Extracção de areia no Lazareto: Jovem morre no areal

27/06/2013 01:15 - Modificado em 27/06/2013 01:15
| Comentários fechados em Extracção de areia no Lazareto: Jovem morre no areal

velaNo Lazareto, ilha de São Vicente, o jovem Alírio de 24 anos entrou para o quadro de pessoas que já morreram soterradas durante a extracção de areia. Mas, apesar desta 12ª perda humana, os homens que trabalham nessa actividade continuam a ignorar o perigo porque esse é o seu ganha-pão para sustentarem os filhos. De realçar que há anos que os trabalhadores pedem a intervenção das autoridades para que possam trabalhar em segurança.

Nesta quarta-feira, por volta das 13 horas, a derrocada de uma duna no local onde se extrai areia no Lazareto soterrou um jovem que se encontrava a extrair areia na companhia do pai. Alírio, de 24 anos, não teve a mesma sorte que o pai que conseguiu fugir ao incidente ficando apenas com ferimento ligeiros.

De realçar que os bombeiros tentaram salvar Alírio que foi conduzido ao Hospital Baptista de Sousa, mas ele acabou por morrer no HBS na sequência de traumatismos na região torácica. Esta morte nas dunas do Lazareto acaba por trazer de novo à praça pública não só o debate sobre a segurança das pessoas que labutam na extracção de inertes na ilha de São Vicente, como também a recordação de onze cidadãos que já perderam a vida enquanto extraíam areia no Lazareto.

A perda de vidas humanas durante a extracção tem provocado dor no seio de várias famílias e revolta na classe que se dedica a essa actividade. Porque as autoridades assobiam para o lado enquanto motoristas e ajudantes continuam a desafiar a morte para conseguirem dinheiro que dê para sustentar os filhos.

Indignação

Contactado pelo NN, alguns cidadãos que se dedicam à apanha de areia mostraram-se indignados com a passividade das autoridades por não criarem condições que lhes permita trabalhar em segurança e que as mesmas só dão a cara quando ocorre alguma tragédia no local.

“Esta actividade tem as suas contrariedades, mas é o ganha-pão de muitos homens. Mas as autoridades podiam fazer alguma coisa para evitar perdas de vidas humanas. Isto é, não é só esperar que se verifique uma tragédia para virem ver. Deviam derrubar todas as dunas que estão em perigo de derrocada e assim trabalhávamos em segurança” declara Pedro Santos.

Por seu lado, o ajudante de camião, Luís Veiga partilha da opinião de Pedro e assegura que “as autoridades chegam ao local, prometem melhorias, mas a situação continua na mesma. Mas também há empresas que têm a sua parte de culpa, porque os maquinistas fazem labirintos e quem chega para trabalhar com picareta e pá fica exposto ao perigo”.

Benedito Lopes refere que a CMSV e algumas empresas já colaboraram na limpeza das dunas que apresentavam sinais de derrocada. Mas, o entrevistado assegura que chegou a hora das pessoas e das autoridades reflectirem sobre esta situação que tem deixado marcas nalgumas famílias que não se apagam com o passar do tempo.

 

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.