Ou tchuk ou gente!

8/06/2012 09:50 - Modificado em 8/06/2012 09:44

Em tempos de crise nada melhor de que fazer um investimento e no momento em que mais necessitamos ele esteja lá para ajudar. Várias pessoas têm recorrido a esta prática de criar porcos como forma não só de trabalho, mas também de preparar para tempos mais ingratos.

 

Hoje a paisagem das encostas da cidade fica entre o misto de casas e de chiqueiros construídos para a criação de porcos. É algo que as pessoas estão a aprender a conviver já que entendem a opção destas pessoas. Mas há outras que não suportam convívio com os animais e são claros no que querem : Ou tchuk ou gente ! Ou seja ou moram os porcos ou as pessoas. Os dois juntos no mesmo espaço é que não pode ser .

Raquel, em Cabo de Ribeira, cria porcos há mais de 12 anos. Explica que quando começou verificou que era de grande ajuda e por isso continuou. “Quando tenho dificuldades na vida não tenho vergonha de criar porcos para safar a minha vida” , conclui Raquel . Alcindo Esteves começou a criar porcos à cerca de dois anos como forma de ter uma fonte de rendimento.

A falta de trabalho é das principais razões apontadas pelos entrevistados para optarem pela criação de porcos. Alcindo veio para São Vicente proveniente de Santo Antão para trabalhar na construção civil. A obra onde trabalhava terminou e não está conseguindo arranjar trabalho e dai a opção. “Não há trabalho”, afirma Raquel. Na sua casa somente o marido trabalha e assim a criação de porcos fornece uma receita extra” que resolve “muitos apertos”

Idalina da luz, moradora em Cruz de JoãoÉvora conta que já lá vão 16 anos que cria porcos perto da sua casa. “Não tenho trabalho e tenho meus filhos para criar e não tenho ajuda de marido”. A criação dos porcos e a venda da carne permitiu criar os filhos e fugir a fome e a pobreza.

 

Como a criação pode ajudar

Idalina afirma que criar porcos é uma maçada, mas que na hora “de necessidade” vale a pena. Idalina é um exemplo como a criação de porcos foi a salvação num momento de necessidade. Conta que o filho ficou doente e sem dinheiro para comprar os remédios, que custavam cerca de três mil escudos “ quem desenrascou foi o porco”. Numa outra vez o filho teve que ser operado a um quisto . E mais uma vez foi “ o porco que pagou os cuidados médicos e os remédios “.

Domingos, morador em Cruz João Évora , já não cria porcos, mas relembra que a sua casa foi coberta com o dinheiro que provinha da criação de porcos. Raquel, também ,conta que parte da sua casa foi construída com a ajuda do dinheiro proficiente da venda da carne dos porcos que criava . Alcindo que está desempregado e neste momento tem como trabalho a criação de porcos. “A vida está ingrata e temos que ir devagar”

 

 

Como é o rendimento

O rendimento provém da venda dos leitões vivos ou mata-los ou da venda da carne depois de criar os porcos . Os leitões são vendidos entre quatro a cinco mil escudos.. A venda da carne pode ser um rendimento quando se consegue vender toda a carne. Quem tem um porco reprodutor tem uma outra receita ,pois cobram entre 1 500 a 2 000 mil escudos por cada cobertura.

 

  1. Sandra silva

    Nos os moradores de S.Pedro somos os maiores vitimas da criação de porcos,porque as casas e os chiqueiros são quase que intercaladas, e quando os porcos não estão mesmo a solta junto das crianças,e as consequencias são muitas principalmente com as crianças que são as mais vulneraveis,e ficam frequentamente com problemas de saude, fora um enchente de moscas que temos que conviver todos os dias.Ninguém é contra a criação de porcos para a sobrevivencia mas que seja no local proprios .

  2. mario jorge dias

    Vida ê beskóde,cada dode te dá de pedra mode el sébe e cada um te desenrascá mode el puder.kel e troboi tb!

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