Piadas á volta de Zé Catana: ” são um mecanismo de defesa perante um caso tão horrendo e real”

12/07/2013 07:49 - Modificado em 12/07/2013 07:49
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ze catana“Zé Catana” faz parte do dia-a-dia das pessoas. No princípio, foram o espanto e a atitude de repúdio para com os actos cometidos por este, agora, já se tornou motivo de brincadeiras e de piadas. Um leitor do NN já tinha demonstrado estar chocado com o facto de “as pessoas nas redes sociais e na rua estarem a fazer comentários jocosos sem se importarem com o sucedido”. E as piadas sobre carne, derivadas das suspeitas de venda de carne humana por parte de Zé Catana, já se tornaram normais. Uma das últimas piadas é o reforço sérvio do Benfica “Zezic Catanic”.

 

Apesar de ser um caso macabro que chocou no princípio todo o país, tornou-se alvo de piadas. O NN tentou entender a razão pela qual as pessoas estão a agir desta forma e contactou especialistas na área da psicologia para entender esse comportamento. Das respostas apuradas, fica a ideia de se tratar de um mecanismo de defesa perante um caso tão horrendo e real, pelo que as piadas são usadas como forma de lidar com a situação em vez de se lidar com o stress de ficar a pensar constantemente no caso de forma séria.

 

“O ser humano por si só tem pavor da morte e, surgindo um caso do tipo, inconscientemente as pessoas consciencializam-se de que poderia ter acontecido com elas, mas dentro de si, criam um conflito e para tentarem minimizar a revolta que sentem por dentro, mais vale então brincar com a situação do que levá-la a sério”, explica uma profissional da área e acrescenta que as pessoas fazem estas piadas porque Zé Catana está preso e, por isso, sentem-se seguras.

 

Não põem de lado a questão cultural do cabo-verdiano de fazer piadas com quase tudo. Lembram-se de casos de abundância de algum produto e são dadas alcunhas.

 

Mas uma das psicólogas diz que povo mindelense está a passar por uma crise, tanto económica como social e surge um caso bombástico do tipo de forma inesperada “a nossa forma de lidar com ela” e como muitos outros assuntos, “é brincar com coisas sérias”.

 

A preocupação centra-se nos aspectos psicológicos que podem afectar as pessoas e, por isso, o conselho é para que o sistema possa “ter mais cuidado com os aspectos e os assuntos que abalam a nossa sociedade”.

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