“Vim para o Porto Novo para fugir das humilhações e encontrar emprego”

16/07/2013 01:02 - Modificado em 16/07/2013 01:02
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PortoNovoO NotíciasdoNorte foi ao encontro de João Baptista na cidade do Porto Novo que durante anos viveu uma história de encarceramento e uma infância corroída por maus-tratos praticados pela mãe. João que é natural de Santo Antão e que deambulava pelas ruas do Mindelo, São Vicente, decidiu regressar ao Porto Novo para viver uma nova vida e encontrar um emprego.

João Baptista, de 19 anos viveu em São Vicente desde os sete meses e, durante anos, em cativeiro no quintal da sua casa onde sofria maus-tratos praticados pela mãe. Aos treze anos resolveu sair de casa para viver nas ruas do Mindelo, mas há cerca de duas semanas decidiu dar um novo rumo à vida: regressou à terra dos seus familiares, cidade do Porto Novo, ilha de Santo Antão.

Vida nova

João conseguiu embarcar para a ilha das montanhas com a ajuda de uma senhora que também se sensibilizou com a história de vida do rapaz. De passagem pela cidade do Porto Novo, o NN encontrou este jovem que mantém a sua tradicional imagem de vida nas ruas do Mindelo: mochila de pequeno porte às costas, com algumas bijutarias e tralhas. E traz vestida uma camisa, umas calças e usa umas sapatilhas novas que lhe forma oferecidas por um conhecido quando chegou à sua terra natal.

Questionado sobre a razão do regresso à cidade do Porto Novo, João não teve papas na língua e respondeu “vim viver uma nova vida, longe do desemprego e das humilhações constantes de pessoas que não respeitam o direito à vida”. O jovem com um “sorriso que transborda felicidade” sublinha que “estou a ultrapassar as dificuldades vividas no passado, porque aqui tenho apoio das pessoas, refeição três vezes por dia e já não durmo ao relento”.

Emprego

Depois de viver um drama, o jovem de 19 anos, que um dia quer ser motorista para “viver com dignidade”, não esconde a sua felicidade por ter realizado um dos objectivos que o levou a deixar a ilha de São Vicente: encontrou um emprego, não de motorista, porque ainda não possuiu habilitações legais.

“Arranjaram-me um trabalho na área da construção civil na localidade de Alto Mira. Aceitei o emprego porque aquilo que eu ganhar vai servir para custear as necessidades básicas e viver uma vida sem dificuldades” assegura João.

Este jovem que agora vai pegar em pás e enxadas para trabalhar com cimento, areia e cascalho diz que ainda não se dirigiu à zona Norte, localidade onde residem alguns familiares e que fica afastada da cidade do Porto Novo. Mas conclui dizendo que “um dia desses terei de ir até lá para verem que estou bem e que regressei à minha a minha terra natal em busca de uma nova oportunidade de vida”.

 

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