Miguel torna-se independente da cadeira de rodas

13/07/2013 08:03 - Modificado em 13/07/2013 10:59

livrosApós a formação superior no Brasil, Célia Dias, mãe do Miguel, explica que procurou uma escola para integrar o filho, sabendo que este não poderia ficar excluído do sistema educativo.

 

Ao recorrer à escola “Luis Morais”, esta confessa que “no princípio não houve recusa da escola em acolher o filho mesmo alegando que não possuíam condições específicas para um aluno que exige uma educação mais especializada”, afirma.

 

O envolvimento da Célia e da professora Teresa Lopes que acolheu o Miguel no 1º ano, foi crucial num primeiro momento. A educadora pediu ajuda e apoio à Sala de Recurso da Delegação de São Vicente. Com isso, passaram a contar com a ajuda de uma equipa formada por uma psicóloga e uma terapeuta ocupacional dessa mesma instituição.

 

Célia Dias afirma que o seu filho teve “melhorias expressivas a nível físico e na comunicação, pois quando começou a frequentar esta escola, apresentava dificuldades nestes sectores”, sustenta.

 

Uma dessas melhorias é quase um milagre. “O Miguel quando começou a escola andava de cadeira de rodas, por isso, tinha de ter ajuda de alguém para empurrá-lo à entrada e sempre todos se prontificavam em fazer de tudo por ele”, reforça.

 

Com a amizade e o carinho que toda a comunidade estudantil nutre por ele e, principalmente, os seus colegas de turma, nos intervalos Miguel recebia apoio dos amigos para fazer pequenos exercícios e levantar-se da cadeira de rodas. Um dia surpreendeu tudo e todos e passou a andar sem auxílio.

 

A mãe valoriza a boa vontade, o espírito de solidariedade e agradece o empenho e a dedicação principalmente da professora Teresa Lopes e também de todo o pessoal educativo da escola.

 

A nossa entrevistada sublinha a necessidade de existirem sempre boas relações entre a escola e a família “para uma sã integração e desenvolvimento de qualquer criança, seja deficiente ou não”.

 

A professora Teresa Lopes considera que “no início o objectivo da escola, enquanto instituição ao acolhê-lo, foi a socialização, promovendo a integração no seio estudantil para evitar a exclusão e o abandono do menino”.

 

Teresa Lopes considera o caso de Miguel “um sucesso” e uma experiência positiva em termos profissionais, visto que a escola não tem condições nem físicas (como rampa de acesso para deficientes), nem técnicas como profissionais capacitados para o ensino de crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

 

No primeiro ano (1º ano), o Miguel era “o centro das atenções” dos seus colegas dadas as suas características. “O clima de cooperação e entreajuda no início, na sala de aulas, era contagiante. Todos os colegas demonstravam sempre disponibilidade para darem a sua colaboração no processo de integração do aluno”. Também os especialistas apoiaram na sua integração. “A terapeuta ocupacional indicava como ter uma melhor postura sentado e a adaptação aos materiais didácticos e pedagógicos”, explica Teresa Lopes.

 

 

 

Quanto à avaliação, a educadora assume que “no princípio houve dificuldades encontradas pela equipa que o acompanhava, em relação às aulas que deveriam ser mais direccionadas ao Miguel. Isto em relação à aplicação de testes específicos sem reunir os requisitos exigidos em aprofundar os conteúdos administrados em relação aos outros alunos. Por exemplo, explica a professora: “na disciplina de matemática há adaptações a nível de operações, em que faziam uso de tampinhas e recorte de números desenhados em papel cartolina, para efectuar operações matemáticas (contagens e formação de conjuntos)”.

 

De acordo com a docente, o Miguel nunca foi rejeitado pelos seus colegas, graças também ao facto do aluno ser bastante sociável, ter boa disposição e ser amável com todos.

 

Teresa Lopes confessa que um aluno com necessidades educativas especiais exige muita disponibilidade e boa vontade do professor. Mesmo com a carência de recursos didácticos pedagógicos disponíveis que permitem que a criança tenha um ensino de qualidade equiparado ao dos seus colegas.

 

Lopes lamenta que a política de ensino do Ministério da Educação não contemple a reunião de melhores condições exigidas para crianças com necessidades educativas especiais, mas tudo depende da boa vontade do professor em querer fazer o seu trabalho ou cumprir o dever enquanto educador.

 

“Há sensibilização em acolher um aluno com necessidades educativas especiais mas não há condições”, conclui a mesma.

 

Próximo passo: conseguir escrever

 

Fernanda Ramos que é professora do Miguel desde o ano passado, explica que teve muito empenho e boa vontade e que o seu maior desafio é “fazer com que o Miguel transfira do verbal para o escrito, criando metodologias próprias para a sua condição. Uma vez que este possui dificuldades a nível da motricidade com movimentos involuntários que lhe impedem de escrever”.

 

A integração com a nova professora “foi normal”, uma vez que os seus colegas já o conheciam e sempre houve disponibilidade de todos em ajudá-lo.

 

A professora Fernanda explica que não houve necessidade de criar um plano específico para o Miguel uma vez que o aluno acompanha as aulas e tem rendimento escolar. Segundo a mesma fonte, o Miguel é considerado um aluno com “um óptimo desempenho escolar”.

 

Esta profissional cria estratégias para que seja avaliado de forma formativa e sumativa: “no decorrer das aulas o Miguel é avaliado oralmente e também um colega oferece-se para escrever no quadro por ele as palavras que formam a pergunta; nos testes sumativos, em exercícios que são para ser resolvidos por escrito, o aluno responde oralmente e noutros são adaptadas fichas para a resolução de exercícios que deveriam ser resolvidos por escrito”, explica.

 

Ramos considera que “a avaliação do Miguel é mais morosa e requer a adaptação de materiais didácticos na sala de aula”.

 

Avaliar o aluno a Matemática é uma das dificuldades deparadas, sobretudo, na realização de operações aritméticas que envolvem números maiores de 100.

 

Fernanda conta que recorre ao auxílio de materiais como fichas, algoritmos (em papel de cartolina) que são desenvolvidos pela pedagoga que acompanha o seu desenvolvimento educativo”, termina.

 

A docente também considera Miguel um caso de sucesso. Sente-se motivada em trabalhar com ele por ser muito participativo na sala e ainda contar com o espírito de solidariedade, trabalho de equipa e ajuda mútua”, reforça.

 

Dânia Rodrigues e Adelmo da Cruz são colegas de turma do Miguel. Dânia ajuda o Miguel a arrumar os seus materiais e é o seu companheiro diário na hora de irem para casa. Adelmo da Cruz também colega do Miguel, é o companheiro das brincadeiras nos intervalos e também ajuda-o a ir à casa de banho.

 

Miguel Brito é a prova de que a humanidade dos educadores e a boa vontade da família, da escola e dos colegas pode superar quaisquer dificuldades do ensino para crianças com necessidades educativas especiais

  1. Francisco Silva

    Reconheço tudo isso, por ter-me estudado em CaBo Verde no antigo Liceu Gil Eanes nos anos 72/75. E não tinha dfificulades tanto na palavra oral e palavra oral. Somente era uma ginastica enorme ir ao 3 piso pra assistir as aulas no primeiro de ciculo preparatório.
    Mas de todas as formas tenho tudo a dever a minha mãe também.
    Um abraço ao miguel e um beijo de muito carinho a dona Célia.

    Francisco Silva-Holanda

  2. Betty Rodrigues

    Que alegria senti ao ler essa reportagem, pois como vizinha e amiga da familia do Miguel, sei o quanto isso significa em termos de esforço e dedicação da mae Celia, do pai Artur de toda a familia,amigos e vizinhos. A evolução do Miguel é extraordinária, mas o mais extraordinário é a meiguice, o bom humor a vivacidade desta criança, que nao poderia ser diferente pela familia que tem. Aos professores e a equipe,meus parabens por laborarem com coração nas nossas escolas..

  3. Maria Ethel

    Célia um tem um admiração mut grande pa bo, e pa Miguel um ta deseja kel ta consegui ultrapassa tud ess luta de vida.

  4. Doroteia Nascimento

    Conheci minha (sempre) com-cunhada Célia e seu filho Miguel aqui no Brasil, fiquei muito feliz e emocionada ao saber das melhoras, desejo que a cada dia mais obstáculos sejam vencidos em sua vida pois são muitos e parabéns Célia pelo empenho na educação de seu filho, que sirva de exemplo para o mundo… felicidades.

  5. luisa santos

    parabens aos pais do miguel e que sempre ta continua kel grande apoio, de kes educador e em especial kel grande afecto e solideriedade dkes criança. Um sabé ké nos criança ta gosta fazé socialização ma kés crianças tem necessidade especiais.

  6. João Cecilio

    Célia Dias na minha modesta opinião é uma mãe que deve servir de exemplo a muitas, pela coragem com que ela lutou para que o seu filho Miguel fosse aquilo que é hoje ,pelo que faço sinceros votos, que esse grande casal tenha longa vida e muita saúde para fazerem desse filho muito querido um homem de amanhã independentemente de todo o sacrifício que possa vir a surgir. Um abraço e beijinhos ao Miguelito. Força amigos.

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