Quarenta licenciados no desemprego

9/08/2013 07:58 - Modificado em 9/08/2013 07:58

canuto2Licenciados em Educação de Infância e desempregados há mais de 4 anos. É este o cenário dos cerca de 40 jovens que decidiram arriscar num curso que, à priori, deveria abrir-lhes as portas para uma carreira profissional. Entretanto, a realidade com que se deparam hoje é outra: um curso “fantasma” sem validade no mercado do trabalho; uma área (pré-escolar) que não se insere no âmbito das prioridades de ensino no país; quadros formados mal pagos e, o mais grave, inexistência de uma entidade competente que se responsabilize pela integração dos referidos quadros no mercado do trabalho.

O curso foi aberto no antigo Instituto Superior de Educação (ISE) em 2009, numa altura em que ainda era do foro do Ministério da Educação autorizar, ou não, a abertura dos cursos leccionados. Contam os antigos alunos que o ME e a própria Universidade lhes tinham garantido, na altura, que seriam inseridos no mercado do trabalho mal completassem o referido curso, devido às lacunas existentes nessa vertente do ensino: falta de quadros formados nos jardins de infância. Hoje, sem ninguém a responsabilizar-se pelas referidas promessas, os alunos questionam o interesse na abertura de um curso que não tem validade no mercado laboral quando o assunto se vira para o Ensino Básico Integrado (EBI) e para o Ensino Secundário e quando não há uma remuneração compatível com o grau de formação nos jardins de infância.

 

Curso de Educação de Infância barrado pelo ME

Após o fim do curso “metemos os nossos documentos no Ministério da Educação para efeito de um concurso que visava recrutar quadros para o Ensino Básico e foi-nos dito que nós não tínhamos perfil para ocupar essas funções”, conta Katleen Levy, licenciada há três anos no curso de Educação de Infância. Uma situação que indigna os referidos licenciados, pois “quando começámos o curso foram feitas várias promessas, inclusive que poderíamos trabalhar não só no pré-escolar como no EBI e no Secundário”.

“Pergunto hoje, porque abriram este curso? Para angariar mais dinheiro para os cofres do Estado?”, questiona, inconformada, Nélida Lopes que diz não compreender a razão de estarem no desemprego quando “sabemos que há lugares disponíveis. Há pessoas que estão prestes a reformarem-se, há pessoas a trabalhar sem formação e temos o caso de professores do EBI a fazer trabalhos para o pré-escolar”.

 

E o depois?

Sem emprego e sem perspectivas de futuro, esses jovens vão ganhando a vida como podem. Algumas das entrevistadas prestam serviço de Baby-Sitting, apesar de ser um trabalho instável e que não lhes proporciona a autonomia financeira necessária. Outras, apesar de empregadas em jardins de infância, recebem salários que não ultrapassam os 14 mil escudos: salário correspondente ao de um monitor auxiliar. Num cenário não muito diferente e muito menos satisfatório, há aqueles que se encontram, até agora, a trabalhar em supermercados, lojas chinesas e guardas em empresas privadas: alguns para liquidar dívidas feitas em instituições de crédito para custearem o curso. À espera pelo depois, à espera que alguma entidade “se digne” responsabilizar-se pela situação em que se encontram. “Devido à nossa condição de desempregados já enviámos cartas para o Governo, para a Câmara, para o Ministério da Educação e para a própria UNICV e não obtivemos nenhuma resposta: nem positiva nem negativa”, sublinha Miriam Semedo.

Até ao momento, não foi possível entrar em contacto com o Ministério da Educação e com a Câmara Municipal de São Vicente. Entretanto, é dever deste diário continuar a tentar perceber as origens do problema e as possíveis soluções junto das entidades mencionadas. Uma situação enfrentada por grande parte dos quadros superiores no país: com altas taxas de desemprego, com Universidades que continuam, sistematicamente, a abrir cursos quando não existe espaço no mercado de trabalho.

 

  1. Coculi

    Este eterno complexo dos caboverdianos em obterem uma licenciatura em ramos profissionais que de antemão já sabem que ficam totalmente limitados. Uma solicitacao directa para o desemprego. Licenciados temos de toda a espécie.
    Apenas se precisarmos de um competente canalizador ,mecânico, carpinteiro, pintor, etc, etc, nao temos e nem vamos ter a curto período. Todos obsecados nas pseudo Universidades. Todos querem ser doutores e mesmo sem o minimo de IQ e a devida formação. No papel temos centenas de doutores. Infelizmente um pouco depreciativamente direi “doutores da mula russa” Está claro que essas universidades são apenas para gerar jobs e garantir salários a um determinado grupo que aproveita a ignorancia e o espirito exibicionista de muitos pais e tambem dos jovens totalmente desinformados. E o resultado está à vista. Esses quarenta licenciados é apenas um top do

  2. mindelense

    Caro Sr. (a) Coculi

    saiba que mesmo um canalizador, carpinteiro e um mecânico ou outras profissões por si citadas precisam de pessoas formadas e ou capacitadas para isso se não prestam um serviço de qualidade. As pessoas formam em determinadas areas porque acham que existem lacunas nessas áreas e há necessidade de pessoas formadas para suprirem essas necessidades. Caro Sr.(a) como cidadão acho que também é pai ou mãe e se preocupa com a educação do seu filho e a qualidade do mesmo.

  3. Soncente

    Se soubessemos de antemão que o curso não tinha viabilidade no mercado não íamos ficar 4 anos cançando as nossas cabeças no estudo e noutras coisas mais de que deriva uma licenciatura para depois ficarmos sentados sem fazer nada ou a trabalhar em outras áreas poucas dignificadoras para um licenciado e ainda por cima só para pagar as despesas do curso a quem devemos.
    Sou uma dessas vitimas e sei o quanto isto é desmotivador bater em várias portas e ouvir sempre a mesma coisa “perfil inadequado”.

  4. mendingo

    Coculi! Bravo! 100% de acordo! consigo.
    Licenciados? em que em furos!

    Não sabem nada! em fim!

  5. Soncente

    Cada um sabe da sua capacidade “Mendingo”.
    Licenciados sim e com muito orgulho e esforço!!!!!!!!!!!
    Prova que não sabemos nada????????????Se voçê não sabe nada não quer dizer que todos são como voçê!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  6. Paulo Lopes

    Há observações depreciativas feitas nos comentários acima, mas que, provêem de pessoas que não dominam o elementar da língua portuguesa. Está dito!

  7. Mário Dias

    Esses palermas que digam mer… dos licenciados deveriam preocupar em fazer algo imprtante para eles mesmos e deixassem de invejar quem despende e mundos e fundos para a sua auto-felicidade dos filhos e de si proprio porque hoje em dia educação não e luxo,seus invejosos.

  8. Figueiral

    A capacidade de analisar e planear um futuro é algo difícil, nao só para os jovens estudantes como bem assim para os pais.
    Veja só o nome bombástico ” Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais”‘ como se Cabo Verde tivesse empresas que tais cursos justificam e infelizmente as que ainda não fecharam as portas não estão à espera de licenciados para irem trabalhar atras do balcão.
    Os cursos de gestão de empresa falam na imaginação dos caboverdianos como se as lojas chinesas fossem empresas.
    É pena e bastante triste e trágico que esses estudantes, “geração à rasca ou perdida” ainda não se consciencializaram que estão sendo ludibriados e que a maioria dos diplomas conseguidos nestas pseudo universidades apenas os ajudam verdadeiramente a entrar na lista cada vez maior dos desempregados.
    Quem melhor saiba que o diga.

  9. Lucio Lopes Andrade

    Nesta altura do campeonato eu venho sugerir que estudem mais um ano e fiquem com a formação em EDUCAÇAO DE ADULTOS POLITICOS MENTIROSOS, e meter pau e palmatoria nessa mafia que continua a enganar os nossos jovens. Este País podia estar bem, não fossem esses incompetentes que andam a brincar aos governos sem a mínima visão do futuro.

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