Obama está a ouvir os aliados que pedem o regresso à ONU na questão síria

9/09/2013 01:00 - Modificado em 9/09/2013 01:00
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siria alvos militaresO Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está a ouvir os aliados europeus que lhe pedem o regresso da questão síria – e da anunciada intervenção militar contra Bashar al-Assad – às Nações Unidas. “O Presidente, e todos nós, estamos a ouvir com muita atenção as declarações do Presidente Hollande quanto à ONU. Mas o Presidente ainda não tomou uma decisão”, disse este domingo o secretário de Estado americano, John Kerry, em Paris.

 

Obama não tem muito mais tempo para decidir o próximo passo. Anunciou que na terça-feira fará uma declaração aos americanos (e ao mundo) sobre a intervenção militar na Sìria, que defendeu junto dos países do G20 na cimeira de São Petersburgo, na Rússia, na semana passada. Se houve uma conclusão dessa cimeira, dominada pela guerra neste país do Médio Oriente, é que tem apoio político mas não apoio efectivo nessa acção militar.

 

François Hollande foi um dos chefes de Estado que deu a Obama esse apoio político. Depois de assinar uma declaração que exige uma “resposta firme” contra o uso de armas químicas na Síria – os ocidentais dizem ter provas de que foram as tropas de Assad que as usaram num ataque no fim de Agosto que fez muitas centenas de mortos nos arredores de Damasco -, Hollande comprometeu-se de que não alinhará numa intervenção ao lado dos EUA antes de os peritos das Nações Unidas divulgarem o relatório das inspecções em Damasco.

 

Mais, o Presidente francês defendeu que essas provas devem ser apresentadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas e que a intervenção militar deve ter alvos definidos para se evitar uma tragédia com civis.

 

Vladimir Putin, o Presidente russo, defendeu uma linha de actuação parecida – diverge de Hollande quando não acredita que Assad tenha usado armas químicas, exigiu a apresentação de provas “incontestáveis”.

 

Este domingo, Obama continuava em Washington o esforço para recolher apoios para a sua intervenção militar. O Senado deve pronunciar-se, em breve, sobre a intervenção militar e o Presidente dos EUA mostou aos senadores vídeos de vítimas do ataque com armas químicas.

 

Kerry, por seu lado, esteve em Paris onde reuniu com representantes de países árabes (Arábia Saudita, Egipto, Qatar e Emirados Árabes Unidos). “Concordámos todos – e não houve uma voz dissonante – de que o deplorável uso de armas químicas por parte de Assad, que matou centenas de inocentes… foi o cruzar de uma linha vermelha estabelecida”, disse o americano. Os vídeos que Obama mostrou aos senadores e aos congressistas, disse Kerry, deixam claro que a América não pode ignorar o que se está a passar na Síria.

 

John Kerry reuniu ainda com o embaixador dos EUA em Paris, Charles Rivkin, e o enviado especial para as negociações de paz entre Israel e a Palestina, Martin Indyk. Foi um encontro informal, no parque parisiense das Tulherias, e Kerry disse que a possível intervenção na Síria não impedirá o progresso do processo de paz.

 

A entrevista de Assad

Obama e Kerry desdobravam-se em manobras diplomáticas, e Assad também. Numa entrevista à estação de televisão americana CBS – que ao longo deste domingo emitiu bocados dela, estando a emissão completa marcada para segunda-feira -, o Presidente sírio disse não ser responsável pelo ataque com armas químicas de 21 de Agosto.

 

Charlie Rose, o jornalista que entrevistou Assad em Damasco, considerou que a declaração mais importante feita por Assad sublinha que não há provas sobre quem realizou tal ataque.

 

Assad, refere a AFP, diz não saber ao certo se a intervenção aérea se vai concretizar e explica ter aceitado a entrevista para passar uma mensagem aos americanos: nunca tiveram boas experiências quando se envolveram em guerras no Médio Oriente.

 

A CBS entrevistou o secretário da Casa Branca, Denis McDonough, a quem perguntou pelas provas de que foi Assad o responsável pelo ataque com armas químicas. Depois de chamar “misógeno” a Assad, McDonough disse que os senadores e congressistas “viram os vídeos” mostrando as crianças e os adultos mortos por agentes químicos.

 

 

publico.pt

 

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