À procura dos “três por dia” pintores e carpinteiros viram vendedores de peixe

3/09/2013 02:38 - Modificado em 3/09/2013 02:38

desempregoPintores, pedreiros e carpinteiros no desemprego virarão vendedores ambulantes de peixe. Procuram sobreviver ao desemprego a miséria que lhes bate a porta.São histórias de gente de olhar vazio sobre o que será o amanhã. De cara pensativa e olhar para o horizonte só vêem a vida repleta de incertezas. Vivendo na esperança de uma vida melhor.

 

O NN ao efectuar uma ronda pelas periferias de São Vicente constatou que a profissão de vendedor de peixe ambulante que era sobejamente considerada como uma tarefa para as mulheres, passou a ser executada por homens. De acordo com os nossos entrevistados, mesmo aqueles com uma profissão, arregaçaram as mangas naquilo que surgiu para não morrerem de fome.

 

António Mariano, pintor de profissão, confessa que para não deixar que a sua família passasse fome resolveu pegar no seu carrinho de mão e percorrer as ruas da morada para vender peixe.

 

“Eu sou pintor há 20 anos, trabalhei durante alguns anos em obras na Praia, Boavista e Sal. Depois, com o escassear do emprego, regressei para São Vicente. E então, para não passar fome peguei no meu carrinho e resolvi vender o meu peixe. Eu e a minha esposa somos seropositivos e, devido ao preconceito, não conseguimos ter um trabalho decente“.

 

Mariano é um dos exemplos dos muitos são-vicentinos que para escapar à fome, resolvem trabalhar debaixo de um sol abrasador em pleno Verão e percorrer quase todas as ruas da cidade em busca de um ganha-pão.

 

E de acordo com o mesmo, há dias em que não consegue tirar o seu sustento diário já que o valor do pescado não compensa e é caro.

 

“Às vezes, eu não consigo vender o peixe e nem vender nas ruas por ser caro e também por causa dos fiscais da Câmara Municipal”.

 

Davidson do Rosário, também é vendedor de peixe ambulante e também explica ao NN que não encontrou outra alternativa na vida. Eu vendo peixe desde os quinze anos. Em tempo de muito peixe vendo muito e tenho um bom rendimento que chega a ultrapassar os 2000 escudos/dia. E em tempo de defeso da cavala que é o que costumo vender, ganho diariamente 700 a 800 escudos”.

 

Carlos do Rosário é pescador e revela que quando não consegue vender no pelourinho, resolve vender peixe pelas ruas da morada”. Eu faço o trabalho de carpintaria mas como não há trabalho não vou morrer de fome“.

 

João Varela também é pescador mas quando não há lucro resolve pegar nos dois baldes e percorrer as periferias de São Vicente. “Em época de Verão vendo peixe pelas zonas fora da cidade. Tenho seis filhos e então tenho de ganhar algum dinheiro para ter os meus três por dia”.

 

  1. João Monteiro

    Esses senhores já são vendedores ambulantes ou virarão vendedores, assim como vocês escreveram na notícia?
    De qualquer forma, não há motivos para drama. Trocar de profissão não é tão complicado como querem fazer entender. A capital do país tem muito mais gente do que S. Vicente, incomparável, entretanto há menos desemprego, porque na Praia, há muito tempo que se aprendeu que não vivemos na era do emprego e sim na era do trabalho. Na Praia tudo se vende, tudo se compra e tudo se troca!

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