasrin Sotoudeh, ambos iranianos.

 

Nelson Mandela e o dissidente soviético Anatoli Marchenko (a título póstumo) foram os primeiros galardoados, em 1988.

 

Em 1999, o prémio Sakharov foi entregue a Xanana Gusmão (Timor-Leste) e, em 2001, a Zacarias Kamwenho (Angola).

 

Este galardão tem como objectivo premiar os defensores dos direitos do Homem e dos valores democráticos.

 

A cerimónia oficial de entrega do prémio está marcada para 20 de Novembro, em Estrasburgo. A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, galardoada em 1990 quando se encontrava na prisão, vai receber o prémio dois dias

 

 

publico.pt

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