Fazer contas à vida

13/07/2013 08:03 - Modificado em 13/07/2013 10:56

pensar-dinheiroO NN foi saber a opinião de alguns trabalhadores sobre a anunciada criação do salário mínimo nacional . Uns ,poucos, dão “saltos de alegria” com a previsão de um aumento salarial significativo . Outros dizem que não vai dar para nada .E por ultimo aqueles que acham que vai ser um desastre.

Madalena Rodrigues, comerciante de uma loja de roupas e acessórios, fez questão de realçar que o salário que aufere mensalmente não lhe dá para cobrir as despesas domésticas.

“Ganho 10.000$00 e não chegam para assumir os compromissos domésticos como renda de casa, luz e outros”. E se caso passar a ter um vencimento de 11.000$00 este valor não é significativo”.

Madalena acrescenta que este valor é insuficiente tendo em conta o aumento dos bens essenciais. Ainda de acordo com a mesma, “o salário mínimo trará muitas consequências à sociedade, como o desemprego. Muita gente que emprega pessoas para o serviço doméstico não irá conseguir pagar este valor”, conclui.

A nossa reportagem também ouviu Adarlene Dias, funcionária de uma loja chinesa. Para esta mindelense quando o salário mínimo começar a vigorar no país isso representará uma mais valia para a sua vida, como confessa: “actualmente ganho 12.000$00 executando serviço de caixa na loja e, com esta subida, passarei a receber 16.000$00 o que é muito bom”, conta.

Vanda Santos também é empregada numa loja chinesa e considera que este novo salário anunciado pelo governo é: “um alento na sua vida”. Isto porque ganha 6000$00 e com este novo salário passará a ter mensalmente entre 11 a 12.000$00.

Além de estar satisfeita com os benefícios que esta subida trazem para a sua vida, não esconde a preocupação numa eventual consequência negativa que esta lei acarreta.

“O salário mínimo é um risco já que de certeza haverá uma diminuição do pessoal, logo surgirá o desemprego”. O comércio chinês é instável em relação à fixação de empregados e é provável que os patrões passem a exercer eles mesmos o serviço, denuncia a empregada.

Mas não existe um consenso quanto a este valor que será praticado a partir do próximo ano. Segundo Hirondina Andrade, professora reformada do ensino básico, o valor é irrisório e não vai ao encontro dos aumentos dos produtos de primeira necessidade.

“O valor é pouco e não dignifica a classe trabalhadora nacional. Há três anos que estou a pagar 10.000 à minha empregada e se introduzir os 1000$00 no seu ordenado isto representará um desequilíbrio no meu orçamento familiar mensal. O meu vencimento há anos que não foi aumentado”.

Por seu turno, Ivanilda Sousa avança que apesar de não estar satisfeita com o serviço doméstico onde trabalha, é obrigada a continuar para sustentar os três filhos que cria sem o apoio financeiro do pai. Se por acaso lhe forem atribuídos mais três mil escudos nos oito mil que ganha seria “uma lufada de ar fresco” na sua vida.

“Sou a favor do salário mínimo nacional, porque é uma forma de ver os direitos dos trabalhadores a serem reconhecidos.” Este é o desabafo de Ana Rodrigues que defende este valor mesmo ganhando 10.000. “Os 1000 escudos que passarei a ganhar, em 2014, já são uma ajudinha nas despesas escolares dos quatro filhos”.

Sofia Lopes, empregada doméstica numa casa há cerca de três anos revela que está satisfeita na casa onde trabalha. “Em relação ao salário mínimo considero muito bom. Ao passar a ter mais quatro mil escudos dos sete que ganho, os benefícios são muitos visto que viverei um pouco mais desafogada”, acredita.

Enquanto uns aplaudem a sua chegada, outros há que consideram que vai dificultar ainda mais a vida das famílias cabo-verdianas e em especial da ilha de São Vicente que, como se sabe, tem a mais elevada taxa de desemprego do país. Polémicas à parte, o salário mínimo está aí e entra em vigor daqui a cerca de seis meses.

  1. SV

    Deus, perdoai-lhes (as empregadas), porque não sabem o que dizem… Não haverá lufada de ar fresco e sim, desemprego. Porque razão, alguém que paga 6 ou 7 mil escudos irá aumentar o salário para 11 mil? Na Praia será mais fácil essa implementação, porque os salários actuais não estão muito longe dos 11 mil. Mas nas demais ilhas, como SV e SA e com o desemprego e crise que se fazem sentir, qualquer aumento será doloroso.

  2. SV

    Será melhor ter “empregada a dias”, uma ou duas vezes por semana, do que uma empregada a tempo inteiro. Quanto ao comércio, particularmente, as lojas chinesas vai haver demissão e aumento do volume de trabalho, sobre as empregas restantes. O salário minimo é necessário e importante, mas o Governo escolheu a altura errada para implementa-lo.

  3. Neves

    Realmente o montante de 11 mil escudos não é muita coisa se analisarmos o lado da oferta de trabalho, tendo em conta a acentuada perda de poder de compra da população. Porém, considerando a fraca estrutura e competitividade da nossa economia (caracterizada por micro e PME, fraca legislação laboral, baixa qualificação, comercio informal, etc.), seria relativamente perigoso elevar este valor. Deste modo, os efeitos do salario mínimo podem ser diversos, podendo afectar tanto o lado da procura de trabalho, como também da oferta.
    Por lado, sabe-se que o empresariado cabo-verdiano (e não só) apresenta tendências de caloteiro e explorador de mão-de-obra barata, (basta ver a situação dos empregados das lojas chineses, das empregadas de mesa e bar, em certos sectores da construção civil, oficinas de carpintaria, etc.), portanto a institucionalização do salario mínimo nestes casos concretos, serve para disciplinar determinados comportamentos existentes no mercado laboral nacional, mas também pode estimular a formação profissional e consequente produtividade.
    Eu pessoalmente não acho que um “mísero” 11 mil escudos possa aumentar fortemente o desemprego, isto porque devido à inflação, 11 mil escudos há muito que não vale nada! O importante é que agora já podemos contar com um patamar e assim os empregados já não ficam à mercê dos empregadores.

  4. CidadaoCV

    Não sei se é para comemorar ou para “chorar”. 11 mil escudos não é nada. Ninguém consegue sobreviver, sem ajuda de terceiros (casa dos pais) com 11 mil esc. Renda, agua, luz, alimentação, educação dos filhos, transporte público, telemóvel, vestuário. Façam um inquérito junto das pessoas que ganham abaixo de dez mil escudos. Perguntam onde moram, com quem e em que condições, se tem filhos como fazem com os filhos, como se alimentem. Façam isto e veja o grave problema social que se vive em CV.

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