ADECO vai pedir anulação da taxa no Parlamento

13/08/2013 03:00 - Modificado em 13/08/2013 07:37

António-Pedro-Silva-presidente-da-ADECO-300x200No mês de Maio, a ADECO veio a público declarar a intenção de levar a cabo uma petição pública para a “eliminação das taxas mensais de aluguer dos contadores da água e da electricidade”. Esta petição destinava-se à Assembleia Nacional, às Entidades Reguladoras e ao Governo. Pedro António Silva, presidente da ADECO explica que apesar das tarifas de água e electricidade praticadas em Cabo Verde serem das mais caras do mundo, as autoridades impõem taxas que “são meros expedientes de extorsão dos parcos recursos dos consumidores”.

 

Segundo os números da ADECO os consumidores gastam entre os 1605 escudos e os 15.446 escudos de encargos anuais. E que estas taxas vêm sufocando as camadas economicamente mais frágeis, com todo o impacto social daí decorrente.

 

Em declarações à RCV, o presidente da ADECO reiterou a intenção de dar entrada no Parlamento uma petição para pedir a anulação da taxa de aluguer do contador da água e da energia. António Pedro Silva afirma que a intenção da associação que dirige é concretizar o pedido no mês de Outubro, período em que os eleitos parlamentares regressam ao plenário depois de cumprirem as férias.

 

O presidente da ADECO diz estar na posse de dados que confirmam que são cerca de 300 mil contos que a ELECTRA vem extorquindo por ano aos utentes. António Pedro Silva assegura que este é um expediente para extorquir dinheiro aos trabalhadores e garante que a sua associação está determinada em combater a prática, razão pela qual já está munido de argumentos jurídicos para, em Outubro, dar entrada da petição no Parlamento.

 

A petição exige do Governo e da Agência de Regulação Económica que anulem essa taxa que ao longo de muitos anos vem prejudicando os trabalhadores. Em Maio, numa entrevista ao NotíciasdoNorte, o responsável da ADECO sublinhou que tinha recolhido mais de mil e quinhentas assinaturas e a petição não é só de âmbito nacional mas envolve também a diáspora.

 

Segundo António Pedro Silva, o objectivo é o de chegar ao maior número de assinaturas possíveis com a participação da população. Esta luta da ADECO não é nova tendo, em 2009, abordado o assunto na comunicação social, mas desta vez está caracterizada por uma atitude concreta.

 

  1. Fiat lux

    Eu sinto necessidade de colocar as seguintes questões: 1ª – Os contadores são propriedade da empresa fornecedora do serviço e têm um custo. Esse custo é imputável ao beneficiário do serviço? 2ª – Se for imputável deve ser considerado pago dentro de um periodo razoável e não ad eternum, não é? 3ª – Porque é que os ditos representantes do povo no Parlamento, não analizam todas as mazelas do grande cancro cabo-verdiano que se tornou a ELECTRA e as resolvam de uma vez por todas? Força ADECO.

  2. BELITA CRUZ

    FORCA ADECO ESTOU CONVOSCO!!!SMP EM FRENTE

  3. Nuno Ventura

    A estrutura tarifária em vigor em Cabo Verde data de 1983 e assentava em tarifas fixas e tarifas variáveis. A taxa fixa “aluguer de contador” corresponde a uma figura tarifária que por essa altura era comum na Europa mas que de facto não correspondia a um aluguer de facto. Na Europa o “aluguer de contador” desapareceu e a compra / venda de electricidade passou a estar assente numa estrutura tarifária dita binária, em que o valor da factura é o resultado da aplicação duma tarifa de potência (fixa e escolhida pelo consumidor em função das suas necessidades) e duma tarifa de energia aplicável à energia lida em contador. Esta nova formulação corresponde a uma solução socialmente mais justa para consumidor pois faz a destrinça entre o consumidor de fracos recursos (pouca aparelhagem utilizada em simultâneo) e os consumidores de maiores recursos (com muita aparelhagem de utilização simultânea) e também é mais favorável para a empresa distribuidora que pela aplicação da taxa de potência garante uma receita fixa mínima mesmo quando o consumo é reduzido (de alguma forma substitui com maior justiça o aluguer de contador e duma outra figura tarifária que erradamente foi abolida em 2006, por unanimidade na Assembleia Nacional, que eram os 10 kWh de consumo mínimo).
    Infelizmente a ARE, nossa incompetente Agencia de Regulação Económica não conseguiu até hoje dar o salto para uma estrutura tarifária binómia na Baixa Tensão Doméstica, nem regular convenientemente as tarifas existentes na baixa Tensão Especial e na Média Tensão.
    Esta guerra ao “aluguer do contador” que o Presidente da ADECO tenta promover é absolutamente imbecil, se não houver mudança de estrutura tarifária. Se a ARE ou o Governo decidir(em) eliminar a receita do distribuidor “aluguer de contador”, a ARE para garantir o equilíbrio económico do distribuidor (para compensar aquela perda de receita) vai subir o preço do kWh, e todos vamos pagar isso na proporção dos kWh consumidos É por isso que António Pedro Silva devia deixar de fazer demagogia e bater-se por uma nova estrutura tarifária e também por um regulamento de qualidade de serviço.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.