Estudantes do 12º: já terminei o ensino secundário e agora?

24/07/2013 00:01 - Modificado em 23/07/2013 23:58

escolas-particularesEscolher o curso já não é mais uma tarefa fácil, sobretudo, numa altura em que o mais se fala é de crise financeira, desemprego e saturação do mercado. Optar por uma determinada área de ensino implica não só o aspecto da vocação, mas também o conhecimento sobre a realidade do mercado laboral do país. Pois é este o lema de muitos alunos que optaram por não se candidatarem para o ensino superior este ano com medo de, a meio do percurso, descobrirem não ser o mais adequado para o seu perfil e para o mercado de trabalho em Cabo Verde.

 

Neymar Évora foi finalista este ano e optou por ficar um ano em casa. “Talvez arranje um emprego no Verão. Aproveito para ir fazendo pesquisas e dedicar-me também aos livros. Ainda não decidi qual o curso que quero seguir e não quero fazer uma escolha apressada para, mais tarde, me arrepender”, explica. Neste momento vive com os avós no concelho da Ribeira Grande de Santo Antão e diz que a realidade da ilha desanima-a “e muito, porque não há emprego e há cada vez mais jovens a retornarem de outros países como o Brasil e Portugal com a licenciatura, mas que não encontram emprego. Eu preciso de pesquisar uma área que, primeiro, se adeqúe ao meu perfil e, depois, seja uma mais-valia para o mercado em Cabo Verde”.

 

Telma Conceição da Ribeira da Torre também diz enfrentar o mesmo dilema, acrescido do facto de não ter condições para custear as despesas que um curso superior acarreta dentro ou fora do país. “Estou dependente de uma bolsa, dependente das necessidades em termos de quadros do país e pouco depende de mim, ou seja, não sei se tenho assim tanta margem para escolher um curso que queira ou um país que queira”. Diz que optou por “dar um tempo” aos estudos, colocar as ideias em ordem e procurar por ajuda para ver se no próximo ano consegue ingressar no ensino superior. “Sempre quis ser médica, mas tive de desistir dessa ideia porque as minhas notas, apesar de não serem más, não mo permitem. Agora é esperar para ver o que o futuro me reserva”.

 

Uma história que se repete entre os jovens, sobretudo, entre os com poucas posses como é o caso também de Dircilene Rodrigues da Ribeira Grande. Vive com uma tia e diz que ainda não sabe que curso escolher. “Aliás, ainda não pensei nisso, porque me sinto um pouco desanimada. Não tenho ninguém que me ajude e não sei como poderei pagar as despesas caso consiga uma vaga numa dessas Universidades. Tive média de 15 valores e não sei se consigo uma bolsa. Para além disso, desanimo-me ainda mais quando vejo a minha irmã que terminou a sua licenciatura em Ciências da Educação, a trabalhar num Cyber Café”, desabafa a jovem.

 

  1. Jovem

    Os caboverdianos precisam cultivar a noção de empreendedorismo desde o inicio da sua formação académica, se for possível desde o Ensino Primário, porque a situação actual é alarmante,… precisamos entender que para ter sucesso na vida não é necessário apenas estudar,… a nossa sociedade já não suporta formar mais funcionários públicos para ocuparem uma secretária e receber um salário no final do mês sem terem produzido nada …

  2. Jovem

    Os jovens precisam de incentivo para criarem a sua própria fonte de rendimento, e para isso deve mostrar uma certa ousadia,… porque? ser funcionário de um cyber quando poderias ser o próprio dono ou gerente?? com uma formação superior, seja qual for, danos capacidade para gerir um pequeno negocio!!…

  3. Jovem

    Os recém-formados não devem ter medo nem vergonha de trabalhar e áreas diferentes da sua formação desde que tenham a ambição de crescer onde quer que estejam… mais triste é estar desempregado ou trabalhar sem remuneração,…

  4. Jovem

    Parece que não aceitam comentários e concelhos de quem já passou por isso e conseguiu ultrapassar este problema com sucesso!!! 🙁

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