VGB: mulher encarcerada dentro de casa por mais de cinco anos

4/07/2013 09:20 - Modificado em 4/07/2013 09:21

images (1)Mãe de quatro filhos, doméstica, com apenas a quarta classe de escolaridade. É assim o perfil de dona Maria Alice que diz ter sido torturada psicologicamente pelo marido durante 5 anos que usava como justificativa a sua falta de escolarização e “incapacidade” para gerir e sustentar uma vida sozinha.

“Nunca fui espancada pelo meu marido. Começamos a namorar ainda muito jovens e no início dávamos lindamente. Ele mudou depois que começou a estudar. Transformou-se numa pessoa completamente arrogante e começou sistematicamente a inferiorizar-me e chegou a um ponto em que já não tinha mais autoestima. Não me deixava sair de casa e isso foi-se tronando num hábito e deixei-me levar pelo autoritarismo dele”, conta Alice.

“Deixei os meus amigos e familiares e a minha vida reduziu-se as lidas da casa e, claro, a cuidar dos meus filhos. Já não tinha alegria de viver, porque era constantemente e por qualquer motivo torturada verbalmente por ele. Acabei por interiorizar aquilo, de que minha vida seria aquela”.

Violência doméstica não são só agressões físicas

Hoje Maria Alice reside na Holanda, país que a acolheu com a ajuda de duas irmãs, como forma de fugir aos maus tratos. “Quando descobriram o que realmente se passava consciencializaram-me de que tinha o direito de ser feliz, de mudar de vida. Fui para o pé deles e comecei a enviar dinheiro para os meus filhos. Depois levei o mais novo que ficou com 10 anos. Hoje reside comigo m Roterdam”, explica Maria.

Maria Alice, já de partida para Holanda diz ter decidido contar sua história como forma de incentivar outras mulheres que estejam na mesma situação a não se acomodarem. “A autoestima está acima de tudo, por isso estudem, trabalhem, participem em actividades desenvolvidas nas comunidades, façam-se presentes dentro da sociedade e não deixem nunca que vossa vida e sobrevivência dependa de migalhas de um homem”.

 

  1. mindelo

    Pois é, Dª Maria Alice, a minha mãe sempre dizia que o futuro depende de si próprio. A nossa defesa á estudar e ter um emprego digno para não ser humilhada e nem mal tratar pelo nosso marido ou pela sociedade. Nunca esqueci uma frase que ela sempre pronunciava “tens de trabalhar e trazer para casa pode ser menos, igual ou quem sabe até mais do que seu marido, pq quando ele bater um (soco) em cima da mesa, tens de levar automaticamente a sua mão e bater outro” e dizer temos o mesmos direitos !

  2. A violência doméstica contra as mulheres são fenómenos que abrangem vários países. A violência contra as mulheres é um abuso dos direitos humanos. Praticamente as mulheres são vítimas de violência, são sofredoras de problemas de saúdes psicológicos provocadas pelos maridos. Mas acho que as mulheres devem crescer, achar a possibilidades de fugir desses estados de coisas, devem achar a forma de resolvê-las. A Senhora Maria Alice conseguiu fugir numa das formas do jeito que achar, a Senhora está de parabéns, a mulher não deve confiar tanto nos homens, principalmente para ter tantos filhos, porque os filhos são obstáculos da mãe. Lutem mulher!

  3. Dje Guebara

    Parabèns Senhora por sair do martìrio te desejo felicidades e que começa nova vida.Pois este desgraçado deveria de deixar a ele con uma recordação para sempre,deveria de fazer igualmente que Lorena Bobbit fez o marido aqui em America,cortando-lhe o orgão genital.

  4. FDelgado

    Sem escurecer o conteudo da denuncia… facto reprovado e censurado pela sociedade… achei por bem realçar que o nome do crime é VBG (violencia baseada no Genero) e nao VGB como vem escrito no titulo da noticia…

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