Adriana Esteves: “Na rua as pessoas tratavam-me como uma estrela do futebol”

26/08/2013 01:22 - Modificado em 26/08/2013 01:22

Adriana EstevesBatalhadora e perfecionista, Adriana Esteves venceu em 1998 o título de melhor atriz ao interpretar Sandra, a vilã da novela ‘Torre de Babel’. Uma distinção que repetiu com interpretações na Televisão e no Cinema.

 

– O que tem de especial esta história de Emanuel Carneiro, que tanto cativou o público brasileiro e português?

 

– Um dos grandes méritos de ‘Avenida Brasil’, que gerou uma afinidade muito grande com a população brasileira, foi a de ter mostrado o subúrbio, a vida da classe média-baixa. O enredo atingiu todas as classes sociais. A novela falava do povo, do cidadão comum. ‘Avenida Brasil’ foi uma história muito verdadeira, com o coração na boca. E o grande protagonista da trama era o clã Tufão, uma família emergente, que vivia no subúrbio, no bairro fictício do Divino. Mas, no fundo, a novela contava um pouco da família brasileira, do que é possível num ambiente familiar.

 

– Alguma vez pensou que uma história centrada numa realidade tão brasileira pudesse fazer um sucesso tão grande noutro país? Como explica este fenómeno?

 

– É uma história rica, complexa, muito bem contada, e também inovadora.

 

– Como foi terminar a novela e encarar uma nova rotina sem gravações e sem a ‘família’ de Tufão?

 

– No início, fiquei bem dividida. Um lado meu queria dormir, descansar, cuidar da casa e da família, e o outro ficou com muita saudade dos companheiros da novela.

 

– Quais foram as cenas mais difíceis de gravar em ‘Avenida Brasil’ em termos de dureza emocional e entrega à cena?

 

– Sinceramente, acho que todas as cenas foram bem difíceis… Talvez as piores tenham sido aquelas em que a Carminha era absolutamente ardilosa e tinha de seduzir e mentir com convicção, ludibriando as pessoas.

 

– Houve dias em que chegou exausta a casa?

 

– Todos os dias! Exausta, mas muito feliz e orgulhosa.

 

– Como é que o público brasileiro, na rua, a tratava? Alguém a chegou a ‘confundir’ com a Carminha?

 

– As pessoas vibravam! Parecia que estavam vendo uma estrela do futebol! [risos]

 

– Ficou, durante algum tempo, com algum tique, algum gesto ou expressão facial da personagem depois de concluídas as gravações?

 

– Talvez sim. O desapego foi acontecendo aos poucos…

 

– Que implicações tem na carreira profissional de um ator um trabalho com um êxito tão grande como foi ‘Avenida Brasil’?

 

– Na profissão do ator, sempre precisamos recomeçar do zero. Acreditar no novo sempre. Mas, sem dúvida, um trabalho tão importante como este eleva a trajetória do artista. O que muito me

orgulha.

 

– Depois deste sucesso, aumenta a responsabilidade e a expectativa para o próximo trabalho?

 

– Acho que sim. Mas procuro não pensar nisso e dedicar-me, como sempre faço, aos meus personagens.

 

– Que tem feito desde o final de ‘Avenida Brasil’?

 

– Estou vivendo um descanso intencional para poder me abastecer. Para mergulhar com coração, do jeito que gosto, num outro personagem. Acho que só farei mais um filme, lá para o final deste ano. E para 2014, eu ainda não sei.

 

– Guardou alguma recordação de Carminha? Um cinto, um anel, uma pulseira, um vestido?

 

– Tudo que guardei dela foi no coração. Guardei o tanto que ela me fez crescer.

 

– Vários nomes do elenco da novela vieram a Portugal. Porque não veio a Adriana Esteves?

 

– Tive muitos compromissos no Brasil, mas amo Portugal e amaria retornar ao vosso país.

 

– Quando pensa visitar Lisboa?

 

– A qualquer hora! Vou adorar!

 

– Houve uma fase menos boa da sua carreira. Nessa altura, chegou a ponderar desistir? Como ultrapassou a situação?

 

– Sou muito batalhadora. Acredito que tudo na vida é feito com trabalho, e tenho prazer em trabalhar.

 

– Pode desvendar algo sobre o seu próximo filme?

 

– Será uma ‘longa’, de Jorge Furtado.

 

– Como é que a Adriana Esteves interpreta as convulsões sociais no Brasil? Na sua opinião, qual a atitude mais urgente que precisa de ser tomada?

 

– Ênfase dos governantes na educação e saúde.

 

FENÓMENO POPULAR

 

O papel de Carminha em ‘Avenida Brasil’ será um marco na carreira de Adriana Esteves. Aos 43 anos, a atriz fez entrar a personagem na galeria das maiores vilãs da teledramaturgia brasileira. O empenho com que interpretou o seu papel mereceu rasgados elogios da imprensa brasileira e estrangeira.

 

O último episódio de ‘Avenida Brasil’, emitido em outubro na TV Globo, foi visto por 80 milhões de brasileiros e deixou desertas as ruas do Rio de Janeiro e São Paulo. Além-fronteiras, o sucesso da novela foi citado pela BBC, ‘Guardian’ e ‘Le Figaro’.

 

‘PEDRA SOBRE PEDRA’ COM DOIS PORTUGUESES

 

Aguinaldo Silva foi o autor de ‘Pedra sobre Pedra’, novela brasileira financiada em 20% pela RTP. Carlos Daniel e Suzana Borges foram os dois atores portugueses que integraram o elenco desta história, onde Adriana Esteves fez par romântico com Maurício Mattar.

 

MELHOR ATRIZ EM 1998

 

Em 1998, quando interpretou a vilã Sandra, de ‘Torre de Babel’, Adriana Esteves recebeu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz do ano. Ganhou outras distinções de melhor atriz pela sua interpretação em ‘Kubanacan’, em 2003, e agora com ‘Avenida Brasil’.

 

PERFIL

 

Adriana Esteves nasceu no Rio de Janeiro em dezembro de 1969. É filha de uma artista plástica e de um médico. Estudou teatro e começou a trabalhar aos 16 anos como modelo. Licenciou-se em Publicidade e conduziu um programa na Rede Bandeirantes.

 

Em 1988 fez a sua primeira novela, ‘Vale Tudo’. ‘A Indomada’, ‘Torre de Babel’, ‘O Cravo e a Rosa’, ‘Coração de Estudante’ ou ‘Kubanacan’ são algumas das muitas novelas que interpretou.

  1. Mário

    Grande atriz,entregando de corpo e alma ao personagem.Aliás ela “é” o seu personagem.
    Convicçao.Sucesso.

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