Putin desvaloriza caso Snowden nas relações com os Estados Unidos

17/07/2013 11:37 - Modificado em 17/07/2013 11:40
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PutinPresidente russo afirmou que as relações entre os dois países são mais importantes “do que qualquer querela sobre as actividades dos serviços secretos”.

 

O Presidente da Rússia garantiu que a polémica sobre o analista informático Edward Snowden não vai pôr em causa as relações com os Estados Unidos. Numa visita à Sibéria, Vladimir Putin disse que “as relações bilaterais são muito mais importantes do que quaisquer querelas sobre as actividades dos serviços secretos”.

 

A menos de dois meses de uma importante cimeira entre os dois países – marcada para 3 e 4 de Setembro, em Moscovo –, Putin quis distanciar-se do caso e voltou a dizer que Edward Snowden tem ordens para ficar calado enquanto estiver na Rússia.

 

“Dissemos ao sr. Snowden que não vamos aceitar nada que possa pôr em causa as relações entre a Rússia e os Estados Unidos”, afirmou o Presidente russo, citado pela agência Reuters.

 

Na sexta-feira passada, no final de uma reunião no aeroporto de Cheremetievo convocada por Edward Snowden, o deputado da câmara baixa do Parlamento russo Viacheslav Nikonov (do partido de Putin, Rússia Unida), disse que o norte-americano tinha aceitado a condição imposta por Moscovo – “Ele disse que não tem problemas em aceitar as condições”, afirmou Nikonov. Mas outra das pessoas presentes na reunião, Tania Lokshina, da organização Human Rights Watch, disse que Edward Snowden apenas salientou que as suas actividades não estavam a prejudicar os Estados Unidos.

 

Apesar de garantir que vai tomar uma decisão “independente” sobre o pedido de asilo temporário do antigo analista contratado pela Agência de Segurança Nacional (NSA), Vladimir Putin deixou claro que as relações entre Moscovo e Washington constituem “um objectivo nacional” para a Rússia.

 

Quanto ao futuro de Edward Snowden, o Presidente russo voltou a indicar que Moscovo não deseja uma estadia prolongada do norte-americano. “Ao que sei, o sr. Snowden nunca teve a intenção de ficar aqui na Rússia para sempre. Ele próprio disse isso”, sublinhou Vladimir Putin.

 

Mas as palavras do Presidente russo sobre as relações Moscovo/Washington são sempre acompanhadas de uma declaração destinada a embaraçar a Administração Obama. Desta vez, Putin disse que Snowden deveria saber que a sua situação iria ser “complicada” quando decidiu “criticar os Estados Unidos”. “O caso do avião do Presidente boliviano é um exemplo disso”, afirmou, referindo-se às decisões de Portugal, França e Itália de impedirem a aterragem e sobrevoo do avião do Presidente Evo Morales na viagem entre Moscovo e La Paz, no início do mês – a Espanha é acusada pela Bolívia de ter instruído o embaixador em Viena a revistar o avião presidencial em busca de Edward Snowden.

 

EUA exigem extradição

Ainda não é conhecida a decisão dos serviços de migração russos sobre o pedido de asilo temporário de Edward Snowden, apresentado na terça-feira. Se o pedido for aceite, terá de ser validado pelo Presidente Vladimir Putin.

 

Os Estados Unidos continuam a pressionar a Rússia para não autorizar a permanência de Snowden no país. Na conferência de imprensa de terça-feira, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, reafirmou que Washington não aceita nenhuma outra decisão que não seja a extradição.

 

“A nossa posição é a de que o sr. Snowden deve ser expulso, deve regressar aos Estados Unidos e não dever ser autorizado a fazer mais viagens internacionais, exceptuando as necessárias para regressar aos Estados Unidos. Ele não é um activista dos direitos humanos. Não é um dissidente. Foi acusado de revelar informação confidencial. Tem três acusações sobre revelação de informação confidencial. Por estas razões, deve ser entregue aos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz da Casa Branca.

 

Edward Snowden está refugiado na zona de trânsito do aeroporto de Cheremetievo, em Moscovo, desde 23 de Junho, onde chegou depois de uma estadia de um mês em Hong Kong. Snowden, antigo especialista em segurança informática da CIA e consultor contratado pela NSA, viajou do Havai, onde vivia, para Hong Kong, com o objectivo de revelar os segredos dos programa de espionagem dos Estados Unidos.

 

 

 

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