Profissão de risco

25/09/2013 00:00 - Modificado em 24/09/2013 22:33

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA segurança nos estaleiros da ex-Onave, em São Vicente, é uma situação que há muito preocupa as pessoas que trabalham como vigilantes nas embarcações que aportam no espaço para reparações. A questão da segurança ganhou novos contornos na medida que o medo passou a ser figura de destaque com a falta de iluminação e os roubos de materiais nas embarcações.

 

Este online apurou que há indivíduos que se deslocam ao local para convívio ou para recolher sucatas e que analisam as fragilidades das embarcações e, à noite, regressam para atacar os vigilantes e roubar os acessórios. É que a falta de iluminação nos estaleiros da ex-Onave transformou-se num inimigo para os vigilantes e os gatunos vêem o escuro como um ambiente propício.

 

Os vigilantes das embarcações afirmam que estão expostos aos perigos que rondam a área e que a insegurança reina no seio da classe. Devido à estrutura do estaleiro, este ganhou o nome de labirinto da morte. Porque tornou-se num espaço propício para os criminosos. Por agora, o medo apodera-se dos vigilantes que evitam fazer patrulhas fora das embarcações, para não caírem nas mãos dos gatunos.

 

De acordo com um grupo de vigilantes com quem o NN conversou e que pedem o anonimato, “no local trabalham vários indivíduos à volta da reparação de embarcações que aportam nos estaleiros. Mas também há cidadãos que entram no espaço à procura de ferro velho para venderem aos indivíduos que exportam esses materiais para o continente africano”.

 

O retrato dos estaleiros da ex-Onave restringe-se a um espaço com embarcações em reparação, alguns botes abandonados, ferro velho e árvores. Segundo os entrevistados, o assassinato do cidadão, Jose Pelaez de 69 anos, perpetrado por dois jovens quando este reparava o seu iate na ex-Onave, no mês de Maio de 2012, e ainda, os frequentes assaltos às embarcações, aliados à falta de iluminação no estaleiro trazem à tona a questão da segurança no espaço. Neste sentido, sublinham que carregam o medo no dia-a-dia de trabalho, pois não sabem a que horas podem ser alvo de um ataque.

 

“Todas as noites colocamos as nossas vidas nas mãos de Deus. O sossego neste trabalho só chega ao nascer do sol, porque durante a noite o perigo de morte ronda-nos. O espaço é um labirinto onde temos que nos abrigar numa área segura para evitar um ataque dos gatunos. Muitas vezes, procuram roubar objectos dos barcos, bem como materiais para vender à sucata” asseguram os vigilantes.

 

Para estes cidadãos, o medo de cair nãos mãos de quem entra no espaço para assaltar as embarcações, faz com que se abriguem no interior dos barcos. Dizem que no passado faziam patrulhas à volta das embarcações aportadas no estaleiro. Mas hoje, a falta de iluminação compromete o sistema de segurança do estaleiro e são obrigados a entrar no serviço, antes do pôr-do-sol.

 

“Quando chegamos ao trabalho passamos a pente fino as embarcações para garantir que não haja nenhum estranho no interior. À noite evitamos circular no estaleiro, a não ser que tenhamos um cão ou quando há embarcações de pesca em reparação e com faróis acesos. É a nossa vida que está em jogo, mas temos que trabalhar para ganhar dinheiro e sustentar as nossas famílias”.

 

  1. JC

    A MELHOR DEFESA É O ATAQUE. PELOS VISTOS, A PN NADA FAZ. NADA MELHOR DO PROCURAR APANHAR UNS QUANTOS MELIANTES, QUE CIRCULAM NO LOCAL SEM QUALQUER TIPO DE AUTORIZAÇÃO, E DAR-LHES UM CORRETIVO EXEMPLAR. JUSTIÇA POPULAR É PRECISA NESTES CASOS. ETA AÍ, CABO VERDE NO SEU MELHOR…

  2. Jorge

    Mas quem é responsável pela Ex-Onave? Porque que o Noticias do Norte não contactou os responsáveis para saber qual a posição e porque o espaço encontra-se no estado que está? Sr.Jornalista vamos fazer o trabalho de casa, como deve ser, vamos sair um pouco da secretária e colocar o corpo em movimento.

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