Artesão: “Dá para viver da minha arte, mas…

22/07/2013 00:06 - Modificado em 21/07/2013 23:18
| Comentários fechados em Artesão: “Dá para viver da minha arte, mas…

ArtesãoJorge Rocha, mais conhecido por Djo é artesão desde os 10 anos de idade. Iniciou como um hobbie e, anos depois, transformou-se no seu principal instrumento de trabalho ao qual passou a dedicar-se exclusivamente e de onde retira o seu sustento. É um amante das artes plásticas e um multifacetado em matéria de produtos artesanais e não só. Também pinta e faz esculturas. Apesar da paixão que diz sentir pela sua profissão, diz-se impedido de exprimir a cem por cento as suas criações.

“Há peças que já estão estruturadas na minha mente, mas não as materializo, porque não tenho forma das registar. Deparei-me algumas vezes com peças minhas de baixa qualidade a serem comercializadas a preços irrisórios e isso prejudica-me, porque são as minhas criações enquanto artista”, conta Rocha. Para além disso, diz existir pouco apoio para os artesãos. “Não existe, por exemplo, um espaço onde possamos colocar os nossos produtos. Por conta disso, somos explorados pelas lojas que depois revendem por preços muito mais elevados do que aqueles que me pagam pelas peças”.

“O artesanato foi um ponto de viragem na minha vida”

Hoje, Jorge Rocha já tem o seu próprio atelier onde prepara os seus artigos que depois são comercializados para algumas lojas específicas no centro da cidade. As suas peças vão desde objectos artesanais – marcantes da cultura cabo-verdiana como o Bli, bancos de uril, pilões em miniatura -, ao restauro de objectos como caixas de jóias, para além das esculturas em pedra e pinturas em vidro. Jorge trabalha por encomenda e, em caso de solicitações de pessoas individuais, os preços são determinados de acordo com as condições financeiras dessas pessoas. “Não peço mais do que aquilo que as pessoas poderão pagar”.

Entretanto, para chegar até aqui, Jorge teve que sair do país. Emigrou ainda muito jovem para Portugal onde trabalhava como ajudante de cozinha e depois na casa de máquinas dos barcos onde fazia a limpeza dos equipamentos. Após 15 anos a residir naquele país, regressa para Cabo Verde e começou por trabalhar em bares como gerente. Sentindo-se desconfortável naquela função, Jorge resolve voltar às origens, ao seu talento nato que surgiu em criança com pequenas tartarugas; peças feitas de casca de coco e candeeiros de mesa que ia vendendo pelas ruas da cidade. “Com os trocados podia ir ao cinema e comprava fatiotas” conta.

Em Portugal, para além do emprego, diz que fazia algumas peças inspiradas na realidade daquele país. Mas o dom pela arte e pelo artesanato só despontou quando resolveu regressar ao seu país de origem. “O artesanato foi um ponto de viragem na minha vida. Ganho a minha vida a fazer o que eu gosto, aquilo que me dá prazer. Não me canso e até funciona como uma espécie de refúgio para os meus próprios problemas. Esqueço o mundo lá fora”.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.