Lua cheia para Jorge Cornitim: esse é que Mindelo nos queride cantim

16/08/2013 05:05 - Modificado em 16/08/2013 05:05

jpg_baia-das-gatas-7Lua cheia de Soncent . A lua cheia da Baía das Gatas sabem que Jorge Monteiro , aliás JOTAMONT , mais conhecido por Jorge Cornitim é captor da alma mindelense. Na sua tristeza , na sua alegria , na nostalgia e na hora de ” dar carga de quatro” : esse é que Mindelo nos queride cantim. Atrevimento de um fidjho magoado tentar homenagear quem lhe capturou a alma e o destino :

 

Ma m’tem fé na Nô S’nhor,

K’ess tristeza, ess dor,

Sofrimento profundo,

Que ca tem ôte na mundo,

El ta caba um dia

Pa nô sinti ligria

Pa nô podê vivê

Sima tude gente ta crê.

 

Então vamos a homenagem que na certeza será pequena e peca por tardia. Mas é um consolo para o espirito de Jorge, logo no ano que a sua Micá , imaginem, desceu para a … Segunda divisão . E depois disso , façam o que fizerem , ele não dará mais ” voltas na cova”

 

Maestro, compositor, professor, trompetista: assim se descreve, sinteticamente, um dos grandes alicerces do folclore musical de Cabo Verde. Jorge Monteiro, conhecido pela alcunha “Jorge Cornetim” ou pelo seu pseudónimo “Jota Monte”, é homenageado nesta que é a 29ª edição do festival da Baía das Gatas.

Com um percurso vincado nas composições de mornas – que no fundo retratavam a forma romântica e poética como via o povo mindelense e as suas vivências – deixou um vasto acervo de temas musicais, muitos deles imortalizados pelo povo. Quem não se lembra da famosa morna “Dez Grãozinhos di Terra” interpretada por Cesária Évora, ou do “Tchutchinha” – sua primeira composição? Sem se esquecer do tema “São Cente” e “Nhâ Confissão”: a sua composição preferida como o mesmo diz no Livro “Música Cabo-verdiana\ Mornas para piano”.

Mas o seu histórico musical não se fixa apenas pelas suas letras e composições. Os finais dos anos 60 ficaram marcados pela grande promoção musical aos autores clássicos, protagonizada por ele juntamente com a Banda Municipal do Mindelo. Esta fase ficou assinalada pelos arranjos e orquestrações de sua autoria tocados ao vivo pela banda no antigo Liceu Gil Eanes.

Para além dessas facetas, era também conhecido (nos anos 20\30) pela sua brilhante capacidade de tocar Trompete. Por essa peculiaridade musical ficou conhecido pela alcunha de Jorge Cornetim.

Assim nasce Jorge Monteiro, no dia 1 de Outubro de 1913 num barco a caminho dos Estados Unidos. 15 anos após a sua morte, aquele que foi também professor de piano, deixa três obras publicadas sobre a música cabo-verdiana, fruto de recolhas feitas pelo próprio: Música ao Alcance de Todos; Mornas e Contratempos e Música Cabo-verdiana – Mornas para Piano.

Em sinal de tributo à riqueza musical deixada pelo maestro, estarão no primeiro dia os artistas: Titina Rodrigues, Tito Paris, Constantino Cardoso, Jorge Sousa, Diva Barros, Manecas Matos e Jennifer Solidade, “Cantando Jotamonte”.

 

  1. Dje Guebara

    Boa homenagem recordando a Jorge Cornitim,mais tambèm não deixa de recordar a nossa querida e inesquecida CONCHA que nos anos 60 -70 -80 ela era a alegria dos sanvicentinos com os pick-nikes na baia das gatas,com os famosos bailes todos os sabados la na Cuxa, la na terrace de Nha Muntinha, la na Piedade na rua de praia,naqueles festas de Sanjom la na nho Muchim d’ Ambrosio la na Sanpedro na casa de Djack Camila.Descança em paz>Concha m’nin de soncent. Dje Guebara.

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