Prostitutas brasileiras perseguidas na ditadura militar querem indemnização

23/09/2013 00:01 - Modificado em 22/09/2013 20:06
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prostituiçãoAs profissionais do sexo pedem ainda uma limpeza do cadastro polícial pelos crimes que foram acusadas.

 

As prostitutas brasileiras vão pedir um indemnização ao Estado pela perseguição e repressão de que foram vítimas durante a ditadura militar no país (1964-1985).

 

Segundo revela o jornal O Globo, algumas profissionais do sexo vão reevindicar junto da Comissão de Amnistia o direito a uma indminização e uma limpeza do cadastro polícial das penas que sofreram.

 

O primeiro caso a dar entrada será o do travesti Safira Bengell, que, na altura trabalhava num cabaret no Rio de Janeiro.

 

“Afectaram a minha integridade. Fui presa várias vezes e me jogavam água gelada somente pelo facto de eu me vestir de mulher. Quando estávamos na cela, muitas se cortavam com giletes para serem soltas depois de irem para o hospital serem medicadas”, conta Bengell a O Globo.

 

Bengell diz ainda ao diário brasileiro que as detidas tinham de “fazer sexo” com o carcereiros e os polícias “para receber um pouco de água”.

 

Segundo O Globo, a acção dos militares contra as prostitutas foi contínua nos anos da ditadura militar, os chamados anos de chumbo”. A repressão sobre as prostitutas era exercida não só por militares, mas por agentes outros sectores, como a polícia civil, que aplicava o “termo de vadiagem” para prendê-las.

 

Ainda de acordo com o jornal brasileiro, os pedidos de indminização e amnistia não serão fáceis de conseguir, mas para a vice-presiente da Associação Pernambucana de Profissionais do Sexo, Sueli Bellato, a situação é semelhante à dos indígenas, sem abrigo e outros grupos perseguidos pela ditadura militar.

 

“O imprescindível para a Comissão de Anistia é o reconhecimento da perseguição política. Os indígenas que foram arrancados de suas terras por causa dos projectos de ampliação de rodovias e construção de barragens são vítimas do regime militar e tiveram prejuízos culturais e econômicos? Sim, mas são perseguidos políticos? Provavelmente, não”, disse Sueli ao O Globo.

 

 

 

publico.pt

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