Obama choca a Polónia ao referir-se aos “campos da morte polacos”

1/06/2012 04:27 - Modificado em 1/06/2012 04:27
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Não é uma gaffe inédita, mas dita por Barack Obama causou uma forte indignação. O Presidente norte-americano referiu-se aos “campos da morte polacos” e o primeiro-ministro da Polónia pediu uma explicação.

 

Obama estava a discursar na terça-feira, durante uma cerimónia de homenagem a Jan Karski, um antigo oficial polaco que forneceu ao Ocidente os primeiros testemunhos sobre a política de extermínio nazi, quando fez referência a “um campo da morte polaco”. Para a Polónia, referir desta forma os campos de extermínio instalados no seu território, quando este estava ocupado pela Alemanha nazi, é uma grave distorção da história, e as reacções não se fizeram esperar.

“Quando alguém diz ‘campos da morte da Polónia’ é como se não houvesse nazis, nem responsabilidade da Alemanha, nem Hitler, e é por isso que a nossa sensibilidade polaca nestas situações é muito mais do que um simples sentimento de orgulho nacional”, disse o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk. Sem exigir de Obama um pedido de desculpas, Tusk deixou claro que as palavras do Presidente norte-americano “feriram todos os polacos” e pediu uma explicação.

Um porta-voz de Obama, Tommy Vietor, disse que o Presidente “se expressou mal”, mas Tusk pediu uma reacção pessoal. “Estou convencido que os nossos amigos americanos vão reagir de forma mais forte do que uma simples rectificação e um pedido de desculpas do porta-voz da Casa Branca; espero uma reacção susceptível de eliminar de uma vez por todas este tipo de erros”, afirmou.

O Presidente polaco, Bronislaw Komorowski, anunciou que enviou uma carta a Obama e disse estar “convencido de que as palavras injustas e dolorosas sobre o ‘campo polaco’ não reflectem as intenções nem as opiniões dos nossos amigos americanos”. E a comunidade de judeus polacos disse também esperar que Obama “rectifique as suas palavras pessoalmente”.

O chefe da diplomacia polaca, Radoslaw Sikorski, lamentou, numa mensagem colocada no Twitter, que “a ignorância e a incompetência tenham ensombrado uma cerimónia solene”. Obama estava a homenagear Jan Karski, que denunciou as atrocidades cometidas contra judeus pelo regime nazi e mais tarde se tornou professor de História na Georgetown University, tendo morrido em Washington em 2000, com 86 anos de idade.

Entre 1939 e 1945, os alemães mataram perto de seis milhões de polacos, incluindo três milhões de judeus. E na Polónia ocupada, Hitler instalou vários campos de concentração e de extermínio, incluindo o de Auschwitz-Birkenau, onde mais de um milhão de pessoas foram mortas, incluindo 300 mil judeus polacos.

Apesar de estes factos serem mais do que conhecidos e dolorosos para os polacos, a “gaffe” que Obama cometeu continua a ser bastante comum. O Ministério dos Negócios Estrangeiros polaco disse em comunicado que já interveio cerca de 200 vezes ao longo dos últimos dois anos para rectificar este erro. Em consequência, jornais como o Wall Street Journal, o New York Times ou a agência Associated Press inscreveram no seu livro de estilo que não se pode escrever “campos polacos” mas sim “campos da Alemanha nazi na Polónia ocupada”.

 

 

publico.pt

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