Vendedeiras em busca do sustento para os filhos

11/09/2013 00:07 - Modificado em 10/09/2013 23:41
| Comentários fechados em Vendedeiras em busca do sustento para os filhos

vendedeirasAs vendedeiras ambulantes à porta das escolas e dos liceus tornaram-se num elemento marcante no início do ano lectivo. Após as férias escolares, os estudantes regressam à escola e as mulheres, chefes de família, também regressam em busca de um sustento para os filhos.

 

Para estas mulheres é à porta da escola que encontram os clientes habituais, pois nas suas zonas este tipo de negócio não rende nada devido à concorrência… E parece que as cantinas das escolas já não se preocupam com a concorrência.

 

Porque quem manda é o bolso e o gosto dos estudantes e muitos preferem comprar nos balaios à entrada do recinto escolar devido aos preços dos produtos. E cada vendedeira puxa a brasa para a sua sardinha tentando conquistar os clientes

 

Negócio

 

Em quase todas as escolas e liceus da ilha de São Vicente nota-se a presença das vendedeiras de guloseimas, frutas e outros géneros alimentícios. Esta prática faz parte do ambiente escolar, onde mulheres ligadas ao comércio de doçarias montam as suas barracas para vender os seus produtos.

 

Para Neusa Santos o seu ganha-pão sempre foi conquistado à porta das escolas, pois ela não conseguia render o seu negócio colocando os seus produtos à disposição dos vizinhos. Por isso, decidiu buscar o sustento para a família à porta de uma escola primária.

 

Neusa afirma que “montei a minha venda em casa, só que não tinha retorno suficiente para colmatar as despesas. A minha filha aconselhou-me a vender à porta da sua escola. Decidi avançar e observei que, de facto, a actividade rende mais agora, porque clientes não faltam em busca de sumos, pastéis, sorvetes, rissóis, guloseimas ou bolachas. Ganhei a confiança dos estudantes e hoje ganho dinheiro que dá para sustentar os meus filhos”.

 

Sustento

 

Este online sabe que estas vendedeiras chegam às portas das escolas cerca de trinta minutos antes do toque de entrada dos alunos. A essa hora o comércio começa a dar os seus frutos, pois há casos de crianças e adolescentes que compram lanches antes de entrarem na escola.

 

Maria Conceição leva oito anos a vender lanches à porta de uma escola secundária. Maria frisa que nunca encontrou um lugar melhor para vender os seus produtos. E que travou uma luta quando o gerente da cantina daquela escola tentou expulsá-la da entrada. Ela afirma que “durante esses anos consegui sustentar os meus filhos graças à minha vivenda colocada à frente desta escola. Hoje tenho clientes fixos que até fazem encomendas para levar para casa”.

 

Vida nova

 

Por sua vez, Elisiane Monteiro Maria vai cumprir a sua quarta temporada a vender às portas das escolas. E diz que nos últimos anos vive uma vida nova, depois de passar por momentos difíceis em 2011 quando recebeu uma carta para retirar o seu negócio da porta de um estabelecimento de ensino.

 

“Éramos um grupo de vendedeiras, pelo que nos quiseram expulsar pois afirmavam que a nossa vivenda prejudicava o movimento da cantina. Porém, achamos que cada um devia usar as armas que tem para convencer os clientes. Recusámo-nos ir embora e com a ajuda dos estudantes que protestaram contra essa situação, deixaram-nos ficar após obtermos uma licença na CMSV”.

 

Estas vendedeiras que labutam à entrada das escolas primárias e dos liceus dependem dos bolsos dos estudantes. Mas afirmam que não se arrependem, pois à porta dessas instituições ganham mais dinheiro. No entanto, o maior problema para elas é o tempo das férias escolares, pois nessa altura não vendem quase nada.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.