S. Vicente: Como uma carta endereçada à CMSV em 2006 não perdeu actualidade

1/06/2012 03:55 - Modificado em 1/06/2012 03:55

Introdução: Esta é uma carta datada de 2006, que foi endereçada à CMSV, onde denunciava alguns problemas gritantes que já estavam a avolumar-se na ilha e em que pedia um melhor empenho na sua resolução. Passados 6 anos esses problemas agudizaram-se e o destino da ilha é o que se conhece. Muitos desses problemas poderiam há muito ter sido resolvidos pela própria CMSV. Todavia o clima de sufoco engendrado pelo Poder Central desde 1974 e a ausência de Políticas Económicas, Urbanas, Culturais e Socias para S. Vicente, não são alheios à situação passada e actual da ilha. O resultado está á vista. Quem adivinharia que a casas do Dr. Adriano D Silva, do poeta Sérgio Frusoni e tantos outros patrimónios desta bela mas sofrida cidade cabo-verdiana, que muitos dizem entregue a gente inexperiente ou inculta, fossem desrespeitados e demolidos. Quem imaginaria o destino que teve o Eden Park, o Fortim, o Tribunal e tanto património espalhado pela cidade. Quem imaginaria há 40 anos o estado de Insegurança em que se atingiria na ilha, para não falar de Cabo Verde. Quem imaginaria o lento deslize sem fim à vista, desta ilha, ao longo deste plano inclinado rumo à decadência. Uma coisa é certa esta ilha em 1974 tinha todas as potencialidades para ser uma grande polo, senão o motor político, económico, social e intelectual de cabo Verde. ‘Mataram’ sobre todos os pontos de vista S. Vicente, e hoje é uma ilha apagada, onde não acontece quase nada. Existem responsáveis para este estado de coisas, que já foram inumerados em vários artigos publicados. É por estas e outras razões que um grupo de cidadãos juntou-se em 2011 num Movimento para a Regionalização e lançou um debate sobre a Regionalização mostrando a urgência de dotar a ilha de um Poder Regional forte e autónomo. Exortaram para a urgência de dotar Cabo Verde de uma verdadeira Regionalização. Tendo em conta a sua actualidade e a oportunidade (Eleições Autárquicas) resolvi publicar a carta.

 

Durante a minha estadia na ilha, que ocorreu de 20/7/2006 a 26/8/2006, tive a ocasião de observar diferentes aspectos relacionados com o desenvolvimento urbano e social da ilha, pelo que gostaria de contribuir à melhoria dos problemas.

Um dos primeiros aspectos que observei, está relacionado com o urbanismo e o património histórico da cidade. Constatei que o centro da cidade vem sofrendo transformações que podem pôr em causa o estilo arquitectónico que a caracterizava. Por exemplo casas de estilo colonial que constituíam ex-libris da cidade vêm sendo trocadas por edifícios incaracterísticos de vários pisos. Neste momento existem vários edifícios antigos carecendo de manutenção e/ou reconstrução, e que podem bem ser transformados em centros de utilidade pública ou cultural. Podem destacar-se o Fortim, a casa do Dr. Adriano, assim como outros edifícios de domínio privado. Assim, sendo urgente a preservação do centro histórico da cidade, é preciso criar legislação e mecanismos que permitam a preservação do património.

A periferia da cidade parece ter crescido a um ritmo desenfreado, com planos urbanísticos desadequados às suas características, e um mosaico de casas de estilo e formas variadas. O património paisagístico está sendo posto em causa com a ocupação de todos os morros da cidade e o aparecimento de prédios que se estendem tanto em altura como em largura, destacando-se assim do resto das habitações circundantes. Questiona-se também a sustentabilidade da urbanização da Baía das Gatas, área que deveria ter sido protegida, por constituir um património natural e paisagístico. Destinada inicialmente a pequenas construções, foi transformada numa autêntica vila, apinhada com 2as residências de luxo de pessoas mais abastadas do Mindelo.

Um fenómeno que era inexistente na cidade é o das vendas ambulantes que contribui para dar uma má imagem. Hoje em dia vende-se por todo o lado, ocupam-se os passeios, assediam-se os cidadãos e verificam-se práticas pouco civilizadas (trata-se peixe em plena via pública, churrascaria ao ar livre nas ruas etc).

O embelezamento da cidade é outro aspecto que contribui grandemente para a sua valorização, incluindo a manutenção de passeios, a limpeza adequada da cidade. Também o esforço de arborização da cidade e de novas zonas urbanas, assim como a criação de espaços verdes deve ser aprofundado.

Para terminar acho premente a preservação do centro da cidade e a criação de legislação/mecanismos adequados que permitam a sua preservação.

Com os melhores cumprimentos,

Mindelo, 23 de Agosto de 2006

José Fortes Lopes

  1. Ó José, para que serve de estares a mexer na merda.O pessoal cá da CMSV muitas vezes foi vitima da imposição do poder do governo central de JMN.Tal foi o caso de Ponta d’Agua deliberadamente mal construida là onde está; Casa do Sr.Dr.Adriano; Fortim d’El Rei; Antigo Tribunal etc.,Tudo isso foi prepositadamente feito no intuito de elminar o Ptrimonio Histórico Mindelense de S.Vicente Cabo Verde. A nós de continuarmos a luta e que venha a REGIONALIZAÇÃO JÁÁÁÁ!!!

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.