Lena … o doce amor de Bana, de Novas e de todos nós

15/07/2013 00:20 - Modificado em 15/07/2013 00:37

É difícil eleger a melhor música de um intérprete como Bana. Por isso, não vou por esse caminho, vou pelo caminho, também difícil, de escolher a que mais gosto, na certeza que não é um gosto solitário. E não tenho dúvidas: Lena de Manuel d’Novas. Por várias razões mas, sobretudo, por aquela noite que foi apenas uma de muitas noites em que te estendia a mão aos primeiros acordes de “Lena” que antecediam a voz cálida de Bana que chegava quando os corpos já se tinham encontrado, quando as juras de amor eterno começavam a ser sussurradas e tu eras a Lena de Manuel d’Novas, de Bana e de quase todos: um hino ao amor. E na rua do Sol ao Rato ,Bana levava o lenço ao rosto na noite cabo-verdiana sempre cálida de Lisboa e cantava Lena. Todas as cabo-verdianas eram Lenas e todos os cabo-verdianos tinham a sua Lena “dixame vive um momente dess ilusão, dixame um momento so na nha fantasia”. E até tu que não eras Lena, nesse momento eras Lena “dixame goza nha sonhe nha doce paixão dixame flori nha sonhe cu ligria”. E a voz tremida de Bana chegava como uma sentença, uma ordem para amar, para celebrar o amor “sozim ma bo num doce amor, ó Lena”. Até para os amores que não seriam eternos, especial para o meu irmão Rui que ama eternamente uma Lena que não foi eterna sem saber que haveria dias assim, como este.

 

Dias que passam sem ti

tranquilos, suaves

tão tranquilos e suaves

que abro o melhor champanhe para comemorar este dia suave

O dia em que te esqueci

O dia que vivo sem a tua lembrança

o dia que não senti teu cheiro de jasmim nos cabelos

no corpo, nos nossos risos, beijos, abraços

no melhor champanhe que abríamos para comemorar aqueles dias suaves

em que nos amávamos e jurávamos que nunca haveria outros dias suaves

Dias suaves para abrir o melhor champanhe

para comemorar o dia em havia de te esquecer

Há dias assim

dias que não passam sem ti

sem a tua lembrança

mesmo num dia como este

em que comemoro o dia em que te esqueci

 

Em que recordamos que esquecemos a ordem

 

Vinda na voz cálida de Bana “sozim ma bo num doce amor, ó Lena”

 

Eduíno Santos

 

  1. Emocionei-me a ler isto: palavras tão lindas e tristes.
    Cabo Verde, nôs mornas, nos gente. Etrerna Saudades de nos músicos e cantores k no ti te perdê, enfim….mas as obras ficam pra sempre: pra nos fazer felizes e ao mesmo tempo nos deixar cheios de saudades.
    òh porta de céu abri, Óh Deus abri bus braços bo recebê nôs essa boa gente, que tudo fizeram por nós..
    Eterna Saudades: recorda-se por exemplo, Luis Moriais, Ildo Lobo, Cesária, Bana (…),

  2. Maria de Lurdes

    Lindo , Eduino devias te dedicar mais a escrever , gosto do teu trabalho na radio e TV , mas a imprensa escrita perde um bom jornalista

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