Smartphones começam a estragar o negócio das máquinas fotográficas

2/10/2013 09:56 - Modificado em 2/10/2013 09:56
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smarphoneÉ cedo para saber se as câmaras dos telemóveis vão devorar o mercado dos equipamentos tradicionais, mas o risco existe.

As máquinas de fotografia digitais acabaram com o velho rolo de filme e os equipamentos que deles dependiam. Será que, agora, as câmaras digitais vão ser devoradas pelos smartphones, equipados com lentes de registo de imagem cada vez mais eficientes? É cedo para uma resposta definitiva, mas o certo é que o aparecimento dos iPhones, dos Galaxy e outros semelhantes estão a afectar o negócio de gigantes como a Canon e a Nikon e colocaram os executivos destas empresas a perder umas horas de sono a pensar no que fazer no futuro.

 

Não será por acaso que a japonesa Canon já perdeu 18% em bolsa este ano e quase 30% face ao máximo que as suas acções atingiram, a 1 de Maio de 2007. O cenário é mais negro para a Nikon. Também nipónica, a empresa viu diluir-se em bolsa 44% do valor que tinha no arranque deste ano e 53% face ao seu recorde histórico, atingido a 1 de Setembro também de 2007.

 

Ora, também não foi por acaso que os títulos destas duas empresas, que controlam em conjunto mais de 80% do mercado das câmaras fotográficas digitais, iniciaram um ciclo descendente em 2007. É que foi nesse ano que Steve Jobs apresentou ao mundo o primeiro iPhone, justamente equipado com um dispositivo de captação de imagens que ficava ainda longe da capacidade de uma máquina tradicional, mas apresentava já um desempenho simpático.

 

Até aí, os velhos telefones móveis já incorporavam câmaras fotográficas, mas, no geral, de fraca qualidade. Actualmente, com o mercado a orientar-se, de forma irreversível, para a lógica dos telefones inteligentes, a aposta em câmaras de elevado desempenho passou a ser uma prioridade da indústria como forma de captar mais clientes e diferenciar-se da concorrência para a bater.

 

Mais de 70% dos telefones em uso estão equipados com câmaras fotográficas. E, nos tempos mais recentes, assistiu-se a uma verdadeira batalha para saber quem apresenta o nível mais elevado de megapixels no seu equipamento. O mais recente iPhone, o 5S, tem um sensor de 8 megapixels, mas o Galaxy 4, da Samsung, tem 13, o mais recente Xperia, da Sony, 20,7 e o Nokia Lumia, lançado em Julho passado, dispara para uma câmara com uns inacreditáveis 41 megapixels.

 

É claro que não é apenas a quantidade de megapixels que serve para aferir a qualidade de um equipamento de captação de imagem. E, por isso, antecipar desde já a morte da indústria seria pouco avisado. Continua a haver um largo mercado de utilizadores que não abdicam da sua máquina fotográfica, mesmo tendo também um telemóvel ou um outro dispositivo com câmara.

 

A revista MarketWatch assinalava, este semana, que as câmaras dos smartphones continuam a apresentar “limitações artísticas” e citava conversas com utilizadores que consideravam que a velocidade de disparo é pequena e que a falta de um zoom não é despicienda.

 

Mesmo assim, prevê-se que este ano as entregas de novas máquinas fotográficas caia cerca de 30%, para um total de 69 milhões de unidades, segundo cálculos efectuados pelos analistas do sector do Morgan Stanley Securities. Isto, apesar de as empresas estarem a tentar adicionar novos dispositivos nos seus aparelhos.

 

O problema é que não conseguem responder ao desempenho multiplataforma que é um dos trunfos dos smartphones e mesmo dos tablets e que permite que um utilizador tire uma fotografia ou realize um vídeo e, no momento seguinte, possa colocá-lo no Facebook, enviá-lo por mail ou publicá-la no seu blogue – mesmo que a qualidade não seja a melhor.

 

Por isso, “a indústria das câmaras fotográficas tem de procurar uma nova alavanca de crescimento”, defendeu esta semana Hirosuke Takayama, analista da Nikko Securities, em declarações à agência Bloomberg. E o caminho pode ser uma aposta mais forte nos equipamentos médicos que utilizam dispositivos fabricados pela indústria.

 

Curiosamente, assinalava esta semana a Bloomberg, muitas das empresas que geram marcas mundialmente conhecidas na área da fotografia deram os seus primeiros passos no mundo dos negócios precisamente na área do dispositivo médico e científico. A Olympus começou a sua vida empresarial em 1919 a produzir microscópios e termómetros. A Konika Minolta, que também já deu cartas no mercado, virou-se para os equipamentos de escritório.

 

Mas enquanto as novas apostas não se afirmam como segmentos sólidos de negócios, muitas marcas estão a começar a reduzir os preços das suas máquinas fotográficas, num movimento que poderá fazer uma primeira escolha entre quem se aguenta e quem tem de procurar outros caminhos. “Será muito difícil para os pequenos operadores manterem-se no sector, à medida que a competição entre os dois gigantes, a Canon e a Nikon, se intensificar”, afirmou Hirosuke Takayama.

 

 

publico.pt

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