Arguido esperou nove anos para responder a uma acusação de tentativa de homicídio

29/05/2012 01:19 - Modificado em 29/05/2012 01:44

O Ministério Público pediu a absolvição de um indivíduo, acusado de tentar matar um taxista, em 2003. Alex Andrade era acusado da prática de um crime de roubo consumado, em concurso com homicídio agravado, na forma tentada. Porém, a tese de homicídio foi revogada pela representante do MP, por faltar provas que preenchessem o crime. Para o MP, o arguido deverá ser condenado pelo crime de roubo, mas que seja suspensa a pena, pelo facto do acusado estar-se reintegrado na sociedade.

 

O Primeiro Juízo Crime da Comarca de São Vicente procedeu ao julgamento de Alex Andrade, de 32 anos, acusado de assaltar e tentar matar um taxista. Segundo a acusação deduzida pelo Ministério Público, o arguido em Março de 2003, na zona de Alto Doca, Chã D´Alecrim passou o cinto de segurança a volta do pescoço do taxista para apoderar-se do dinheiro que havia no porta-moedas.

Alex Andrade, na altura dos factos, foi acusado de roubo e furto de veículo, por ter levado cerca de sete mil escudos e o veículo da vítima. Porém no desenrolar da acusação viria a ser indiciado da prática de um crime de roubo consumado em concurso com homicídio agravado, na sua forma tentada.

 

“Não quis matar o taxista”

 

O juiz Antero Tavares interrogou o arguido sobre os factos da acusação e este contrariou a tese de tentativa de homicídio dizendo que não tinha intenção de matar o condutor do táxi. Segundo o acusado, o cinto foi passado a volta do peito do ofendido, para que este não continuasse a morde-lo num dedo.

Alex acrescenta que “queria pegar uma nota de 1000 escudos que estava a vista no porta-moedas, foi nessa tentativa que iniciamos uma luta e ele prendeu-me um dedo com os dentes. Para retirar o meu dedo pus-lhe o cinto a volta do peito, mas como não parava de morder-me abri a porta e pulei para fora do táxi. Nessa altura iniciamos uma luta de corpo e acabei por agredi-lo com uma pedra, não para o matar, peguei no táxi e fui embora”

 

Factos

 

Questionado pelo juiz sobre o destino que deu aos 7000 mil escudos que estavam no táxi e se em 2003 era usuário de droga, o arguido afirmou que a ansiedade fez-lhe perder o dinheiro e que altura usava pedras de cocaína. Por seu lado o taxista Pedro confirmou que o cinto foi utilizado pelo agressor para desprender-se da mordidela e que foi agredido com uma pedrada na cabeça.

 

Reintegração vs. Suspensão

 

O acusado frisou que o caso fez com que ele procurasse a ajuda psicológica. No ano seguinte partiu para Portugal para realizar uma formação técnica. Alex singrou-se no ramo da Engenharia Informática e montou a sua própria empresa, em Mindelo. Alex Andrade afirma estar arrependido do acto e que há mais de 7 anos que largou o mundo da cocaína.

A representante do MP, nas suas alegações finais afirmou que as provas obtidas não apontam para uma tentativa de homicídio, já que a pedrada não provocou lesões que causariam a morte do ofendido. Para o MP para haver preenchimento do crime de homicídio agravado, na sua forma tentada teria que haver uma terceira pessoa para evitar a agressão e o arguido em jeito decisório continuasse o seu acto. Por isso pediu a absolvição de Alex, neste crime, mas que seja condenado por um crime de roubo. Mas pediu a suspensão da pena, pelo facto do acusado ser réu primário e por ser ter reintegrado na sociedade.

Já a defesa reitera que a luz do Código Penal, a leitura técnica diz que o caso estaria prescrito. Mas que se o juiz não for por esse caminho que suspenda a pena do constituinte devido a sua reintegração e de não ter tido mais problemas com a justiça. A sentença do caso será lida no dia 18 de Junho.

  1. Hl

    Ora vejamos o individuo, agora como pessoa de bem não é reponsabilizado pelos seus actos. agora ja é inocente? Onde é que Nós vivemos? Que juísos São esses que inocentam todo o mundo. Se é um cidadão do bem qu seja responsabilizado, pq o outro cidadão que foi atacado estava a trabalhar. parece que no tribunal só trabalham burros incompetentes, bandidos e inconsequentes. Ele como empresario pode pagar todos os danos e prejuizos q causou ao outro ou então doar dinheiro a uma instituição de caridade

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.