Tropa de elite: Licenciados, desempregados e mal remunerados

14/08/2013 00:52 - Modificado em 14/08/2013 00:52

canuto2Licenciados, desempregados, mal remunerados. Onde está a diferença de se fazer uma formação superior no país se, após a conclusão da mesma, as condições de integração no mercado de trabalho são bastante precárias? Esta é apenas uma das muitas preocupações apresentadas pelo vasto quadro de licenciados/desempregados na cidade do Mindelo.

As condições de empregabilidade em São Vicente são cada vez mais escassas. Não obstante a saturação do mercado nalgumas áreas, há excepções à regra em que o cenário constitui um paradoxo para muitos recém-formados. É título de exemplo,o caso dos quadros superiores em Educação de Infância.

Existe um mercado empresarial (jardins de infância) com carência de pessoal formado que dê vasão às necessidades educativas das crianças. Entretanto, sabe o NN que no processo de recrutamento de educadores, a prioridade é dada às pessoas sem qualificação. Motivo: não existem recursos financeiros capazes de remunerar devidamente os quadros superiores.

É o caso de Gabriela Graça que, mesmo após ter terminado o curso (há 4 anos) continua a receber o salário igual ao de um monitor auxiliar. Já com cerca de 22 anos de experiência profissional na área, afirma não ter nenhuma perspectiva de futuro: “Neste momento tenho 52 anos. Estou perto de chegar à reforma. E quando lá chegar, de quanto será o valor? 5 mil escudos?”, questiona.

Na mesma situação encontra-se Janine Betencourt, mãe de família e também licenciada em Educação de Infância.Há três anos a trabalhar num jardim e a receber uma gratificação bastante irrisória que não garante o sustenho da sua família até ao fim do mês. Entretanto, justifica Betencourt, a mesma instituição não tem, de facto, meios para reverter essa situação. Uma carência suportada por todos os jardinsdeinfância visitados por este diário. Sendo privados, a única entrada de dinheiro vem das mensalidades pagas pelos pais que varia de 1500 a 3 mil escudos por criança.

Consequências

Falta de monitorização nos jardins, consequentemente, pais e encarregados de educação que não honram os próprios compromissos perante as respectivas instituições (deixando várias mensalidades por pagar) e inexistência de condições que dê autonomia necessária para que sejam os jardins a contratar educadores formados com a devida garantia de um salário justo. As responsabilidades deste novelo de problemas recaem sobre as mais diversas instituições: passam pelo poder local, pelo Ministério da Educação e pelo Governo.

“Estamos a formar cidadãos”

“Nós estamos a formar cidadãos: seres em construção. Se forem mal formados há-de haver reflexos negativos no futuro, porque estamos a formar crianças que, posteriormente, poderão exercer plenamente a sua cidadania. Se não tiverem uma boa base que sociedade vamos ter no futuro? Somos o alicerce”, acentua Graça que adverte para a questão da desvalorização deste sector educativo.

Perante as lacunas notadas dentro desta área de ensino, os educadores de infância abordados por este diário online, pedem uma intervenção “urgente” do Ministério da Educação em parceria com a Câmara Municipal e os jardinsdeinfância: “De forma- reiteram – a proporcionar às crianças uma educação de qualidade”.

Miriam Semedo acrescenta ainda que a questão dos jardins e dos educadores de infância “tem de ser repensada na óptica da legislação”. Explica que, perante lacunas existentes no que respeita às leis e a respectiva reforma do ensino, “há muitos jardins que são abertos como oportunidades de negócio”, esquecendo-se do essencial que é a formação das crianças.

 

  1. Antonio Brito

    Ao que parece os jardins de infancia devem pedir subsidio do Estado.
    Também devia investigar os lucros de cada jardim para ver se cada
    um poderia remunerar melhor os seus empregados .
    Assim o articulista transmite ao leitor que o Estado é que é o culpado
    de tudo isso.
    Cumprimentos

  2. UVID IMPE

    EI PESSOAL NÔ CORDA POR FAVOR,NÔ TA VIVE Ê NA CABO VERDE UM PAÍS K KATEM NENHUM TIPO DE RIKEZA NATURAL,ONDE K A MAIORIA T DEPENDE DO ESTADO.AGORA ONDE K ESTADO TT BEM SEI K DNHER PA PAGA TUDO SUBSIDIO K FOR SOLICITADO,NÔ PÔ PÉ NA TXOM PQ DIAS PIORES VIRÃO PA TUDO GENTE…

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.