Rússia e China rejeitam uma intervenção militar na Síria

30/05/2012 07:49 - Modificado em 30/05/2012 07:49
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Sem sinal de inflexão na posição há muito assumida, Rússia e China reiteraram nesta quarta-feira uma oposição inabalável à hipótese, admitida pelo Presidente francês, de uma intervenção militar da comunidade internacional na Síria.

 

Mantendo-se afastado dos que clamam por uma acção mais musculada contra o regime do Presidente Bashar al-Assad – sob mira de muitas potências ocidentais desde o massacre de Houla, na semana passada – o Governo russo avaliou como “prematuro” qualquer espécie de “nova acção” das Nações Unidas naquele país, mergulhado num brutal conflito desde há mais de 14 meses e com um balanço estimado em mais de 12.600 mortos.

 

“Avaliamos que mesmo o exame, no Conselho de Segurança, de qualquer nova medida para influenciar a situação [na Síria] é prematuro”, afirmou o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Guennadi Gatilov, citado pela agência noticiosa estatal Interfax.

 

Na mesma linha, o Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros emitiu nesta manhã um comunicado em que reafirma a oposição de Pequim a uma intervenção militar. Um porta-voz do Ministério, Liu Weimin, escusou-se ainda de dar conta se a China vai ou não adoptar a decisão já tomada por muitos governos ocidentais de expulsar diplomatas sírios, num gesto de protesto contra a morte de civis na Síria, sob ataques cerrados do exército de Assad. “Não tenho nenhuma informação de que tenha havido algum impacto na embaixada Síria na China”, limitou-se a dizer.

 

Este reafirmar da recusa à adopção de uma intervenção militar na Síria por parte da Rússia e China – ambos membros permanentes do Conselho de Segurança, que têm bloqueado a aprovação de sanções contra o regime de Assad – surge depois de, na véspera, o Presidente francês, François Hollande, ter afirmado que a possibilidade de uma intervenção militar não estava afastada. Mas também que precisaria de uma resolução clara do Conselho de Segurança para acontecer, sublinhou.

 

Antes, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros avisara que Berlim irá fazer pressão para que o Conselho de Segurança adopte “uma nova abordagem” sobre a crise na Síria. Reino Unido e Estados Unidos tinham indicado, depois do massacre de Houla, um endurecimento de posição contra Assad.

 

E o próprio enviado das Nações Unidas e Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, que mediou o acordo de pacificação aceite por Damasco – e que deveria ter dado origem a um cessar-fogo desde 12 de Abril passado – avisou que a situação no país chegou a “um ponto sem retorno”, ao fim de mais de um ano de conflito e sem quaisquer sinais por parte do regime de Assad de cumprimento dos compromissos assumidos perante a comunidade internacional.

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