Mais de dez dias sem ganhar um tostão

19/06/2012 01:56 - Modificado em 19/06/2012 02:32

Praça de camiões da Torada, Mindelo, é o ponto de encontro de camionistas e de ajudantes de camiões na procura do seu dia de trabalho. O problema que esses grupos colocam é o “dia de trabalho “que não aparece. Dias e dias passam sem que pelo menos um frete para animar essas pessoas. Esses dois grupos trabalham em conjunto e quando aparece um frete os ajudantes aproveitam logo para tirar o seu dia.

 

Merculino, ajudante, conta que já tem mais de onze dias que não consegue ganhar um tostão “porque não tem trabalho”. Na mesma situação e realizando o mesmo serviço, Augusto Lima, junta-se a lista de pessoas que há muito não conseguem tirar um dia de trabalho “As coisas estão difíceis para todos, chegamos aqui e sentamos durante o dia inteiro”, retracta Augusto com muita tristeza. Este ajudante que é o único que trabalha na sua família.

Os camionistas também têm tido muitos problemas com a falta de trabalho. Mas a falta de trabalho na retrospectiva destes profissionais tem vindo a aumentar de dia para dia e apontam os motivos para que a profissão esteja cada vez mais difícil.

Luís dos Reis relembra os tempos passados que conseguiam ter fretes.E aponta a entrada de empresas de construção que ao instalarem-se no país trouxeram seus camiões e por isso os serviços oferecidos pelos camionistas locais deixaram de ser necessários. A maior parte dos serviços prestados pelos camiões são relacionados com a construção civil. E as empresas de construção civil não dão muita chance para estes ganharem algo.

Joaquim Soares, camionista, fala inclusive num futuro muito negro para os camionistas tanto pela falta de espaço já que empresas organizadas estão fazendo os serviços que estes prestavam. Acrescenta a lista de problemas, o preço dos combustíveis que não param de subir . “Você coloca mil escudos de gasoléo , cerca de sete litros, e o dinheiro que você ganha não dá para fazer nada”.

Por isso os camionistas esperam que seja dada uma atenção especial a classe. Joaquim espera mesmo que sejam tomadas medidas para que todos possam trabalhar. Sugere inclusive que seja proibida a entrada de camiões por parte das empresas de construção para que estes possam prestar serviços e assim “dar chance para que todos possam ganhar”. Estas queixas são para mostrar que“todos tem que ganhar para poder sustentar as famílias e por isso esperam que sejam criadas condições de trabalho para tal”.

 

  1. S Vicente

    Estão a decorrer as campanhas autarquicas, o momento não seria mais propício para questionar os Partidos políticos o que podem fazer junto do Poder Central, para conjuntamente resolverem ou amenizar o problema desses chefes de família e de muitos outros que não têm como levar a panela ao lume.

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