NSA quebrou o código do sistema da ONU e espiou videoconferências

26/08/2013 00:53 - Modificado em 26/08/2013 00:53
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onu 5A Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos terá conseguido aceder ao circuito interno de vídeo das Nações Unidas, o que lhe permitiu espiar as comunicações por videoconferência e outras trocas de dados originados na sede nova-iorquina da organização.

 

Segundo documentos secretos da NSA ontem divulgados pela revista alemã Der Spiegel, os especialistas do programa de vigilância electrónica da agência norte-americana conseguiram descodificar o sistema de encriptação do circuito interno das Nações Unidas no Verão de 2012, e assim “aumentar de forma dramática os dados obtidos” a partir das telecomunicações.

 

“O tráfego de dados de vídeo dá-nos acesso às teleconferências das Nações Unidas (viva!)”, congratulou-se um dos agentes envolvidos no programa, em documentos citados pela Der Spiegel e que faziam parte do espólio do informador Edward Snowden, o analista que foi consultor da NSA e também da CIA e que se assumiu como o responsável pela fuga de informação.

 

A revista alemã escreve que, depois da descoberta do código que protegia as telecomunicações da ONU, o número de mensagens recolhidas pela NSA disparou de 12 para 458 no espaço de três semanas.

 

As primeiras notícias sobre o programa de vigilância electrónica da NSA já davam conta do alargado espectro da espionagem dos serviços norte-americanos, que além da sede das Nações Unidas também tentaram colocar escutas nas representações diplomáticas da União Europeia em Washington e em Nova Iorque — a mudança de instalações nessa cidade foi devidamente “monitorizada” pelos espiões dos Estados Unidos, que detinham os planos onde estava definida toda a infraestrutura informática, a localização dos servidores e dos terminais de computador dos novos gabinetes, refere a Der Spiegel.

 

“Colectas Especiais”

O programa de escutas em mais de 80 embaixadas e consulados estava identificado dentro da agência como “Serviço de Colectas Especiais”: “A vigilância era intensiva e bem organizada e tinha pouco ou mesma nada a ver com a observação de actividades terroristas”, diz a revista, acrescentando que as acções de espionagem – que são ilegais – rompem o histórico compromisso dos Estados Unidos de não realizar operações secretas que envolvam a actividade da ONU.

 

Os documentos na posse da Der Spiegel revelam, no entanto, que não terão sido apenas os serviços secretos dos Estados Unidos a tentar escutar os diplomatas internacionais: um relatório interno de 2011 diz que os agentes da NSA se tinham deparado com tentativas de colocar escutas e descodificar as telecomunicações das Nações Unidas por parte dos serviços secretos da China. Não é claro se os os agentes chineses conseguiram quebrar o código e analisar as informações provenientes da sede da ONU.

 

 

publico.pt

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