Presidente sérvio demite-se para se reforçar nas eleições de 6 de Maio

5/04/2012 15:48 - Modificado em 5/04/2012 15:48
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Há dias que a imprensa sérvia especulava sobre uma eventual demissão do Presidente sérvio, Boris Tadic, a um mês das eleições legislativas e locais. O objectivo seria forçar para a mesma data, 6 de Maio, também um sufrágio presidencial antecipado. Ontem, essa suspeita foi confirmada pelo próprio chefe de Estado, numa táctica que visa reforçar o seu Partido Democrático.

A mais de nove meses de terminar o corrente mandato, Tadic avançou que vai recandidatar-se à Presidência — para um terceiro mandato. As eleições “constituem a ocasião para os cidadãos escolherem a voz que desejam fazer ouvir”, sublinhou. “Eu sou a voz da integração europeia e da preservação da integridade [territorial]”, frisou, alertando ser “crucial” que legislativas e presidenciais aconteçam no mesmo dia, para evitar que as reformas, visando a futura integração na União Europeia, “descarrilem”.

“A Sérvia tem pela frente reformas rigorosas, e estas reformas têm de ser feitas por instituições fortalecidas. Por isso, acho que o mais conveniente é termos eleições a todos os níveis. Tomei esta decisão com sentido de responsabilidade política”, argumentou.

A apresentação formal da demissão será feita hoje ao presidente do Parlamento sérvio, ao qual cabe confirmar se as eleições presidenciais se realizam no mesmo dia das legislativas e locais. Não se espera uma decisão contrária ao desejo do chefe de Estado.

Tadic, que goza de imensa popularidade, pretende capitalizar junto do eleitorado a atribuição à Sérvia pela União Europeia, a 1 de Março, do estatuto de país candidato à adesão. Quer ganhar impulso não apenas para a sua recondução, mas também para reforçar o Partido Democrático no Parlamento e assembleias regionais. Actualmente, o seu partido está em perda face ao Partido Progressista Sérvio (SNS), cujo programa conservador e populista tem ganho junto de um eleitorado decepcionado com o estado da economia e da corrupção no país.

As mais recentes sondagens põem o Partido Democrata em segundo lugar nas intenções de voto para as legislativas, com 29,1%, atrás dos 33,2% atribuídos ao SNS. Tomislav Nikolic, o líder do SNS, que abandonou o bloco ultranacionalista há quatro anos e abraçou a integração europeia, já revelou que vai também candidatar-se às presidenciais e voltar a desafiar Tadic, numa repetição das anteriores eleições, de 2004 e de 2008 (estas perdeu-as apenas por uma escassa margem).

O Governo dos democratas de Tadic ganhou impulso com a atribuição do estatuto de candidato à UE. Mas, mais de uma década desde a queda do regime de Slobodan Milosevic, a Sérvia continua a enfrentar dificuldades para manter o crescimento económico e refrear o elevado desemprego, agravadas com os efeitos da crise da dívida na zona euro, pois são estes países os seus principais e tradicionais parceiros comerciais e investidores.


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