Grande vitória para CDU de Merkel na Alemanha

23/09/2013 00:03 - Modificado em 23/09/2013 00:08
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German Chancellor and Christian Democratic Union CDU chancellor candidate Angela Merkel (C) holds flowers while being applauded by Christian social union CSU parliamentary group leader Gerda Hasselfeldt (L) and CDU General secretary Hermann Groehe after the first exit polls results were released at the CDU headquarters in Berlin, on September 22,  2013, the day of the German general elections. AFP PHOTO / JOHANNES EISELEPartido de Angela Merkel com 42%, segundo sondagens à boca das urnas. Há dúvidas se o FPD, para já com 4,7%, entra no Parlamento. ARD projecta mesmo possível maioria absoluta, inédito na política alemã das últimas décadas

 

Os democratas-cristãos de Angela Merkel foram o partido mais voltado das legislativas alemãs deste domingo, segundo as sondagens à boca das urnas e resultados preliminares, está taco a taco com o conjunto da oposição e chegou a ser projectada uma maioria absoluta, que não acontece na Alemanha desde 1957 (Konrad Adenauer).

 

Com cerca de 42%, mais do que as sondagens vinham a prever – na sede do partido em Berlim, a casa quase vinha abaixo com aplausos quando foram conhecias as primeiras projecções. Os resultados preliminares dão espaço para muitas incertezas – maioria absoluta, grande coligação, tudo depende também do resultado dos liberais.

 

O FDP, parceiro de coligação de Merkel, não parece conseguir passar a barreira dos 5%. Terão, ainda segundo esta sondagem à boca das urnas, 4,7% dos votos – a confirmar-se o resultado, ficarão fora do Parlamento, não sendo possível assim participarem numa coligação de Governo.

 

Os sociais-democratas terão obtido 26%. O partido de esquerda Die Linke 8,5% e os Verdes 8% – segundo aplauso da noite, porque tornava impossível a coligação “natural” SPD-Verdes. Mas o maior aplauso veio ainda a seguir com os 4,9% do partido antieuro Alternativa para a Alemanha (AfD), que se não chegar aos 5%, não entra no Parlamento.

 

Uma longa noite

 

Mas com resultados tão próximos dos limites, em especial no caso dos liberais e AfD, os media alemães estão a prever uma longa noite.

 

Nas eleições de 2009, a CDU obteve 33,8% (subiu portanto cerca de 8%) e os liberais 14,6% (descida de cerca de 10%). Os sociais-democratas tinham tido o seu pior resultado, 23%, em 2009, Die Linke tinha tido 11,9% e Verdes 10,7%.

 

Já segundo as projecções da ZDF, a CDU terá 301 deputados num Parlamento de 606 – é incrível porque quase chega a maioria absoluta (o Parlamento alemão tem sempre um número variável de deputados, porque tem um sistema misto de dois votos, um directamente em candidatos de círculos eleitorais e outro no partido, e quando há mais candidatos eleitos directamente do que a percentagem de um partido, ficam assim com os chamados Überhangmandate, mandatos a mais – mas como este sistema beneficiava os grandes partidos, este ano há os Ausgleichmante, que pretendem equilibrar os outros). A ARD projectou entretanto mesmo uma maioria absoluta para a CDU – 303 deputados em 599, mas a mais recente previsão era de 298 deputados num parlamento de 598 para a CDU e 300 para SPD, Verdes e Die Linke.

 

“Angie! Angie!”

 

Angela Merkel não demorou a vir cumprimentar os seus apoiantes e congratular-se com o “super resultado”. Recebida com gritos entusiastas “Angie! Angie!”, agradeceu a todos – e em especial ao marido, que estava ao lado do palco, e olhou pouco à vontade para as câmaras que se viraram para si (foi uma raríssima aparição do marido de Merkel num evento político).

 

Ainda é cedo para falar de coligações, disse a chanceler. A sala continua num ambiente eufórico, há jovens a saltar e a cantar, saboreando a vitória eleitoral como se estivessem num jogo de futebol. Com ou sem maioria absoluta, este é já o melhor resultado para a CDU desde as eleições de 1990, as primeiras depois da reunificação.

 

Uma das particularidades do sistema político alemão é que devido ao limite de 5%, a percentagem para uma maioria absoluta é a relação entre os diferentes partidos que ultrapassam esta percentagem e entram no Parlamento. Assim, a CDU tem cerca de 42%, e a oposição 42,5% – uma diferença não muito grande, que se fosse em sentido sentido contrário poderia mesmo o partido de Merkel a ter uma maioria absoluta, uma hipótese quase incrível já que não acontece na Alemanha há mais de 50 anos.

 

A participação nas eleições deste domingo foi de 72,3%, mais do que em 2009, quando tinha caído para um mínimo de 70%.

 

 

 

publico.pt

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