Presidente da Associação Abraço: “ teremos uma surpresa com a evolução dos casos de VIH ”

27/06/2013 00:31 - Modificado em 30/06/2013 09:49
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HIVOs valores oficialmente divulgados pelo Ministério da Saúde sobre a taxa quedam-se pelos 0,8 por cento. Entretanto, o presidente da Associação de apoio aos seropositivos de São Vicente (Abraços), Ailton Lima, diz que a situação real de seroprevalência no país é preocupante.

Apesar de não avançar números, Lima fala num cenário bastante crítico da situação de seroprevalência no país que continua escondida atrás de estatísticas pouco precisas sobre a verdadeira realidade do país.

“Muita gente pensa que o VIH já saiu de moda. Os estudos nem sempre correspondem à realidade e não é uma boa ideia divulgarem que a taxa de seroprevalência é de 0,8% , porque contribuem para que as pessoas e as próprias instituições relaxem”, alerta Lima, lembrando que o VIH não vai sair de moda enquanto não houver uma cura, enquanto as pessoas não se comportarem de uma forma saudável na sociedade”.

Continua o presidente clarificando que “às vezes, as informações que se divulgam neste sentido não correspondem à realidade. O público-alvo que transmitia o VIH concentrava-se nos toxicodependentes, nos homossexuais e nas profissionais do sexo. Começam a aparecer casos fora desses grupos padrão, como por exemplo, na terceira idade. Utilizadores de drogas, por exemplo, já não são os responsáveis pela proliferação dessa doença. Estão nas pessoas comuns, nos pais de família, nos jovens”.

 

Reforma na legislação

O presidente propõe que seja feito um debate sério em torno da legislação sobre o VIH\SIDA. “Penso que a reformulação dessa lei passaria por promover a prática dos testes de despistagem por toda a população no sentido de incutir nas pessoas que se trata de um dever cívico, à semelhança do que se faz com o recenseamento, por exemplo. Este seria o maior passo que poderíamos dar a nível do nosso país”, afirma.

Para além disso, denúncia a pouca atenção que tem sido dada à questão da divulgação da legislação existente. Esta divulgação, explica o presidente, poderia ajudar na consciencialização dos cidadãos sobre os meandros da lei para quem praticar a discriminação e também para os próprios portadores que não têm consciência dos seus deveres quando o assunto passa por situações como a transmissão voluntária da doença.

Os Serviços de Saúde

Lima lança um alerta aos serviços de saúde para que sejam mais activos no acompanhamento dos portadores do vírus. Tendo conhecimento dos casos, é dever destes investigar os possíveis parceiros da pessoa a quem prestam acompanhamento bem como da existência ou não de filhos. Esta prática surgiria no sentido de lutar contra a transmissão voluntária da doença e da identificação de possíveis novos focos da doença.

“Há pessoas portadoras que morrem e deixam três a quatro mulheres infectadas e que só descobrem quando este morre. Nalguns casos, os serviços de saúde têm conhecimento dessas situações e não fazem nada. O que deveriam fazer era investigar para proteger a vida de outras pessoas”.

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