Licenciados no desempego: histórias contadas na primeira pessoa

17/07/2013 00:14 - Modificado em 17/07/2013 00:15

LicenCom os números elevados da taxa de desemprego no país, com destaque para a cidade do Mindelo, o NN foi saber como anda a vida dos licenciados, dos jovens que ingressam no ensino superior com a expectativa de mudarem de vida e que se encontram hoje no desemprego.

O número de desempregados na cidade do Mindelo dispararam as estatísticas feitas nos dois últimos anos, segundo os dados avançados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Entretanto, o número de jovens a aderir aos cursos superiores não se quedam por este cenário. Até este momento,existem 5 Universidades na ilha para um Universo de cerca de setenta e seis mil, cento e sete habitantes (dados de 2010), abarcando também estudantes das outras ilhas, sobretudo do Barlavento. A pergunta que se coloca refere-se às condições de empregabilidade no país: que condições estão a ser criadas para dar vasão ao número de alunos licenciados que se formam todos os anos?

Percurso e histórias de vida

Cláudia Medina formou-se em gestão de empresas no ISCEE. Há quase 3 anos sem emprego, hoje pergunta, “qual a diferença entre um licenciado e uma pessoa com a quarta classe. Licenciar-se para quê se só consigo arrumar emprego nas lojas comerciais ou bares? Que futuro tenho eu? Sem dinheiro para continuar a investir no ensino, sem dinheiro para me aventurar para outro país ou mesmo outras ilhas, tenho que me acomodar nesta situação”, desabafa Cláudia que conta o seu desejo de ir trabalhar no continente africano. “Mas para poder ir, o Governo que tanto gosta de apostar em parcerias com a União Europeia (UE) deveria estar virado para a África, porque é lá que está a solução para os nossos problemas”, assevera.

À semelhança da Cláudia, existem centenas de licenciados que enfrentam os mesmos dilemas, “enclausurados num país insular e que, como tal, apresenta uma grande dificuldade na circulação dentro do território à procura de novas oportunidades”, diz Pedro Lima, antigo aluno do Ex-ISECMAR. Da mesma forma vive Ana Monteiro, licenciada em Ciências da Educação, mas que se encontra a trabalhar no talho do Minimercado Mar Mimoso. “Inscrevi-me no curso, porque na altura o mercado estava à procura de pessoas formadas na área. Mas assim que saí, as coisas mudaram”. Entretanto, as dificuldades ultrapassadas para concluir o curso “não foram poucas”, conta Ana, sobretudo com o custo das propinas que tinha de pagar todos os meses.

Até fome eu passei

Hélder que também frequentou o curso de Ciências da Educação na Jean Piaget é guarda da Silmac desde 2011 e diz que a questão da empregabilidade no país encontra-se ainda com muitas falhas “porque aqui não se entra no mercado de trabalho por mérito, tens de ter uma lista de contactos importantes que te ajudem a entrar dentro do mundo laboral”. Facto, diz Hélder, que o faz sentir-se injustiçado, sobretudo pelas dificuldades que teve de enfrentar: “até fome eu passei, porque sou de Santo Antão, tive de morar em casa de outras pessoas, com despesas para pagar, tudo com o objectivo de avançar, de encontrar um emprego na minha área que me proporcionasse melhores condições de vida”.

Por seu lado Doris Pinto, licenciada também em Ciências da Educação, hoje a trabalhar no atendimento na empresa de telecomunicações CVTelecom, demonstra a sua preocupação relativamente à questão da saturação do mercado nalgumas áreas, apesar de, todos os anos, as Universidades continuarem a abrir vagas para esses mesmos cursos. “É frustrante terminar um curso e ver que ou o curso que escolheste não é exactamente o que o mercado está a pedir ou que, apesar de te teres formado naquilo que desejavas, não teres por onde ir com a formação que fizeste”, explica Doris que realça o aspecto da falta de fiscalização do Governo perante o funcionamento das Universidades no país.

“Acho que as Universidades deveriam ser fiscalizadas pelo Governo, porque há cursos que se encontram fechados, em que já não há necessidade de se formar mais gente nessas áreas, porque há muitas pessoas com a mesma formação sendo que muitas estão empregadas e muitas no desemprego”, reitera Pinto para quem deveria haver uma parceria entre o Governo e as Universidades no sentido que se fizessem estudos sobre as necessidades do mercado antes de se começarem a abrir determinados cursos.

 

  1. Luís Moreira

    Estud e essecial sem duvda… ma situação ta torna mas pior cond k bo ta ba p1 concurse p.e. i bo ca ta ser aceit pk bo tem scola d mas…

    Es contce k mi n1 concurse k1 participa na altura 1 tava na 3º on Curse i es tava ta bdi pessoal k 12º on. 1 foi post d lod por ter hablitações elevadas..

    No entant es ta dze k gent tem k aposta na formação.. dai 1 ta pergunta … CURSA PA KE?

  2. Luís Moreira

    Ot problema tb e nes Centro Emprego (CE) so es ta aceita bos document se bo tem 1 formação concluid (ou 12º ou Bacharel ou Licenciatura, etc).

    Ness caso se bo tiver 1 curse duração 4 on pa faze licenciatura i ja bo tiver por exemplo na 2º ou 3º bo ca ta pode increve na CE a não ser k for k documentos d 12º….

  3. Lindinha

    Ma ainda bzot ke oia que tud dnher que entra na C.V.e pa faze bnitin na Praia?Un cosa e bem cert se povo de kiz ote ILHA que abri olho pas faze MANIFESTASAO moda tud lugar de mund te faze ,nada te ser mudod.

  4. Eduardo Oliveira

    Rapazes, bocês tude tem razom na o que bocês dzê. Na nha entendimente, situação ta complicode pa quem Autoridades nunca ocupà de fazê estudo de profissão pa ajudà jovens a orientà. Por exemple, ca tem ninguém na àrea d’Agricultura. Sim !!! Esse ê so um exemple mà tem pior do qui isse. Nôs terra ta dominode pa nepotisme em alte grau e Governe ta dà traboie pa tcheu membre de sês familia enquante ôtes ca tem ninguém na casa pa cmide d’caldera. Por isse ê que devia ter (1) orientação e contingente para cada profissão (2) seriedade para ajudà ôtes familia que ca tem ninguém na traboie. Bocês desculpà-m’ se m’ ca foi clore màs nôs terra tem mute injustiça.

  5. Carlos Ferreira

    Com a crise que vai entrar e fortemente em Cabo Verde (de nada nos vai servir a propagada blindagem contra a crise) a chamada classe media e alta em S.Vicente, pelo menos uma maioria consideravel, vai perder o seu estatuto economico consequencia da perda de trabalho, cortes enormes nos salários, pensões e demais auferimentos, aumento do custo de vida etc,etc,.
    Muitos vão perder as suas mansões, os seus carrões pois os bancos não vão ter compaixão, o que é lógico.
    E essa juventude um tanto ou quanto “soberba”, arrogante, habituada a uma vida de bem-estar material, mais virtual do que real, vai sofrer um choque enorme. Nada de novo aqui se deitarmos uma olhadela para além fronteiras, veja Portugalo, Grecia, Espanha, Italia, etc,etc.
    E o pior ainda é que um numero consideravel dessa juventude está em posse de um diploma que lhe abre as portas directamente para o desemprego imediato e permanente, pois os postos de trabalho serão cada vez menos, tanto no sector publico como no privado.
    Os filhos da classe mais desfavoravel, a classe dos chamados bairros problematicos terão menos problemas. Já estão habituados a não terem “tres por dia”, habituados ao seu arroz com cavala, ao seu “bife de caneca” pelo que o impacto da crise não será tão sensível
    Todos esses ingridientes acima apontados não terão um efeito positivo na psique dos jovens atingidos pela calamidade.E o resultado é que muitos, mais do que agora, vão procurar uma fuga no alcool e na droga tentando eliminar ilusoriamente a sua frustração.
    Infelizmente,(eu sou pai tambem responsavel por esta crise não só economica mas tambem de valores e moral) podemos falar de uma geração nao apenas “`a rasca” mas tambem perdida.
    Alguns poderão achar o meu comentario pessimista e de todo o coração espero que eles tenham razão. Mas temo que neste caso “a razão terá razões que a razão desconhece”.

  6. Carlos Ferreira

    A capacidade de analisar e planear um futuro é algo difícil, nao só para os jovens estudantes como bem assim para os pais.
    Veja só o nome bombástico ” Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais”‘ como se Cabo Verde tivesse empresas que tais cursos justificam e infelizmente as que ainda não fecharam as portas não estão à espera de licenciados para irem trabalhar atras do balcão.
    Os cursos de gestão de empresa falam na imaginação dos caboverdianos como se as lojas chinesas fossem empresas.
    É pena e bastante triste e trágico que esses estudantes, “geração à rasca ou perdida” ainda não se consciencializaram que estão sendo ludibriados e que a maioria dos diplomas conseguidos nestas pseudo universidades apenas os ajudam verdadeiramente a entrar na lista cada vez maior dos desempregados.
    Quem melhor saiba que o diga.

  7. Soncente

    PERGUNTEM AO PRIMEIRO MINISTRO JMN.
    PROMETEU MUNDOS E FUNDOS PARA OS ESTUDANTES E RECEM FORMADOS NOS COMICIOS E AGORA VEM DIZER Q Ê POR CAUSA DA CRISE. O MESMO BERROU QUE CV TINHA UMA ECONOMIA ESTAVEL E Q A CRISE NAO NOS AFETAVA.

  8. Matta Motta

    O PROBLEMA É QUE A COISA TA PRETA, OS GRANDES ESTÃO COMENDO TUDO E OS MIMINUS ESTÃO FICANDO SEM MIGALHAS

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