Vítimas de violência: esfaqueada ao tentar recuperar um medalhão de ouro

4/06/2012 00:43 - Modificado em 4/06/2012 00:44

Júlia Rocha, de 21 anos foi vítima de um caçubodi que a deixou com um trauma para sempre. Tinha, então, 19 anos quando por volta das 14 horas foi surpreendida por um rapaz. Rocha ia para a escola, quando o caçubodista passou por ela e retirou-lhe uma medalha em ouro do pescoço. Na tentativa de recuperar o objecto, Júlia foi empurrada e agredida com uma faca.

 

O NN continua a descida ao inferno das vítimas de violência na cidade do Mindelo. Júlia Rocha tinha 19 anos quando foi assaltada a caminho da escola por um caçubodista. Segundo Rocha “ tudo aconteceu no dia 22 de Outubro 2010 por volta das 14 horas a caminho da minha escola. Seguia para mais um dia de aulas, porém quando passava por Alto Miramar fui surpreendida por um rapaz”.

Mas Júlia retrocede no tempo para explicar em que circunstância sucedeu o ataque. A jovem, moradora em Ribeirinha explica que todos os dias fazia o percurso entre a sua zona e a Escola Académica. Como de costume Rocha passava nas traseiras do Restaurante Sodade e percorria a zona de Alto Miramar para chegar ao Fonte Meio.

Porém nessa sexta-feira as coisas não correram bem para Júlia, quando ela circulava na rua que dá acesso a praça José Lopes, em Alto Miramar. Foi nessa área que o caçubodista a iludiu. Pois, por se tratar de um indivíduo com boa aparência, a vítima deixou de lado qualquer hipótese de caçubodi.

Rocha suspende a respiração e lembra “ mas, na verdade as aparências traíram-me, porque ele prosseguiu normalmente e quando estávamos um ao lado do outro puxou-me uma medalha em ouro que trazia ao pescoço. Esse objecto tinha grande valor sentimental para mim, porque foi oferecido pela minha mãe, horas antes de ela falecer. Por isso fui atrás do rapaz para recuperar essa medalha, foi então que ele empurrou-me e caí no chão.

Não satisfeito o caçubodista retirou uma faca que trazia a cintura e feriu-lhe no antebraço esquerdo. A jovem foi socorrida por um residente que a conduziu ao Hospital Batista de Sousa. Júlia fracturou o braço direito, foi suturada com 18 pontos no antebraço e teve que ficar quinze dias internada no HBS. Mas, as consequências podiam ser piores, se o golpe de faca tivesse lhe atingido uma zona vital do corpo.

 

Trauma

Rocha prossegue a sua narrativa, pois as pessoas têm que conhecer o sofrimento das vítimas de violência na cidade do Mindelo. Têm que saber que não são apenas um número na estatística policial. Mas acima de tudo muita dor e sofrimento. E prossegue com o relato “ a forma de agir desse sujeito deixou-me abalada. A situação provocou-me uma depressão e sempre que o episódio vinha-me a cabeça tinha pesadelos”.

Júlia Rocha diz que custou-lhe sair a rua sozinha, porque tinha medo de encontrar o agressor. Bem como o percurso para a escola passou a ser feito de autocarro. A vítima afirma que depois da recuperação foi apresentar queixa na Polícia Nacional. Através da Brigada Investigação Criminal, ela reconheceu o indivíduo e a BIC conseguiu recuperar a medalha que já estava na posse de um sujeito da costa africana.

 

Vida actual

Hoje com 21 anos, Júlia sabe que os caçubodistas não têm hora para atacar as pessoas em São Vicente. Assegura que já anda sozinha na rua, mas sempre com um olhar de desconfiança. Já que as lembranças daquele dia violento continuam na sua memória.

Por ora diz que apenas quis recuperar a medalha porque é uma recordação que tem da sua mãe. Por fim Rocha acrescenta que o sossego regressou em Dezembro de 2011, quando soube que o agressor foi condenado a cinco de anos de prisão, no âmbito de crimes praticados contra pessoas.

 

  1. Joaquim ALMEIDA

    E na verdade duas situaçoes a seportar ou seja ; a primeira é ter sido vitima de um assalto , nao tendo condiçoes fisicas para se defender , a segunda é o estado de espirito , um treumatismo que invade a vitima , neste caso esta jovem e que vai ficar por muito tempo no seru espirito , nao a deixando viver normalmente como qualquer jovem da sua idade . E simplesmente lamentàvel, a nossa terra ter chegado a esse ponto !!.. Até quando isso vai durar ? Um Criol na Frânça ,; Morgadinho !..

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